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Três anos de liderança

O Núcleo de Referência Parede de Concreto completou em outubro de 2015 três anos de existência. Lançado pela Signo Engenharia e composto hoje por empresas líderes (Astra, Caixa, Coplas, CTE, Forsa, Pasqua & Graziano, SF, SH, Vedacit e Wendler) e associações renomadas em seus segmentos (ABCP, Abece, Abesc e IBTS), o Núcleo tem apoiado construtoras e profissionais na assimilação e implementação do sistema parede de concreto em obras de todo o país.

 

Voltado exclusivamente para a divulgação de boas práticas e de conteúdo informativo (sem caráter comercial), o site do Núcleo (http://nucleoparededeconcreto.com.br) encabeça no Google o resultado das pesquisas sobre o sistema parede de concreto e é responsável pela difusão das principais novidades do setor. Foram mais de 20 mil visitas em 2015. Além de promover o conhecimento sobre a tecnologia construtiva, o site também é o canal de contato com cerca de 3 mil profissionais cadastrados, que recebem regularmente informações atualizadas sobre o mercado.

 

Nesta entrevista exclusiva, o engenheiro Ary Fonseca Jr., diretor da Signo e do Núcleo de Referência Parede de Concreto, fala da iniciativa do Núcleo e das perspectivas para 2016.

 

 

Núcleo – O Núcleo completou três anos em 30 de outubro de 2015 e o sistema parede de concreto está bastante presente nas obras brasileiras. Podemos considerar que a tecnologia já foi assimilada pelo mercado?

 

Ary Fonseca Jr. – Considero que estamos iniciando uma terceira etapa. Tivemos uma fase inicial de conhecimento e informação até a publicação da ABNT NBR 16055:2012 (Parede de concreto moldada no local para a construção de edificações), que foi um marco. A norma completou três anos e a aceitação do sistema pelo mercado já é grande. A partir de 2016, acredito, iniciaremos a terceira etapa, que é a popularização do sistema, no sentido do emprego mais intensivo da tecnologia já com medida de indicadores, avaliação de resultado e de desempenho. É uma etapa importante.

 

Núcleo – O sistema teve grande presença na habitação popular, principalmente devido ao programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). Qual sua avaliação dessa trajetória?

 

Ary Fonseca Jr. – O programa MCMV foi o alavancador para a implantação do sistema. Esse programa teve início em 2009 / 2010, quando o governo federal precisava fazer um grande número de unidades em curto prazo. Essa situação coincidiu com a publicação da NBR 16055 (2012), que foi fruto de um trabalho iniciado no Grupo Parede de Concreto, da ABCP. Observamos que o sistema começa a ser utilizado em segmentos fora do eixo econômico.

 

Núcleo – Então, a habitação popular foi importante para a parede de concreto, mas existem outros nichos de mercado?

 

Ary Fonseca Jr. – O mercado de edificações é amplo. O MCMV foi um nicho do segmento habitacional alinhado com as metas do governo. Percebemos agora que o sistema começa a ser utilizado em incorporações de diversas classes do segmento privado. Temos empreendimentos de 7 e 8 pavimentos, e até acima de 20 pavimentos, para o nicho de incorporação privada com valor médio de venda mais voltado às classes C e B. Esta migração para nichos de mercado de incorporação privados demonstra a versatilidade e competitividade do sistema.

 

Núcleo – Qual tem sido o foco do Núcleo nestes três anos de existência?

 

Ary Fonseca Jr. – O principal objetivo da criação do Núcleo foi organizar as informações e identificar práticas sobre todos os aspectos do sistema construtivo parede de concreto: concreto, aço, produtividade, planejamento, logística, projeto, gestão. Para essas naturezas, temos buscado as boas experiências e apresentado soluções às empresas interessadas nesta tecnologia.

 

Núcleo – O site do Núcleo registrou algumas dessas práticas no período. O que se pode destacar?

 

Ary Fonseca Jr. – Utilizando vídeo e material escrito, registramos obras em vários Estados. Esses registros referem-se a exemplos de logística, que é fundamental em um processo industrializado, e organização e aglutinação da cadeia de fornecedores, necessárias para atingir um bom resultado. Outra experiência refere-se ao planejamento, ou à pré-engenharia, para que durante a execução da obra se eliminem os improvisos, incompatíveis com um sistema racionalizado e industrializado.

 

Núcleo – Já existe um conjunto consistente de boas práticas desse sistema?

 

Ary Fonseca Jr. – Se olharmos para o volume de informações geradas no Núcleo, nestes últimos três anos, sempre buscando segmentar o tema pelas naturezas – como projeto, logística, materiais, planejamento, normas, informações de mercado – acho perfeitamente possível que um leigo no tema “parede de concreto” consiga se posicionar, avançar e tomar a decisão para a prática e a implementação do sistema.

 

Núcleo – O Núcleo é formado basicamente por indústrias fornecedoras. Qual tem sido o papel desse grupo no desenvolvimento do sistema?

 

Ary Fonseca Jr. – As formadoras do Núcleo são empresas com destaque em produtos e serviços para esse sistema, têm liderança de mercado, possuem vocação tecnológica e têm muito a contribuir – como já fazem – para uma melhoria constante desse processo. O que defendemos no Núcleo é que o desenvolvimento e o desempenho do sistema se devem muito a essas novas soluções e a novos produtos desse grupo. Buscamos nos parceiros empresas que tenham soluções técnicas e visem sempre a melhoria do desempenho da tecnologia.

 

Núcleo – Nestes três anos, houve um salto tecnológico da parede de concreto?

