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Controle tecnológico do concreto

O concreto é o insumo principal do sistema construtivo Parede de Concreto. Precisamos tratá-lo com cuidado nas diversas etapas de sua aplicação: definição do traço, preparo, recebimento na obra e verificação das resistências após seu lançamento. Nesta entrevista, o engenheiro Álvaro Sérgio Barbosa Junior, da RED Engenharia e Consultoria, profissional especialista no assunto “Controle Tecnológico”, trata deste tema.

 

Por que controlar o concreto?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior – Sabemos que o concreto produzido em central ou canteiro é um serviço e não um produto final. Sendo assim, pode sofrer variações de qualidade, desde a matéria-prima como a aplicação. Há um grande número de variáveis que influenciam as características do concreto. Além de rigorosa seleção e ensaios de recebimento dos materiais e de competentes estudos de dosagens, é indispensável, como para os demais produtos industriais normalizados, o controle tecnológico do concreto e das demais características do produto final “concreto armado”.

 

Quais são as etapas necessárias para o monitoramento e controle do concreto?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior – São três as etapas:

Controle dos materiais constituintes e da produção

Controle do concreto fresco

Controle do concreto endurecido

 

Fale um pouco sobre cada uma dessas etapas.

Álvaro Sérgio Barbosa Junior – Certo.

 

  • Controle dos materiais: Os ensaios para recebimento, controle tecnológico e caracterização do cimento, agregados, água de amassamento, adições e aditivos devem ser executados conforme os procedimentos da NBR 12654.
  • Concreto fresco: São serviços para proceder à aceitação na obra do concreto fresco, independentemente da modalidade de preparo. No ato do recebimento, após se verificar e conferir no documento de entrega do concreto as características solicitadas e contratadas, deve ser realizada a execução de cada tipo de concretagem.
  • Concreto endurecido: São ensaios realizados em corpos-de-prova moldados durante a concretagem. Os resultados obtidos servem para definir a aceitação ou rejeição do lote de concreto controlado.

 

Quando e o que devemos fazer em cada uma das etapas?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior – A intensidade, rigor, processo de controle, amostragem, tipo de ensaio e resultados devem estar dimensionados e equilibrados com o nível de qualidade que se deseja para determinado empreendimento e a grande responsabilidade da estrutura. Em outros termos, o nível de controle tecnológico praticado em uma estrutura para durar 30 anos não pode ser o mesmo para uma estrutura cuja vida útil seja de 100 anos ou,  ainda, as exigências quanto ao grau de agressividade em ambiente moderado não pode ser as mesmas para ambiente agressivo, forte e muito forte. Consultar um tecnologista facilita o dimensionamento do controle, cujo preço será equilibrado com o nível do controle tecnológico.

 

Existe uma norma específica para o assunto?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior – Os ensaios para recebimento, controle tecnológico e caracterização do cimento, agregados, água de amassamento, adições e aditivos devem ser executados conforme os procedimentos da NBR 12654. Há também a NBR 12655 – Concreto de Cimento Portland – Preparo, controle e recebimento – Procedimento, que define as responsabilidades, parâmetros para estudos da dosagem e da resistência do concreto, condições de preparo, ensaios de controle de aceitação e rejeição dos lotes de concreto controlado durante as concretagens.

 

Uma etapa é mais importante do que a outra?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior – Todas as etapas se interligam desde a concepção até a entrega do concreto.

 

Que profissionais devem se envolver no controle tecnológico do concreto?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior – Existe o engenheiro tecnologista, que tem a especialidade e conhecimento de materiais e suas características, bem como as empresa de Controle Tecnológico de Materiais.

 

Como avaliar se o concreto utilizado irá alterar o desempenho da estrutura?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior – Através das normas e seus ensaios podemos concluir qual será a sua vida útil.

 

Quais os riscos de não efetuar um controle do concreto em alguma das etapas previstas?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior – Podemos correr sérios riscos quanto à vida útil da estrutura pois, como sempre dizemos, romper corpos-de-prova, somente, não garante nada, simplesmente documenta o erro.

 

O que fazer para que as construtoras se sensibilizem a realizar este procedimento?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior – Primeiro temos que conscientizar a construtora que os serviços fazem parte da garantia da qualidade da obra como um todo, demonstrar o objetivo dos controles e ensaios, na qualidade de seu empreendimento e seu diferencial apresentado ao cliente final.

 

Algumas dicas sobre o tema?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior – O diferencial de mercado, hoje, é dado pelas empresas com acreditação do Inmetro, pois sofrem auditorias anuais em seus sistemas internos e procedimentos, conforme as normas e treinamento de seus funcionários.

 

Como você avalia a iniciativa de criação do Núcleo Parede de Concreto?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior – Avalio positivamente, pois são através de iniciativas como essa que o nosso mercado vai se conscientizando quanto à qualidade da obra e suas garantias.

 

 

Álvaro Sérgio Barbosa Júnior é engenheiro civil formado pela Universidade de Guarulhos  (1999), pós-graduado em Gestão em Construção Civil (Universidade Federal Fluminense, 2004) e mestre na Área de Transportes / Pavimentação pela Unicamp (2008). Ocupa o cargo de diretor-presidente da RED Engenharia e Consultoria, onde coordena e supervisiona  contratos públicos e privados de serviços de fiscalização de obras, controle tecnológico de concreto, aço, solos e pavimentação, inspeção, serviços topográficos, assessoria técnica, laudos e pareceres técnicos. 

Álvaro Sérgio Barbosa Junior
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