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Archive | Destaque Interno

A cura do concreto e sua importância

O insumo concreto é uma das mais importantes variáveis do sistema parede de concreto. Porém, ainda observamos em alguns empreendimentos a não execução do processo de cura após a realização da concretagem. Afinal de contas, qual a importância deste procedimento? Precisamos executar ou não a cura do concreto? O engenheiro Rubens Curti, profissional com muita experiência no setor da construção, e que tem acompanhado de perto a história do sistema parede de concreto nos últimos anos, fala um pouco sobre este assunto.

 

O que vem a ser a cura do concreto?

Rubens Curti - O concreto, para adquirir as propriedades para as quais foi especificado, precisa ter boa dosagem, boa aplicação e excelente cura. A cura é um conjunto de medidas tomadas para evitar a evaporação da água de amassamento utilizada na dosagem do concreto aplicado. O cimento necessita da água para promover a sua hidratação. Uma dosagem de concreto é composta por cimento, água, agregado miúdos e graúdos e eventualmente aditivo. A única reação química que se processa com esses materiais é a reação do cimento com a água, portanto tem que ter água suficiente para que a reação se processe.

 

Qual a importância de se realizar este procedimento?

Curti - Se não houver uma perfeita hidratação do cimento, vai ocorrer perda de resistência, pois parte do cimento vai ficar anidro. Quando não ocorre a perfeita hidratação do cimento, não vai ocorrer a formação dos C- S-H (Silicatos de Cálcio Hidratados), que é a principal fase proveniente da hidratação do cimento Portland e tem grande influência na maioria das propriedades físicas e mecânicas dos materiais cimentícios.

 

Existe uma norma específica para o assunto?

Curti - A ABNT NBR 14931 – “Execução de Estruturas de Concreto – Procedimento” estabelece como deve ser feita a cura do concreto no item 10.1. Também a NBR 16.055 – “Parede de concreto moldada no local” faz referência ao procedimento de cura – item 20.

 

Quando se faz necessária a cura?

Curti - Sempre que trabalharmos com material cimentício.

 

No sistema parede de concreto, temos concretagem quase todos os dias. Talvez por isto as empresas deixem passar em branco o processo de cura. Isso é normal?

Curti - Não deveria ser, pois temos alternativas de executar a cura (manter a água no interior da massa de concreto), como, por exemplo, a cura química, que é usada em grande escala nas obras onde há uma superfície muito grande exposta (pavimentos de concreto, pistas e pátios de aeroportos, paredes de concreto etc.). É uma operação que deve ser executada após o acabamento do concreto, quando exposto, ou após a retirada das fôrmas, no caso de paredes de concreto, muros, pilar parede.

 

Que processo de cura você recomendaria para o sistema parede de concreto (monolítico)?

Curti - No caso das paredes de concreto a cura química seria a mais recomendada. Ao realizar o processo de cura química, a empresa deve deixar a película aplicada sobre o concreto durante sete dias, no mínimo. Um ponto importante a ser avaliado: os agentes de cura são à base de parafinas, ceras ou acrílicos que podem dificultar a aderência de argamassas de revestimentos. Neste caso, antes de revestir as paredes, o agente de cura deve ser removido. Uma limpeza superficial da área de contato com escova de aço é suficiente.

 

 

Existe alguma consequência para a estrutura de concreto executada sem cura, em relação a outra com cura?

Curti - Sim, além da perda de resistência do concreto também devem ocorrer patologias como, por exemplo, fissuras de retração. Essa patologia ocorre quando a velocidade de evaporação é maior que a velocidade de exsudação, que é intrínseca a todos os concretos.

 

O que fazer para que as construtoras se sensibilizem a realizar este procedimento?

Curti - É uma “missão” muito difícil convencer uma construtora a fazer cura em concreto, independente se a peça de concreto é vertical ou horizontal. Um jeito de tentar convencer as construtoras é divulgar os malefícios que a falta de cura pode provocar no concreto.

 

Algumas dicas sobre o tema?

Curti - Há várias alternativas de cura para manter a água no interior da massa do concreto, a fim de que todas as reações do cimento com a água se processem:

  • Umedecer a superfície do concreto através de aspersão manual de água; >> Desvantagem: a superfície do concreto tem que ser molhada constantemente por um operário.
  • Manter úmida a superfície do concreto construindo-se pequenas barreiras nas bordas da superfície (horizontal) para que ocorra o represamento de uma lamina de água;
  • Manter úmida a superfície do concreto com auxílio de sacos de aniagem umedecidos, mantas de bidim umedecidas, camada de areia úmida, camada de serragem úmida, sacos de cimentos umedecidos etc.
  •  Utilizar agentes de cura que, aplicados nas superfícies do concreto, evitam a perda de água; este processo é mais aconselhável em grandes superfícies, como pavimentos de concretos, pistas e pátios de aeroportos etc., e em superfícies verticais, que é o caso das paredes de concreto.
  • No caso das superfícies verticais, também se pode fazer a cura com aspersão de água através de “chuveirinhos”.
  • A utilização de mantas de bidim umedecidas para envolver as peças verticais é uma boa alternativa.

 

Como você avalia a iniciativa de criação do Núcleo de Referencia de Parede de Concreto?

Curti - Mais uma ótima iniciativa para que as nossas obras sejam bem executadas, principalmente em se tratando de paredes de concreto, que é uma técnica de execução relativamente nova no país.

 

Rubens Curti é engenheiro civil, formado pela Faculdade de Engenharia da Fundação Armando Álvares Penteado (1976). Trabalhou como gerente de Tecnologia durante 10 anos na Concrelix e por 18 anos com gerente técnico do Laboratório de concreto e argamassa da empresa Falcão Bauer. Curti é atualmente coordenador do laboratório de concreto e argamassa da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), área em que possui diversos cursos de aperfeiçoamento.

