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Fôrmas de alumínio – Variável competitiva

Uma das variáveis importantes para um melhor desempenho do sistema construtivo de paredes de concreto moldadas no local é a escolha da fôrma. As fôrmas de alumínio (manoportáveis) têm características bastante interessantes: possibilitam a concretagem de paredes e lajes em uma única etapa e consequentemente ciclos de produção reduzidos; têm excelente precisão geométrica e, se “bem tratadas”, podem ser reutilizadas inúmeras vezes (ultrapassam os 1.000 usos). Convidamos o engenheiro Felipe Otoya, CEO da Forsa, empresa colombiana com larga experiência na fabricação e fornecimento de fôrmas de alumínio para diversos países do mundo (América Central, Europa e África), para falar sobre sua experiência e sua visão do mercado brasileiro na utilização das fôrmas de alumínio. A Forsa mantém operação comercial no Brasil desde 2008, quando forneceu os primeiros jogos de fôrmas para um empreendimento da construtora Bairro Novo situado em Cotia-SP.

 

Fale um pouco sobre a Forsa.

Felipe Otoya – Somos uma empresa dedicada a projeto, fabricação e vendas de fôrmas em alumínio para construção de casas, sobrados, prédios, hotéis, penitenciárias. Atuamos há mais de 18 anos. Nosso diferencial é o serviço e o conhecimento técnico das pessoas que trabalham conosco. A Forsa iniciou suas exportações em 1998.

 

Em que países a FORSA atua?

Felipe Otoya – Começamos nossas operações na Colômbia, porém, em 1997 a crise do sistema hipotecário do país fez parar por completo a construção. Esse fato nos obrigou a buscar novos mercados ou do contrário teríamos que fechar a fábrica. Tivemos dois anos de muito trabalho e dificuldades. Hoje, a Forsa possui escritórios em mais de 17 países e mantém a liderança em países como México, Guatemala, Salvador, Honduras, Costa Rica, Nicarágua, Panamá, Colômbia, Equador, Peru, Chile, Venezuela, Argentina, Uruguai, Jamaica, República Dominicana, Trinidad e Tobago, Espanha, Senegal, Angola, Marrocos e Irã, entre outros.

 

Esses países possuem características semelhantes às do Brasil no negócio habitação?

Felipe Otoya – Acredito que Colômbia e México possuem características semelhantes às do Brasil, pelo apoio que os governos oferecem para esse setor da economia. O México chegou a ter programas habitacionais de mais de 600.000 habitações por ano, muito parecidos ao Minha Casa, Minha Vida, lançado pelo governo brasileiro há quatro anos. A Colômbia, neste momento, tem programas que permitem o crescimento do setor de habitações em nosso país.

 

Na sua opinião, qual destes países é referência de produtividade e qualidade no uso de fôrmas de alumínio?

Felipe Otoya – A Colômbia, com certeza, é uma grande referência. Iniciamos depois da crise de 1997 e os construtores mudaram dos sistemas tradicionais para paredes de concreto. Isto teve um alto impacto nas construtoras: aprender e dominar a tecnologia de paredes de  concreto, onde a Forsa teve um papel muito importante na capacitação e acompanhamento da utilização do sistema de fôrmas em alumínio.

 

Por que a decisão de vir para o Brasil em 2008, antes mesmo do programa Minha Casa Minha Vida?

Felipe Otoya – Na verdade, chegamos ao Brasil em 2004, quando as construtoras não tinham o menor conhecimento do sistema de fôrmas de alumínio. Em 2005, apresentando o sistema para alguns profissionais brasileiros, eles perceberam o potencial e a importância de adotar um sistema diferenciado para a construção de habitações. Fruto desta aproximação, fizemos os primeiros testes técnicos no Instituto Tecnológico de Furnas para credenciar o sistema junto à Caixa Econômica Federal (desempenhos térmico e acústico). Depois dos testes, ABCP, ABESC e IBTS – importantes associações setoriais – planejaram em 2007 uma missão de construtoras brasileiras para o Chile e a Colômbia com o objetivo de conhecer a utilização das fôrmas de alumínio na construção das edificações com o sistema paredes de concreto. Nesse momento, a Forsa fez sua primeira venda para uma empresa brasileira, a Bairro Novo. Acredito que este foi o início, no Brasil, das habitações em paredes de concreto.

 

Quais as maiores dificuldades encontradas no início de suas atividades?

