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Wendler retorna ao Núcleo Parede de Concreto

Wendler retorna ao Núcleo Parede de Concreto

A trajetória do projetista estrutural Arnoldo Wendler está fortemente vinculada ao histórico recente e ao crescimento do sistema construtivo de paredes de concreto moldadas in loco no Brasil.

Diretor da Wendler Projetos e Sistemas Estruturais, foi coordenador da Norma Brasileira de Paredes de Concreto, a NBR 16055, considerada pelos especialistas como um ‘divisor de águas’ no desenvolvimento da tecnologia no País.

Professor, palestrante e autor de artigos sobre o sistema, participou dos primeiros passos do Núcleo Parede de Concreto e, agora, retorna como membro do grupo.

“É um prazer voltar a trabalhar com o Núcleo. (…) Colaboramos com os primeiros textos e fizemos algumas coisas, ali no início”, revela Wendler.

Nesta entrevista, o projetista estrutural fala sobre o potencial do sistema para edifícios altos, os benefícios da tecnologia para a redução da mão de obra nos canteiros, a próxima revisão da NBR 16055 e a expectativa em relação ao trabalho no Núcleo Parede de Concreto.

Como o senhor avalia o potencial do sistema para aumentar a eficiência e o resultado de construtoras e incorporadoras, especialmente no caso de edifícios altos?

Wendler – Hoje em dia, todo mundo está em busca de eficiência e redução da necessidade de materiais e de mão de obra. O sistema de parede de concreto atende plenamente tais premissas, pois é industrializado por concepção, o que leva naturalmente a uma racionalização e ao aumento da eficiência. Para edifícios mais altos, oferece flexibilidade na definição da resistência do concreto e na espessura das paredes, adaptando-se muito bem a essas estruturas.

Em um cenário de escassez de mão de obra qualificada, qual pode ser a contribuição do sistema de parede de concreto para minimizar o problema que tem afetado construtoras em diferentes regiões do País?

Wendler – Em primeiro lugar, o treinamento de equipes é mais simples. Nem usamos as expressões e a nomenclatura corrente na construção civil: servente, pedreiro, ajudante etc. Os operários são treinados como montadores. Além disso, a natureza racionalizada do sistema simplifica a montagem e a desmontagem das fôrmas, reduzindo a necessidade de mão de obra. O sistema também permite a racionalização e a redução de pessoal em outros subsistemas como, por exemplo, as instalações elétricas pré-montadas.

A NBR 16055 (“Parede de concreto moldada no local para a construção de edificações – Requisitos e procedimentos”) deve passar por um novo processo de revisão. Ainda é cedo para apontar o que virá pela frente, mas quais pontos em discussão o senhor considera mais relevantes para o aprimoramento do sistema?

Wendler – Uma análise informal já foi iniciada e as reuniões oficiais da ABNT estão por vir. A principal alteração, na verdade, já foi implementada e refere-se à limitação do uso de duas telas em paredes mais finas, estabelecendo um mínimo de 12 cm para tal necessidade. Anteriormente eram 10 cm. Outros pontos incluem esclarecimentos sobre métodos de cálculo alternativos e ajustes na linguagem da norma. Mas não são esperadas grandes alterações no corpo principal do texto.

Qual é a sua expectativa neste retorno à colaboração direta, como membro do Núcleo Parede de Concreto? E como enxerga o papel do Núcleo no fomento e conscientização sobre o uso do sistema construtivo no Brasil?

Wendler – É um prazer voltar a trabalhar com o Núcleo. Participamos, praticamente, da fundação dele. Colaboramos com os primeiros textos e fizemos algumas coisas, ali no início. O papel do Núcleo é fundamental para o avanço do sistema de parede de concreto no Brasil. O principal diferencial é reunir profissionais de diversas áreas com um objetivo comum: esclarecer pontos do sistema, avançar com o conhecimento, divulgar as melhores práticas e promover o aperfeiçoamento contínuo da tecnologia no Brasil.

ENTREVISTADO

Arnoldo Wendler – Diretor da Wendler Projetos e Sistemas Estruturais, em Campinas-SP. Engenheiro civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Pós-graduação em Engenharia de Estruturas pela Poli-USP. Ex-professor da Poli-USP em resistência dos materiais e concreto armado. Ministrou disciplina de alvenaria estrutural na UNICAMP, em convênio com a ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland). Coordenador da Norma Brasileira de Paredes de Concreto – NBR 16055. Coordenador das Comunidades da Construção de Campinas, Belo Horizonte, Brasília, Goiânia, São José dos Campos e Sorocaba. Palestrante de alvenaria estrutural e paredes de concreto.