 

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Interferências de sistemas com as paredes de concreto

É cada vez mais importante a integração dos diversos subsistemas na elaboração dos projetos executivos e na execução do sistema parede de concreto. O resultado final depende da boa interação entre os diversos sistemas e os fornecedores de materiais e serviços têm especificado premissas e recomendações técnicas para isso. Fôrmas e cimbramento, instalações elétricas e hidrossanitárias, caixilhos, portas de madeira e armações das telas soldadas são os principais subsistemas a serem integrados com o sistema principal parede de concreto. Para falar deste assunto, convidamos o engenheiro Arnoldo Wendler – projetista de estrutura –  profissional de destaque no setor da construção e que tem acompanhado de perto todo o processo de crescimento e consolidação deste sistema.

 

Como projetista estrutural e coordenador da Norma de Projeto e Execução das Paredes de Concreto moldadas no local (NBR 16.055), você poderia comentar as características principais do cálculo estrutural face às interferências dos outros subsistemas?

Arnoldo Wendler - Neste sistema todas as paredes compõem a estrutura da edificação. Portanto, qualquer elemento embutido ou abertura existente interfere no funcionamento estrutural. Percebe-se a importância, para o projeto estrutural, que tem o conhecimento de todo e qualquer elemento presente nas paredes. Isso implica na execução conjunta dos vários projetos com uma constante compatibilização entre os mesmos. Percebe-se a relevância disso quando a norma NBR 16055:2012 diz, nos itens 5.3 (parte de projeto) e 18.1 (parte de execução): “Os projetos de fôrma, escoramentos, detalhes embutidos ou vazados e os projetos de instalações devem ser validados pelo projetista de estrutura.”

 

Que subsistemas merecem mais atenção quando da compatibilização com o projeto estrutural?

Wendler - Certamente são as instalações elétricas, hidráulicas e sistemas. Muitas vezes temos que considerar o embutimento ou não das mesmas. Esta decisão é regida pela norma NBR 16055, que já no seu item 5.1 diz: “A decisão quanto ao embutimento ou não das instalações nas paredes deve ser do projetista estrutural, de forma a não comprometer o sistema construtivo. Além disso, tal decisão deve considerar as exigências de manutenibilidade das instalações hidrossanitárias e elétricas ao longo da vida útil da edificação.”

 

Quais são os principais cuidados de cada subsistema na fase de projeto – conceitos e premissas?

Wendler - O princípio básico é minimizar as interferências na seção horizontal das paredes, ou seja, utilizar sempre as instalações na vertical. A principal interferência acontece com as instalações elétricas: pela sua quantidade é de extrema importância a orientação dos projetistas de instalações quanto ao posicionamento correto das instalações, sempre na vertical. Ainda hoje, temos raras opções (tanto de produtos com custo adequado quanto de aceite pelo consumidor) de utilização de instalações elétricas aparentes.

 

No processo de cálculo vamos considerar como paredes estruturais apenas os trechos onde não existirem instalações horizontais ou inclinadas. No caso de instalações elétricas na vertical de no máximo 25 mm, podemos imaginar que a perda de seção horizontal é muito pequena e, portanto, não afeta a resistência total da parede. Mesmo assim, não devemos utilizar mais de um eletroduto no mesmo ponto, ou seja, espaçá-los de no mínimo duas vezes a espessura da parede. Caso haja necessidade de eletrodutos de maior diâmetro, é necessário examinar a interferência, colocando tela dupla no local (fig. 1). O caso das instalações hidráulicas já é diferente. Não podemos colocá-las simplesmente dentro da parede, pois isto não garantiria a sua manutenibilidade, prevista na Norma de Desempenho NBR 15575. Para realizar qualquer reparo seria preciso quebrar a parede, que é a estrutura da edificação. Se precisarmos colocar as instalações dentro da espessura da parede, devemos prever um espaço livre, como uma abertura ou uma janela. O projetista de estruturas deverá reforçar as paredes nesta posição. Esta abertura (fig. 2) poderá ser total (em toda a altura da parede) ou parcial. No primeiro caso é obrigatória a consideração de duas paredes independentes. No segundo caso, o projetista irá verificar se existe a possibilidade da consideração de uma única parede sem perda de rigidez do sistema. Observe que uma consideração deste tipo afeta todo o cálculo da estrutura da edificação e, portanto, não poderá ser determinada após a execução do edifício. Mais uma vez se vê a importância da compatibilização dos projetos. Percebe-se como as instalações embutidas interferem na estrutura das paredes. As instalações sanitárias de maior diâmetro passam sempre por fora da parede em shafts planejados. Existe uma forte tendência de se utilizar estes mesmos shafts para as principais prumadas hidráulicas. Outra possibilidade é colocar as instalações fora da parede com acabamento de carenagem de fibra. Estas instalações podem ser de material rígido convencional ou flexíveis (tecnologia PEX). No caso de edifícios muito altos, com uma quantidade muito grande de eletrodutos, tanto de elétrica como de sistemas, estes também precisam ficar fora da parede em shafts específicos ou carenagens de piso a piso.

 

Durante a execução das paredes, quais os cuidados com estes mesmos subsistemas?

Wendler - Tão importante quanto os projetos compatibilizados é a boa execução das paredes. Os principais cuidados nas instalações elétricas se referem ao posicionamento correto e boa vedação do sistema. Temos que lembrar que esses materiais vão estar colocados na fôrma quando da concretagem. Sofrerão portanto com a pressão do concreto fresco e eventual adensamento por vibração. É necessário a utilização de caixinhas elétricas vedadas (de alumínio ou plástico), especiais e colocação de eletrodutos resistentes e com conexões próprias para evitar a entrada de nata de cimento nos mesmos. O posicionamento será dado com a colocação de espaçadores em quantidade apropriada (2 unidades por metro de eletroduto). Na execução devemos lembrar também que, em virtude da velocidade da obra, o planejamento do escoramento residual permanente é de fundamental importância para as deformações do sistema. O projetista de estruturas deve atuar em conjunto com a construtora para estabelecer o esquema de escoramento e as idades de retirada do mesmo.

 

A NBR 16.055 contempla recomendações e restrições para alguns dos subsistemas?