Felipe Otoya – As maiores dificuldades encontradas foram:

  • A língua portuguesa.
  • As dificuldades, como estrangeiros, para fazer a implantação da nossa empresa. Por exemplo: alugar um escritório, comprar um celular, alugar um carro.
  • O desconhecimento do sistema por parte das construtoras.
  • O fato de a Caixa não aceitar o sistema de paredes em concreto, considerado inovador.
  • Por não ter um programa de construção popular definido pelo governo, todo o esforço da Forsa de informar sobre o sistema se perdia, porque as construtoras não tinham obras onde utilizar o sistema.

 

O programa Minha Casa Minha Vida e a norma NBR 16055 foram marcos importantes para evolução do sistema construtivo em questão. Como você projeta o potencial de utilização deste sistema face a estes marcos?

Felipe Otoya – Indiscutivelmente, o programa MCMV e a norma NBR 16055 foram importantes para a evolução do sistema. O potencial de utilização é muito grande porque agora temos as seguintes oportunidades:

  • A Caixa agora aceita e avalia o sistema de paredes em concreto para os projetos do MCMV.
  • A divulgação feita por ABESC, ABCP, IBTS e os profissionais autônomos, sobre a norma e a gestão de obras em paredes de concreto, é um fator de alto impacto para os construtores.
  • Cada dia mais construtoras estão querendo adotar o sistema de paredes em concreto com fôrmas em alumínio para seus projetos, pela quantidade de vantagens que estas oferecem.
  • Este sistema poderá ser utilizado em segmentos da construção além do programa Minha Casa Minha Vida – edifícios residenciais altos, hotéis etc.

 

Fale sobre a utilização das fôrmas de alumínio no Brasil, nos últimos cinco anos.

Felipe Otoya – As fôrmas de alumínio Forsa demonstram uma variável importante para  o sistema. Muito adequado e eficiente para cobrir o déficit habitacional do Brasil, devido a sua versatilidade e mobilidade, podendo ser usado nas regiões mais remotas do país. Para nós,  a principal evolução do nosso sistema nesses anos de Brasil foi a questão dos acessórios de segurança do trabalhador. Atualmente, todo o nosso sistema está em conformidade com a NR 18. Desenvolvemos um sistema completo de passarelas e guarda-corpos (foto); inclusive, esses equipamentos estão começando a ser utilizados em outros países onde atuamos.

 

Temos hoje várias empresas nacionais e internacionais comercializando fôrmas de alumínio no Brasil.  A oferta está equilibrada com a demanda existente?

Felipe Otoya – As construtoras brasileiras tem a facilidade de comprar este produto com financiamento através do Finame, o que as empresas estrangeiras não podem oferecer por não produzirem aqui no Brasil. É uma situação que nos traz dificuldade no fechamento de alguns negócios, sem dúvida. Para o mercado, de uma forma geral, gera um gargalo no fornecimento. Com a demanda atual, acabam atrasando as entregas, o que causa transtornos enormes e muitas vezes prejuízos nos negócios das construtoras. A oferta estrangeira pode contribuir para equilibrar esta demanda existente, oferecendo alternativas diferentes aos clientes. Este é o cenário atual. Nós da Forsa precisamos nos adaptar e gerar vantagens competitivas que superem a variável Finame. O que ofertamos para o mercado: preço competitivo, prazo de entrega muito eficiente (até 60 dias posto obra), qualidade do produto, equipamentos completos de segurança do trabalho, uma eficiente equipe técnica para treinamento e atendimento pós-obra, pagamento parcelado com juros bastante interessantes. Firmamos ainda uma parceria com a trading Comexport, que se responsabiliza por todos os trâmites de transporte e despachos do material adquirido, desde a nossa fábrica (Cali-Colômbia) até o porto de desembarque aqui no Brasil. Afinal são 18 anos de experiência neste mercado. Inauguramos recentemente uma oficina de manutenção e estoque de peças no Brasil, em São Paulo, para atender a qualquer demanda urgente que os nossos clientes possam necessitar. Sem dúvida, ficamos mais ágeis e próximos dos nossos clientes. O mercado brasileiro é altamente estratégico para a nossa empresa.

 

Ainda se ouve falar que as fôrmas de alumínio são caras e necessitam de um número de utilizações muito alto para serem viáveis. Comente sobre isto.