 

Ary Fonseca Jr. – Sem dúvida. Mas ainda há muita coisa em processo de adequação, sobretudo pelo surgimento desses novos nichos de mercado. Por exemplo, o projeto tem uma especificidade maior para prédios altos, existem inovações na utilização de sistemas de formas, o aço, dentro de sua logística, pode ter algumas adequações. Mas não tenho dúvida de que o sistema hoje está perfeitamente adequado e fortalecido por uma norma técnica.

 

Núcleo – O que falta para o mercado ter o pleno domínio do sistema?

 

Ary Fonseca Jr. – A grande mudança no sentido da universalização vai acontecer quando as construtoras se aprofundarem um pouco mais no uso do sistema em benefício do seu negócio. Vejo que, às vezes, a decisão, a operação e a escolha da tecnologia estão muito fragmentadas. Buscam-se boas soluções para concreto, aço, sistemas hidrossanitários, mas percebo que o ganho mais expressivo está na gestão de todas essas variáveis. O sistema é competitivo desde que tenha uma boa gestão. Falta hoje essa visão para as empresas, de praticar uma engenharia integrada. As soluções existem – em plásticos, fios, elétrica, espaçadores, desmoldantes, agentes de cura, concreto, formas etc. – e o mercado foi rápido em fornecê-las. Individualmente, temos boas soluções. O grande segredo é que a construtora consiga ter uma integração disso a fim de obter melhor resultado.

 

Núcleo – Qual o caminho para a empresa atingir esse objetivo? Faltam treinamentos, eventos?

 

Ary Fonseca Jr. – A empresa, antes da decisão, precisa buscar a informação, entendendo que essa questão é importante para ela. O Núcleo é uma fonte para isso. É preciso entender a especificidade de cada natureza. Outra alternativa é a busca de uma consultoria para esse momento de start que poderá encurtar a curva de aprendizado na implementação do sistema. Depois é preciso praticar, implantando o sistema em pequenas doses, fazendo a mudança de patamar de forma controlada.

 

Núcleo – O mercado da construção vive um momento delicado. O que se pode esperar para 2016 em relação à parede de concreto?

 

Ary Fonseca Jr. – Mesmo com a crise e as projeções de estagnação em 2016, existem alguns movimentos. As empresas não param. O ano de 2015 foi marcado pela redução dos estoques lançados em anos anteriores e já percebemos a movimentação para alguns lançamentos em 2016. O que muda nesses lançamentos? As empresas vão ter de reduzir os custos de venda. Mesmo com as dificuldades de mercado, o consumidor existe e os financiamentos também existem. Temos nichos específicos de consumo. Um tíquete de 1,5 mil a 3 mil reais de renda ainda tem muita demanda e as empresas começam a executar empreendimentos mais baratos. Como você reduz o custo de construção? Reduzindo o prazo da obra, o custo efetivamente, industrializando e racionalizando. O sistema parede de concreto é, sem dúvida, uma opção bastante interessante neste sentido. A decisão para isso se dá na fase de concepção do produto e na elaboração dos projetos executivos. Estamos, por exemplo, trabalhando nesta etapa com empresas de diversos segmentos. É importante que a decisão sobre a escolha do sistema nasça com o próprio negócio.

 

Núcleo – Quem procura o Núcleo para informar-se?

 

Ary Fonseca Jr. – O perfil das empresas e profissionais que procuram o Núcleo é abrangente. Cobre construtoras de todos os segmentos, tamanhos e regiões do Brasil. Temos hoje cerca de 3 mil profissionais que usam as informações do site, o que é um número expressivo, considerando que o portal é especializado em um sistema construtivo específico. O acesso ao site é fácil, pois requer apenas um cadastro simples, sem ônus de qualquer espécie para o usuário, que recebe periodicamente uma newsletter com as informações publicadas. É importante dizer que o site do Núcleo não é comercial. Ele é um site de informação. E as empresas mantenedoras estão juntas nesse processo de divulgação de práticas, técnicas, produtos e serviços. Entendo que a construtora que queira utilizar este canal e busca apoio nas empresas que o compõem poderá contar com mais segurança na implementação do sistema. São empresas consolidadas, de reconhecimento nacional no setor da construção, referências de mercado e, comprovadamente, detêm prática e conhecimento grande nesse sistema.

 

Núcleo – Você poderia citar um exemplo de apoio do Núcleo para alguma construtora ou empreendimento?

 

Ary Fonseca Jr. – Nesse aspecto, eu citaria a Fujita, uma empresa do Ceará, que construiu 5,5 mil unidades. Esse grande empreendimento contou com a assessoria de algumas empresas do Núcleo, que juntas conseguiram consolidar a utilização do sistema em um curto espaço de tempo. O grupo conseguiu reduzir a curva de aprendizado e colocar o processo em uma grande velocidade de produção. Outra empresa que eu destacaria, com a qual estamos trabalhando hoje, é a construtora Nassal, de Aracaju, que optou em fazer o primeiro empreendimento do segmento não econômico (Térreo + 7) no sistema parede de concreto. Conseguimos ali já solucionar a questão do concreto e da logística. Com isso, a empresa já tomou a decisão de adotar o sistema em futuros projetos. Outra empresa importante, com quem estamos desenvolvendo estudos de implantação, é a OR, do Grupo Odebrecht, que está executando em São Paulo um empreendimento de 23 pavimentos e tem a perspectiva de adotar, em outras praças, essa tecnologia para produtos de valor entre 600 mil e 800 mil reais. É um novo nicho, em que o sistema se torna o diferencial competitivo.

 

Ary Fonseca Jr. (esq.) e Carlos Chaves, sócios da Signo Engenharia e fundadores do Núcleo de Referência Parede de Concreto
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