Wendler - A norma dá algumas orientações (item 13.3): “Não se admitem tubulações horizontais, a não ser trechos de até um terço do comprimento da parede, não ultrapassando 1 m, desde que este trecho seja considerado não estrutural. Em nenhuma hipótese são permitidas tubulações, verticais ou horizontais, nos encontros de paredes.”

 

A cadeia de fornecedores de materiais tem contribuído para oferta de soluções que possibilitem a melhoria de desempenho do sistema?

Wendler - A cadeia de fornecedores já está preparada para o fornecimento de todos os produtos específicos para o sistema. Eles foram desenvolvidos juntamente com projetistas e construtoras, resolvendo ao longo do tempo os detalhes necessários. Várias empresas vêm participando há anos junto com os grupos de estudo no desenvolvimento do sistema, inclusive na redação da Norma NBR 16055.

 

Cite alguns exemplos e as melhorias que elas proporcionam.

Wendler - Acessórios para instalações elétricas de paredes e lajes, caixinha elétrica vedada e com espaçador para posicionamento, espaçador plástico para posicionamento de eletrodutos, quadros de distribuição e de passagem, tela específica para proteção na posição de eletrodutos de maior diâmetro (fig. 3).

 

O que ainda falta para melhorar a interação dos sistemas?

Wendler - Sempre há muita coisa a melhorar. De momento recomendamos uma atenção muito grande nas fases de planejamento e projeto, que devem ser compatibilizados também com a executibilidade da obra. No desenvolvimento futuro há espaço para novos materiais e novas tecnologias desenvolvidas especificamente para o sistema.

 

Quais as responsabilidades dos projetistas de estrutura na compatibilização dos projetos e na verificação da execução?

Wendler - Como o sistema é uma única grande estrutura a responsabilidade do projetista de estruturas é total. Ele deve aprovar todos os elementos ou vazados que apareçam nas paredes e compatibilizá-los. Além disso deve observar as restrições da Norma de Paredes, NBR 16055, assim como da norma de concreto armado, NBR 6118, e também da norma de Desempenho, NBR 15575. Por exemplo, a parede de concreto com 10 cm de espessura atende a todos os requisitos da norma de desempenho, inclusive desempenho acústico, desde que não tenha aberturas. Devemos evitar a colocação de quadros de distribuição em paredes de divisa e principalmente a colocação de caixinhas de elétrica fundo a fundo. Isso cria um “túnel” de passagem de som de um ambiente para outro.

 

O que você recomendaria a uma empresa que fosse utilizar o sistema pela primeira vez?

Wendler - Primeiramente, informar-se ao máximo sobre o sistema. Temos muitos textos produzidos pelos grupos de estudo que podem ser encontrados nos sites das instituições patrocinadoras: ABCP, ABESC, IBTS. Depois, cercar-se de consultores e projetistas com experiência no sistema. O planejamento, projeto e execução têm muitos detalhes específicos deste sistema, principalmente em face da velocidade da obra.

 

Os critérios e premissas valem para todas as tipologias de produto?

Wendler - Sim, mas são cada vez mais importantes conforme aumenta o nível de tensões nas paredes, quer seja pela altura da edificação ou pela utilização de poucas paredes estruturais (possibilidade de diferentes layouts).

 

Como você avalia a iniciativa de criação do Núcleo de Referência de Parede de Concreto?

Wendler - É de fundamental importância para a transferência do conhecimento que existe sobre o sistema. Como se trata de um sistema que agora está em franca expansão, existem muitas construtoras que necessitam das informações sobre ele para os processos de decisão. Neste ponto, o Núcleo de Referência de Parede de Concreto contribui muito para o desenvolvimento do sistema da maneira correta.

 

 

Arnoldo Wendler é engenheiro civil formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (1977), ex-professor de Resistência dos Materiais e Concreto Armado da EPUSP, diretor da Wendler Projetos, com mais de 1300 projetos, coordenador de alvenaria estrutural de vários polos da Comunidade da Construção e coordenador da NBR16055 – Paredes de Concreto.

 

 

 

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Fôrmas de alumínio – Variável competitiva

Uma das variáveis importantes para um melhor desempenho do sistema construtivo de paredes de concreto moldadas no local é a escolha da fôrma. As fôrmas de alumínio (manoportáveis) têm características bastante interessantes: possibilitam a concretagem de paredes e lajes em uma única etapa e consequentemente ciclos de produção reduzidos; têm excelente precisão geométrica e, se “bem tratadas”, podem ser reutilizadas inúmeras vezes (ultrapassam os 1.000 usos). Convidamos o engenheiro Felipe Otoya, CEO da FORSA, empresa colombiana com larga experiência na fabricação e fornecimento de fôrmas de alumínio para diversos países do mundo (América Central, Europa e África), para falar sobre sua experiência e sua visão do mercado brasileiro na utilização das fôrmas de alumínio. A FORSA mantém operação comercial no Brasil desde 2008, quando forneceu os primeiros jogos de fôrmas para um empreendimento da construtora Bairro Novo situado em Cotia-SP.

 

Fale um pouco sobre a Forsa.

Felipe Otoya - Somos uma empresa dedicada a projeto, fabricação e vendas de fôrmas em alumínio para construção de casas, sobrados, prédios, hotéis, penitenciárias. Atuamos há mais de 18 anos. Nosso diferencial é o serviço e o conhecimento técnico das pessoas que trabalham conosco. A FORSA iniciou suas exportações em 1998.

 

Em que países a FORSA atua?

Felipe Otoya - Começamos nossas operações na Colômbia, porém, em 1997 a crise do sistema hipotecário do país fez parar por completo a construção. Esse fato nos obrigou a buscar novos mercados ou do contrário teríamos que fechar a fábrica. Tivemos dois anos de muito trabalho e dificuldades. Hoje, a FORSA possui escritórios em mais de 17 países e mantém a liderança em países como México, Guatemala, Salvador, Honduras, Costa Rica, Nicarágua, Panamá, Colômbia, Equador, Peru, Chile, Venezuela, Argentina, Uruguai, Jamaica, República Dominicana, Trinidad e Tobago, Espanha, Senegal, Angola, Marrocos e Iran, entre outros.