Felipe Otoya – A análise da viabilidade das fôrmas de alumínio não pode ser feita  simplesmente pelo preço de venda. Ela deve considerar todas as interfaces de custos que acontecem pelo fato de o construtor usar outro tipo de fôrma, de qualidade inferior, ou outros sistemas. Fôrmas de alumínio permitem economias significativas em:

  • Mão de obra: Não requerem mão de obra qualificada (muito importante para o custo no Brasil), têm uma curva de aprendizado reduzida, e quantidade de trabalhadores também.
  • Acabamentos: O custo de reparo e acabamentos é muito alto no Brasil; com o sistema parede de concreto eles diminuem muito; e há a possibilidade de incluir detalhes arquitetônicos. A qualidade estrutural obtida com o processo é muito superior a qualquer outro sistema construtivo existente.
  • Velocidade na construção: Uma habitação em ciclo reduzido significa que todos os custos fixos administrativos serão diminuídos; o sistema também permite entregar unidades simultaneamente, enquanto outras unidades estão em outras fases de construção.
  • Minimização de resíduos: Muitas vezes é difícil quantificá-los e tornam-se extremamente onerosos.

Quando são consideradas as variáveis acima, o conceito de “caro” desaparece com a economia obtida nessas áreas; os ganhos podem facilmente cobrir o valor do equipamento. É a importância da análise integrada do negócio. O construtor amortiza seu investimento entre 200 e 240 usos das fôrmas (cerca de um ano de trabalho), tendo em conta que a vida útil do equipamento é de mais de 1200 aplicações, o seja, cerca de 20% da sua vida útil.

 

Na sua avaliação, ainda existem gargalos na interação entre construtoras e fornecedores de fôrmas de alumínio?

Felipe Otoya – Os gargalos que existem entre construtoras e fornecedores de fôrmas de alumínio são:

  • Que os fornecedores de fôrmas de alumínio tenham melhor conhecimento técnico sobre como construir com as fôrmas de alumínio, para que as construtoras obtenham  melhores resultados em seu negócio.
  • Que os fornecedores de fôrmas de alumínio tenham um melhor conhecimento sobre a gestão da obra, para orientar melhor aos clientes, e que façam alianças com empresas como o Núcleo Parede de Concreto, para oferecer uma boa assessoria aos clientes. Isso acontece porque os clientes estão mudando dos sistemas tradicionais de construção para paredes de concreto e precisam de maior conhecimento da gestão do processo.

 

O que é preciso fazer para melhorar?

Felipe Otoya – É preciso:

  • Continuar com as divulgações do sistema de paredes em concreto para que mais construtoras adotem este sistema em seus próximos projetos.
  • Continuar informando as construtoras sobre a gestão de obra com um sistema industrializado com fôrmas de alumínio.
  • Que o governo do Brasil permita às empresas construtoras locais acessar créditos especiais de empresas fornecedoras estrangeiras – como a Forsa –, para adquirir fôrmas de alumínio. Assim seremos mais competitivos.

 

Quais as principais dicas para um construtor que se propõe a construir utilizando o sistema parede de concreto com fôrmas de alumínio?

Felipe Otoya – As dicas que eu daria a um construtor:

  • Que exija dos fornecedores de fôrmas de alumínio um real assessoramento técnico do sistema.
  • Que contrate calculistas, projetos executivos e gestão de obras com profissionais que tenham experiência neste sistema. No Brasil, existem várias opções locais.
  • Que exija assistência técnica no canteiro, assim que as fôrmas estejam na obra.
  • Que trabalhe muito em conjunto com os fornecedores, para otimização de seus projetos, buscando interação com o sistema.

 

Como você avalia a iniciativa de criação do Núcleo Parede de Concreto?

Felipe Otoya – Para nós, que tivemos, no início, a liderança do sistema no Brasil, mas por não termos a nossa fábrica aqui perdemos muitas oportunidades de negócios, o Núcleo é uma grande oportunidade para poder mostrar a todos os construtores do Brasil que somos os mas antigos no negócio de fôrmas de alumínio. Temos muita experiência nesse sistema e contamos com uma equipe técnica muito forte no Brasil. Igualmente, é o veículo para continuar com a divulgação do sistema de paredes de concreto, da norma, de boas práticas e de todas as empresas fornecedoras de produtos e serviços para esse sistema construtivo. Para a Forsa é um grande prazer participar e contribuir com a evolução do sistema construtivo através de um meio muito técnico e profissional que é o Núcleo Parede de Concreto.

 

 

O engenheiro mecânico Felipe Otoya nasceu em Cali, Colômbia. Formado pela Universidade Autônoma do Ocidente, especializou-se em finanças pela Universidade Valle e em técnicas de produção na Alemanha. É pós-graduado em alta gerência internacional pela Universidade ICESI Cali. Em 1995 fundou a empresa FORSA, dedicada a projetos e fabricação de fôrmas em alumínio para construção de habitações (paredes de concreto), onde trabalha até hoje.

Engenheiro Felipe Otoya, CEO da FORSA
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