Cultura da industrialização

Cultura da industrialização da construção civil

 

 

Formado em 2006 pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), o engenheiro civil Daniel Côrtes ocupa desde 2013 o cargo de diretor de Obras da Construtora Impacto, empresa que tem sua sede na cidade de Aracaju-SE. Em 2017, a empresa decidiu utilizar o sistema construtivo parede de concreto molda no local no empreendimento Villa das Flores, um conjunto com 304 unidades do Programa Minha Casa Minha Vida. O objetivo ao adotar a nova tecnologia construtiva era industrializar o processo e com isso obter maior velocidade e produtividade.

 

Nesta entrevista exclusiva para o Núcleo Parede de Concreto, o engenheiro Daniel Côrtes fala sobre essa nova opção da Impacto.

 

Fale um pouco sobre a Construtora Impacto e sua atuação no mercado sergipano.

Daniel Côrtes – A Impacto é uma empresa familiar, sediada em Aracaju-SE, com mais de 30 anos de atuação no mercado. Era inicialmente voltada para obras públicas e privadas, mas nos últimos 20 anos passou a se dedicar exclusivamente ao mercado imobiliário.

 

Por que a decisão de utilizar o sistema construtivo parede de concreto?

Daniel Côrtes – Procuramos esse sistema construtivo a fim de ganharmos com a industrialização, com a velocidade de construção e com a produtividade. Lançando mão desse sistema eliminamos várias etapas de construção na obra.

 

Quais as características do empreendimento escolhido para implantação do sistema?

Daniel Côrtes – O empreendimento escolhido é um condomínio enquadrado no Programa Minha Casa Minha Vida faixa 1,5, composto de 19 torres com quatro pavimentos, sendo quatro apartamentos por andar, totalizando 304 apartamentos.

 

Qual foi a estratégia adotada para implantação?

Daniel Côrtes – Que a infraestrutura completa pudesse estar 100% pronta antes de iniciarmos a construção das torres.

 

Quais foram as preocupações na utilização de um sistema novo na história da Impacto?

Daniel Côrtes – A maior preocupação foi a adaptação à nova metodologia de trabalho e a formação da equipe das fôrmas, para atingir a meta de 1 concretagem por dia. Nesse novo formato, finalizamos uma torre em apenas 90 dias de trabalho. Para que isso fosse possível, todos os insumos da obra já estavam levantados, comprados e as entregas programadas.

 

Que etapas vocês adotaram?

Daniel Côrtes – Iniciamos executando a infraestrutura e o radier com as redes laterais, para só depois dessas etapas prontas iniciarmos as torres. Definimos que a obra não podia ser muito grande e com isso adotamos que cada torre completa teria duração de 90 dias e a cada 15 dias tínhamos que entregar uma torre. Assim, trabalhamos no máximo com cinco torres ao mesmo tempo e dessa forma reduzimos nossa equipe indireta.

 

A partir da implantação desse processo, o que você recomendaria para as empresas que pensam em utilizar este sistema?

Daniel Côrtes – Planejar. O planejamento é muito mais importante que a execução propriamente dita. Programando todas as etapas com antecedência, chegada a hora da execução, temos que ser rigorosos para seguir o planejamento. No nosso caso isso foi possível com a contração de nosso consultor Ary Fonseca Jr., que fez com que a curva de aprendizado fosse mais rápida.

 

Quais foram os principais resultados na implantação do sistema no empreendimento Villa das Flores?

Daniel Côrtes – Como principal resultado tivemos uma obra previsível, executada dentro do prazo e do custo, com a vantagem de tudo ter sido realizado em 15 meses, sendo apenas 12 meses para as edificações.

 

Qual a estratégia para a continuidade na adoção do sistema parede de concreto?

Daniel Côrtes – Abandonarmos de vez o sistema de alvenaria estrutural em todas as nossas obras de volume, substituindo pelo sistema de parede de concreto. Já para este ano de 2019 temos duas obras que iniciaremos e estamos programando mais duas para o ano de 2020.

 

A mudança valeu a pena?

Daniel Côrtes – No mercado competitivo e em crise, seria muito difícil sobreviver sem usar paredes de concreto. A velocidade de construção e a previsibilidade tornam a empresa muito mais competitiva.

 

Como você avalia o papel do Núcleo Parede de Concreto?

Daniel Côrtes –Avalio como muito positiva, pois sabemos que tem sempre alguém que busca a evolução do sistema.

 

Empresas membros do Núcleo Parede de Concreto que participaram desta experiência:

Astra

Coplas

SH Formas

Polimix

Engenheiro Daniel Côrtes, diretor de Obras da Construtora Impacto, de Aracaju-SE
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