 

Esses países possuem características semelhantes às do Brasil no negócio habitação?

Felipe Otoya - Acredito que Colômbia e México possuem características semelhantes às do Brasil, pelo apoio que os governos oferecem para esse setor da economia. O México chegou a ter programas habitacionais de mais de 600.000 habitações por ano, muito parecidos ao Minha Casa, Minha Vida, lançado pelo governo brasileiro há quatro anos. A Colômbia, neste momento, tem programas que permitem o crescimento do setor de habitações em nosso país.

 

Na sua opinião, qual destes países é referência de produtividade e qualidade no uso de fôrmas de alumínio?

Felipe Otoya - A Colômbia, com certeza, é uma grande referência. Iniciamos depois da crise de 1997 e os construtores mudaram dos sistemas tradicionais para paredes de concreto. Isto teve um alto impacto nas construtoras: aprender e dominar a tecnologia de paredes de  concreto, onde a FORSA teve um papel muito importante na capacitação e acompanhamento da utilização do sistema de fôrmas em alumínio.

 

Por que a decisão de vir para o Brasil em 2008, antes mesmo do programa Minha Casa Minha Vida?

Felipe Otoya - Na verdade, chegamos ao Brasil em 2004, quando as construtoras não tinham o menor conhecimento do sistema de fôrmas de alumínio. Em 2005, apresentando o sistema para alguns profissionais brasileiros, eles perceberam o potencial e a importância de adotar um sistema diferenciado para a construção de habitações. Fruto desta aproximação, fizemos os primeiros testes técnicos no Instituto Tecnológico de Furnas para credenciar o sistema junto à Caixa Econômica Federal (desempenhos térmico e acústico). Depois dos testes, ABCP, ABESC e IBTS – importantes associações setoriais – planejaram em 2007 uma missão de construtoras brasileiras para o Chile e a Colômbia com o objetivo de conhecer a utilização das fôrmas de alumínio na construção das edificações com o sistema paredes de concreto. Nesse momento, a FORSA fez sua primeira venda para uma empresa brasileira, a Bairro Novo. Acredito que este foi o início, no Brasil, das habitações em paredes de concreto.

 

Quais as maiores dificuldades encontradas no início de suas atividades?

Felipe Otoya - As maiores dificuldades encontradas foram:

  • A língua portuguesa.
  • As dificuldades, como estrangeiros, para fazer a implantação da nossa empresa. Por exemplo: alugar um escritório, comprar um celular, alugar um carro.
  • O desconhecimento do sistema por parte das construtoras.
  • O fato de a CAIXA não aceitar o sistema de paredes em concreto, considerado inovador.
  • Por não ter um programa de construção popular definido pelo governo, todo o esforço da FORSA de informar sobre o sistema se perdia, porque as construtoras não tinham obras onde utilizar o sistema.

 

O programa Minha Casa Minha Vida e a norma NBR 16055 foram marcos importantes para evolução do sistema construtivo em questão. Como você projeta o potencial de utilização deste sistema face a estes marcos?

Felipe Otoya - Indiscutivelmente, o programa MCMV e a norma NBR 16055 foram importantes para a evolução do sistema. O potencial de utilização é muito grande porque agora temos as seguintes oportunidades:

  • A CAIXA agora aceita e avalia o sistema de paredes em concreto para os projetos do MCMV.
  • A divulgação feita por ABESC, ABCP, IBTS e os profissionais autônomos, sobre a norma e a gestão de obras em paredes de concreto, é um fator de alto impacto para os construtores.
  • Cada dia mais construtoras estão querendo adotar o sistema de paredes em concreto com fôrmas em alumínio para seus projetos, pela quantidade de vantagens que estas oferecem.
  • Este sistema poderá ser utilizado em segmentos da construção além do programa Minha Casa Minha Vida – edifícios residenciais altos, hotéis etc.

 

Fale sobre a utilização das fôrmas de alumínio no Brasil, nos últimos cinco anos.

Felipe Otoya - As fôrmas de alumínio FORSA demonstram uma variável importante para  o sistema. Muito adequado e eficiente para cobrir o déficit habitacional do Brasil, devido a sua versatilidade e mobilidade, podendo ser usado nas regiões mais remotas do país. Para nós,  a principal evolução do nosso sistema nesses anos de Brasil foi a questão dos acessórios de segurança do trabalhador. Atualmente, todo o nosso sistema está em conformidade com a NR 18. Desenvolvemos um sistema completo de passarelas e guarda-corpos (foto); inclusive, esses equipamentos estão começando a ser utilizados em outros países onde atuamos.

 

Temos hoje várias empresas nacionais e internacionais comercializando fôrmas de alumínio no Brasil.  A oferta está equilibrada com a demanda existente?

Felipe Otoya - As construtoras brasileiras tem a facilidade de comprar este produto com financiamento através do Finame, o que as empresas estrangeiras não podem oferecer por não produzirem aqui no Brasil. É uma situação que nos traz dificuldade no fechamento de alguns negócios, sem dúvida. Para o mercado, de uma forma geral, gera um gargalo no fornecimento. Com a demanda atual, acabam atrasando as entregas, o que causa transtornos enormes e muitas vezes prejuízos nos negócios das construtoras. A oferta estrangeira pode contribuir para equilibrar esta demanda existente, oferecendo alternativas diferentes aos clientes. Este é o cenário atual. Nós da FORSA precisamos nos adaptar e gerar vantagens competitivas que superem a variável Finame. O que ofertamos para o mercado: preço competitivo, prazo de entrega muito eficiente (até 60 dias posto obra), qualidade do produto, equipamentos completos de segurança do trabalho, uma eficiente equipe técnica para treinamento e atendimento pós-obra, pagamento parcelado com juros bastante interessantes. Firmamos ainda uma parceria com a trading Comexport, que se responsabiliza por todos os trâmites de transporte e despachos do material adquirido, desde a nossa fábrica (Cali-Colômbia) até o porto de desembarque aqui no Brasil. Afinal são 18 anos de experiência neste mercado. Inauguramos recentemente uma oficina de manutenção e estoque de peças no Brasil, em São Paulo, para atender a qualquer demanda urgente que os nossos clientes possam necessitar. Sem dúvida, ficamos mais ágeis e próximos dos nossos clientes. O mercado brasileiro é altamente estratégico para a nossa empresa.

 

Ainda se ouve falar que as fôrmas de alumínio são caras e necessitam de um número de utilizações muito alto para serem viáveis. Comente sobre isto.

Felipe Otoya - A análise da viabilidade das fôrmas de alumínio não pode ser feita  simplesmente pelo preço de venda. Ela deve considerar todas as interfaces de custos que acontecem pelo fato de o construtor usar outro tipo de fôrma, de qualidade inferior, ou outros sistemas. Fôrmas de alumínio permitem economias significativas em:

  • Mão de obra: Não requerem mão de obra qualificada (muito importante para o custo no Brasil), têm uma curva de aprendizado reduzida, e quantidade de trabalhadores também.
  • Acabamentos: O custo de reparo e acabamentos é muito alto no Brasil; com o sistema parede de concreto eles diminuem muito; e há a possibilidade de incluir detalhes arquitetônicos. A qualidade estrutural obtida com o processo é muito superior a qualquer outro sistema construtivo existente.
  • Velocidade na construção: Uma habitação em ciclo reduzido significa que todos os custos fixos administrativos serão diminuídos; o sistema também permite entregar unidades simultaneamente, enquanto outras unidades estão em outras fases de construção.
  • Minimização de resíduos: Muitas vezes é difícil quantificá-los e tornam-se extremamente onerosos.

Quando são consideradas as variáveis acima, o conceito de “caro” desaparece com a economia obtida nessas áreas; os ganhos podem facilmente cobrir o valor do equipamento. É a importância da análise integrada do negócio. O construtor amortiza seu investimento entre 200 e 240 usos das fôrmas (cerca de um ano de trabalho), tendo em conta que a vida útil do equipamento é de mais de 1200 aplicações, o seja, cerca de 20% da sua vida útil.

 

Na sua avaliação, ainda existem gargalos na interação entre construtoras e fornecedores de fôrmas de alumínio?

Felipe Otoya - Os gargalos que existem entre construtoras e fornecedores de fôrmas de alumínio são:

  • Que os fornecedores de fôrmas de alumínio tenham melhor conhecimento técnico sobre como construir com as fôrmas de alumínio, para que as construtoras obtenham  melhores resultados em seu negócio.
  • Que os fornecedores de fôrmas de alumínio tenham um melhor conhecimento sobre a gestão da obra, para orientar melhor aos clientes, e que façam alianças com empresas como o Núcleo de Referência de Parede de Concreto, para oferecer uma boa assessoria aos clientes. Isso acontece porque os clientes estão mudando dos sistemas tradicionais de construção para paredes de concreto e precisam de maior conhecimento da gestão do processo.

 

O que é preciso fazer para melhorar?

Felipe Otoya - É preciso:

  • Continuar com as divulgações do sistema de paredes em concreto para que mais construtoras adotem este sistema em seus próximos projetos.
  • Continuar informando as construtoras sobre a gestão de obra com um sistema industrializado com fôrmas de alumínio.
  • Que o governo do Brasil permita às empresas construtoras locais acessar créditos especiais de empresas fornecedoras estrangeiras – como a FORSA –, para adquirir fôrmas de alumínio. Assim seremos mais competitivos.

 

Quais as principais dicas para um construtor que se propõe a construir utilizando o sistema parede de concreto com fôrmas de alumínio?

Felipe Otoya - As dicas que eu daria a um construtor:

  • Que exija dos fornecedores de fôrmas de alumínio um real assessoramento técnico do sistema.
  • Que contrate calculistas, projetos executivos e gestão de obras com profissionais que tenham experiência neste sistema. No Brasil, existem várias opções locais.
  • Que exija assistência técnica no canteiro, assim que as fôrmas estejam na obra.
  • Que trabalhe muito em conjunto com os fornecedores, para otimização de seus projetos, buscando interação com o sistema.

 

Como você avalia a iniciativa de criação do Núcleo de Referência de Parede de Concreto?

Felipe Otoya - Para nós, que tivemos, no início, a liderança do sistema no Brasil, mas por não termos a nossa fábrica aqui perdemos muitas oportunidades de negócios, o Núcleo é uma grande oportunidade para poder mostrar a todos os construtores do Brasil que somos os mas antigos no negócio de fôrmas de alumínio. Temos muita experiência nesse sistema e contamos com uma equipe técnica muito forte no Brasil. Igualmente, é o veículo para continuar com a divulgação do sistema de paredes de concreto, da norma, de boas práticas e de todas as empresas fornecedoras de produtos e serviços para esse sistema construtivo. Para a FORSA é um grande prazer participar e contribuir com a evolução do sistema construtivo através de um meio muito técnico e profissional que é o Núcleo de Referência de Parede de Concreto.

 

 

O engenheiro mecânico Felipe Otoya nasceu em Cali, Colômbia. Formado pela Universidade Autônoma do Ocidente, especializou-se em finanças pela Universidade Valle e em técnicas de produção na Alemanha. É pós-graduado em alta gerência internacional pela Universidade ICESI Cali. Em 1995 fundou a empresa FORSA, dedicada a projetos e fabricação de fôrmas em alumínio para construção de habitações (paredes de concreto), onde trabalha até hoje.

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Desempenho térmico e as paredes de concreto

 

A confiança na utilização do sistema construtivo parede de concreto moldada no local se fortaleceu ainda mais depois da publicação da norma específica ABNT NBR 16.055, que trata de projeto e execução. Ainda assim, com relação a esse sistema construtivo, o assunto “desempenho térmico” é objeto de perguntas e algumas dúvidas recorrentes. Por isso, convidamos o arquiteto Mauricio Roriz, professor e pesquisador da Universidade Federal de São Carlos (SP), e profundo conhecedor do tema.

 

Fale sobre sua participação em ações relacionadas ao desempenho térmico nas edificações que utilizam o sistema construtivo paredes de concreto moldadas no local.

Maurício Roriz - Em meados de 2002, atendendo a uma solicitação da construtora InPar, elaborei uma avaliação sobre o desempenho térmico de edifícios habitacionais do Projeto Viver, construídos por aquela empresa na cidade de São Paulo e que adotavam paredes de concreto. Este meu primeiro estudo sobre tal sistema construtivo foi particularmente interessante por conjugar avaliação teórica e monitoramento das temperaturas internas nas unidades habitacionais. Desde então, tenho desenvolvido muitos outros trabalhos sobre o assunto, seja no âmbito acadêmico, seja por meio de consultorias que envolveram a avaliação de edificações submetidas aos diversos tipos de clima que caracterizam o território brasileiro. A maioria desses trabalhos abordou paredes moldadas no local, mas este aspecto é pouco relevante para o desempenho térmico, pois usualmente este tipo de concreto apresenta as mesmas propriedades térmicas que o concreto pré-moldado.

 

Quais as principais variáveis para obtermos um bom desempenho térmico?

Roriz - O conceito mais geral é que a envoltória do edifício deve atuar como um filtro em relação ao ambiente externo, impedindo a entrada dos elementos indesejáveis, mas permitindo que os ambientes internos se beneficiem dos elementos que contribuam para o conforto dos usuários. No entanto, para sabermos se determinado elemento é desejável ou não, precisamos considerar cada tipo de clima, cada tipo de ocupação (habitação, escola, comércio, indústria etc.) e diferenciar ambientes ventilados naturalmente e ambientes com sistemas eletromecânicos de condicionamento térmico. Relaciono, a seguir, as variáveis que interferem mais significativamente no desempenho térmico das edificações. Conforme acabo de mencionar, cada uma dessas interferências pode ser desejável ou não …

 

Grupo A) Variáveis arquitetônicas

- Orientação: Devido aos movimentos relativos entre a Terra e o Sol, edifícios com as maiores fachadas orientadas a norte e sul recebem menores intensidades de radiação solar.

- Superfícies envidraçadas na envoltória: O vidro comum permite a entrada dos raios solares, mas impede a saída do calor radiante produzido internamente (Efeito Estufa). Por este motivo, se queremos evitar o sobreaquecimento dos ambientes internos, precisamos sombrear as superfícies envidraçadas, por meio de elementos construtivos bem projetados, que permitam a captação da luz natural e impeçam a entrada dos raios solares.

- Áreas efetivas de aberturas para ventilação: Para evitar desperdício de energia, em ambientes dotados de equipamentos de ar-condicionado devem ser reduzidas as infiltrações do ar exterior. Por outro lado, nos casos em que se pretenda usufruir da ventilação natural, o dimensionamento e as posições das aberturas devem ser cuidadosamente detalhados, em função das fontes internas de calor (pessoas, lâmpadas, equipamentos etc.) e das características (velocidade e direção) dos ventos predominantes no lugar.

- Absortância solar das superfícies opacas expostas ao sol: A absortância solar é uma propriedade física das superfícies opacas que indica a porcentagem da radiação solar incidente que é absorvida pelo corpo (e transformada em calor). A parcela visível da radiação solar corresponde a aproximadamente 48% do total emitido pelo Sol e sua absorção é diretamente proporcional à cor da superfície, sendo mais baixa em superfícies claras e mais alta nas escuras. Superfícies mais rugosas também apresentam absortâncias mais altas. Assim, coberturas e fachadas mais lisas e claras absorvem menos radiação solar visível e, por consequência, se aquecem menos. A intensidade da absorção dos outros 52% do espectro solar varia em função de propriedades químicas de cada substância e não pode ser estimada visualmente. Para muitos materiais, entretanto, a absortância na faixa visível pode ser um indicador da que ocorre no infravermelho.

 

Grupo B) Variáveis dos materiais e sistemas construtivos

- Resistência térmica das vedações construtivas: A resistência térmica (em m2.oC/W) de uma placa homogênea é dada pela razão entre a espessura da placa (em metros) e a condutividade térmica (em W/m.oC) do material de que é constituída. Como o ar tem condutividade muito baixa, materiais mais porosos geralmente apresentam condutividades mais baixas do que os mais densos. Denomina-se Transmitância Térmica de um corpo ao inverso de sua resistência e a Transmitância é a propriedade usualmente mencionada em normas técnicas. Em regiões sujeitas a inverno rigoroso, vedações construtivas com baixa Transmitância são mais recomendáveis, pois contribuem para evitar as perdas do calor disponível nos ambientes internos e cuja produção geralmente implica em consumo de energia. Ambientes com equipamentos de ar-condicionado também precisam de níveis mais altos de isolamento térmico (baixa Transmitância), para evitar ou restringir os ganhos indesejáveis do calor exterior. Por outro lado, em edificações naturalmente ventiladas e submetidas aos climas predominantes no território brasileiro, há muitas situações em que baixas Transmitâncias são contraproducentes, pois dificultam a dissipação do calor interno. Por este motivo, considero que seria oportuna a revisão de algumas de nossas normas técnicas, que recomendam apenas os limites superiores da Transmitância para todas as Zonas Bioclimáticas estabelecidas para o país.

- Capacidade térmica das vedações construtivas: Capacidade térmica é uma propriedade física que indica a capacidade de um corpo para armazenar calor. De modo geral, esta propriedade é mais alta em corpos cujas massa e densidade sejam também mais altas. Em climas com maiores amplitudes térmicas (diferenças entre as temperaturas máximas e mínimas), sistemas construtivos mais espessos e mais densos acumulam calor nas horas mais quentes do dia e o liberam durante a madrugada, quando o ar é normalmente mais frio, contribuindo assim para reduzir as oscilações das temperaturas internas e proporcionar mais conforto aos usuários.

 

Essas recomendações independem da tipologia (casa térrea, sobrados, edifícios) a ser construída?

Roriz - Em relação ao desempenho térmico, o número de pavimentos tem três implicações principais. Por um lado, o pavimento térreo é o único que troca calor com o solo (cuja temperatura é sempre mais estável que a do ar), enquanto o pavimento mais alto é o único que recebe a radiação solar através da cobertura. Por fim, o vento incide com maiores velocidades nos pavimentos mais altos em relação ao solo. Excetuando-se estas particularidades, as recomendações construtivas não dependem do número de pavimentos da edificação.

 

Ainda encontramos muita desinformação sobre esse tema. No seu entendimento, o que precisa ser feito para nivelar conhecimento e informação sobre o assunto?

Roriz - Esta desinformação tem causas facilmente identificáveis e corrigíveis. Uma das causas é a força da tradição, que faz com que persistam, em nosso meio técnico, alguns hábitos e conceitos que não atendem às atuais exigências do mercado. Diferentemente do que acontece em outros países do Cone Sul, no Brasil ainda é muito recente o processo de normatização sobre desempenho térmico e adequação climática de edificações. Até o ano de 2005, quando foi publicada pela ABNT a primeira norma sobre o assunto (NBR 15220), predominava no país o costume de repetir-se um mesmo “projeto padrão” desde Porto Alegre até Brasília, Fortaleza ou Manaus. O objetivo óbvio era reduzir-se custos, mas os resultados deixavam muito a desejar quanto a diversos aspectos da qualidade, especialmente o desempenho térmico. Se comparamos antigos conjuntos habitacionais, financiados pelo então BNH (Banco Nacional da Habitação), aos mais recentes, construídos já sob o vigor de novas normas técnicas, constataremos significativa evolução dos níveis de qualidade. Para ampliar a difusão do conhecimento e das técnicas que contribuem para elevar os níveis de desempenho térmico das edificações, precisaremos rever os conteúdos ministrados nos cursos de graduação, continuarmos aperfeiçoando progressivamente o nosso corpo de normas e, ao mesmo tempo, usarmos os meios disponíveis de comunicação para campanhas de divulgação, junto à sociedade, dos conceitos fundamentais e das virtudes da adequação climática do ambiente construído. Reputo esta última providência como de alta relevância, pois um mercado consumidor mais consciente certamente será um importante aliado no esforço nacional de melhorar-se a qualidade do “produto edifício”.

 

Podemos afirmar que o sistema de paredes de concreto tem um bom desempenho térmico?

Roriz - Aprendi, de um velho amigo e professor, que não há materiais bons ou maus. Cada material é caracterizado por um conjunto de propriedades e nos cabe conhecê-las e aplicá-las corretamente. As paredes em concreto não fogem a esta regra. Quando comparadas a outros sistemas construtivos de vedação, as paredes de concreto apresentam importantes diferenças. Em primeiro lugar, o concreto é um dos materiais de construção mais exaustivamente estudados e caracterizados, fato que resulta em modelos matemáticos muito consistentes disponíveis para o seu dimensionamento. Além desse fato, paredes de concreto proporcionam significativas reduções no tempo das obras e elevações na produtividade e no controle de qualidade do processo construtivo, particularmente se as compararmos com as milenares (e inexplicavelmente persistentes) técnicas de empilhar-se pedras ou tijolos. Também sob o aspecto funcional as paredes em concreto se diferenciam das alvenarias convencionais, na medida em que conjugam as funções de vedação com as de suporte estrutural. Em relação ao desempenho térmico, conforme já mencionei, tenho avaliado edificações com paredes em concreto submetidas aos diversos climas existentes no Brasil e posso afirmar que, nos poucos casos em que os resultados não foram satisfatórios, as causas sempre estiveram relacionadas a equívocos de projeto, mas não às propriedades do concreto.

 

De forma resumida, que dicas e recomendações o senhor poderia passar às empresas que estão no momento de tomada de decisão para utilização do sistema construtivo paredes de concreto moldadas no local?

Roriz - Estou convencido de que as paredes em concreto vieram para ficar e, portanto, as empresas que investirem na qualificação e atualização de seus corpos técnicos e adotarem projetos arquitetônicos bem elaborados, serão muito bem sucedidas e poderão contribuir para que superemos nosso ainda elevado déficit habitacional, dentro de menores prazos e com edificações de maior qualidade.

 

Como o senhor avalia a iniciativa de criação do Núcleo de Referência de Parede de Concreto?

Roriz - Considero muito oportuna e parabenizo aos autores da iniciativa, pois o Núcleo certamente poderá exercer importante papel na difusão das melhores técnicas relativas ao sistema construtivo.

 

* Maurício Roriz é arquiteto, mestre e doutor em Tecnologia da Arquitetura pela Universidade de São Paulo. Docente aposentado do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Áreas de ensino e pesquisa: Arquitetura Bioclimática; Conforto Ambiental; Iluminação Natural; Desempenho Térmico, Adequação Climática e Eficiência Energética de Edificações.

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Parede de concreto em prédios altos

 

A utilização do sistema construtivo em paredes de concreto moldadas “in loco” cresce a cada dia. No segmento das habitações econômicas se apresenta como uma opção de destaque. Observamos um novo movimento de decisão pelas construtoras: a utilização do processo em prédios verticais, fora do segmento econômico. A rapidez do processo, eliminação das etapas construtivas, uso de mão de obra disponível sem qualificação e as diversas opções de materiais, produtos e serviços desenvolvidos pela cadeia deste sistema induzem aos tomadores de decisão partir para esta solução nos empreendimentos de maiores alturas. Convidamos o engenheiro Francisco Paulo Graziano para nos falar um pouco sobre este movimento. Ele tem participado junto a construtoras de destaque e referencia no mercado dos estudos e avaliações para tomada de decisão da utilização do sistema neste perfil de empreendimento.

 

Fale um pouco sobre o perfil das construtoras que têm demonstrado interesse em utilizar o sistema parede de concreto moldado no local em prédios altos, fora do segmento econômico.

 

Francisco Paulo Graziano - Na verdade não tenho identificado um perfil de empresa, mas sim um perfil de pessoas que têm compreendido que estamos vivendo um momento de intensa mudança no cenário tecnológico do setor da construção de edifícios no Brasil, onde crescem a escassez de mão de obra, a necessidade de maior velocidade de construir. Nesta linha, este sistema tem potencial para dar resposta a estas necessidades, porém o sistema ainda apresenta-se não totalmente desenvolvido no Brasil, devido a nossa relativa inexperiência na aplicação desta tecnologia e a vícios culturais que veem distorcendo o papel do engenheiro na construção de edifícios.

 

 

Quais, na sua opinião, os diferenciais deste sistema para este nicho?

 

Graziano - Este sistema, como já se sabe, permite a simultaneidade de execução da estrutura e grande parte das “paredes” das edificações, eliminando alguns ciclos executivos tradicionais, tais como: execução das alvenarias, aplicação de revestimento às fachadas e às paredes internas etc. No caso de edifícios mais altos, acima de 12 pavimentos, a vantagem econômica já se apresenta na composição de custos dos materiais quando comparados aos outros sistemas tradicionais empregados largamente na construção de edifícios no Brasil, ou seja, não é necessária a consideração da velocidade executiva no equilíbrio dos custos, para justificar a sua viabilidade.

 

Com relação ao desempenho estrutural, quais as vantagens?

 

Graziano - Os edifícios em paredes de concreto são extremamente rígidos quando comparados aos convencionais ou até mesmo aos seus equivalentes em alvenaria estrutural. Garantindo baixo nível de deformações e bom desempenho às ações laterais, tais como vento e outras.

 

Falando de competitividade, como este sistema contribui para melhorar a performance do negócio das construtoras?

 

Graziano - Como toda tecnologia aplicada à engenharia, este sistema tem bônus e tem demandas em relação à postura da equipe de engenharia das construtoras. Exige uma visão mais industrializada do negócio da construção, com uma postura mais tecnológica da equipe de operação, focada no entendimento das vantagens e cuidados necessários para que o sistema dê os bônus esperados. Isto posto, a contribuição deste será percebida na qualidade da obra como produto final, menos dispersão dos resultados de um edifício para outro, aumento de produtividade e qualidade conforme se incorpora a cultura tecnológica e a postura mais responsável da equipe executiva.

 

Construir com este sistema em obras horizontais e de baixa altura é a mesma coisa que construir prédios mais altos (acima de 12 pavimentos)?

 

Graziano - Não, a estratégia de ataque à obra, a organização do canteiro, a determinação da quantidade de forma e de equipes executivas e ciclo são completamente diferentes. Além disso, as prioridades do dimensionamento no projeto estrutural é totalmente diferente.

 

Observamos a utilização de dois processos para execução deste sistema: formas de alumínio manoportáveis e formas trepantes com utilização de gruas para içamento. Sob o ponto de vista estrutural, como você avalia estas opções?

 

Graziano - Sob a ótica do projeto estrutural, não há grande alteração, dependendo da tipologia adotada para o sistema, ou seja, uma tipologia com grande quantidade de partições estruturais ou o contrário. Conforme se apresenta o caso, uma ou outra pode ser a mais adequada.

 

Cuidados especiais devem ser tomados para execução destes empreendimentos?

 

Graziano - Em primeiro lugar, a cultura técnica da equipe executiva da empresa, que deve ter a compreensão de que este sistema não admite a postura de “tocador de obra” e sim a de quem planeja, estuda, aplica o que planeja e está atento a rever o plano de execução da obra, numa constante e disciplinada busca de melhoria contínua. Em segundo lugar, a contratação de uma equipe de bons projetistas, comprometida com o sucesso deste sistema.

 

Que dicas você daria a uma empresa que pensa em utilizar o sistema pela primeira vez?

 

Graziano - Começar aplicando em tipologias mais simples e para um número de unidades compatível com a capacidade da empresa de custear o aprendizado e amadurecimento da equipe de obra. Desta forma, a pressão por prazo e resultado fica menor e a equipe tem a oportunidade de aprender a trabalhar com esta tecnologia.

 

Como devemos tratar as interfaces arquitetura, estrutura e instalações elétricas e hidrossanitárias na elaboração dos projetos executivos?

 

Graziano - Os projetos constituem uma parte importante da viabilidade do sistema, pois nele encontra-se implícito o entendimento de como o processo executivo deverá se dar, impondo facilidades ou dificuldades executivas. Estas características se consolidam muito cedo quando das primeiras decisões tomadas pela equipe de projeto. Por este motivo, a equipe deve estar constituída desde o princípio, trabalhando e decidindo conjuntamente com o cliente quais as melhores posturas que serão adotadas no projeto.

 

A cadeia de projetistas de estrutura está preparada para este perfil de obra?

 

Graziano - Estamos vivendo uma fase de grande demanda de trabalho em todas as áreas da cadeia da construção, sendo que viemos de uma longa fase depressiva, onde pouco ou nada se fez para formar profissionais em todas as áreas, por falta de mercado e falta de visão estratégica do setor. No que tange às construtoras, estas se tornaram empresas que não têm, com raras exceções, uma visão de planejamento e técnica do que se propõe executar, criando-se a máxima de que o engenheiro de obra é tão somente de produção, sem necessidade de se envolver no projeto. Entendo que o sucesso deste processo depende do alinhamento de ambas as partes com o envolvimento de todos no sucesso do empreendimento, sem divisões estanques de responsabilidades e sim uma polarização de todos pelo sucesso do empreendimento. Com este tipo de abordagem é que os projetistas devem ser contratados e escolhidos, porém sem esquecer da lição de casa que cabe ao cliente e construtora.

 

A recente NBR 16.055 – Projeto e execução paredes de concreto moldada no local atende a este tipo de obra?

 

Graziano - Com certeza, ela foi preparada para isto e atende muito bem. Porém, requer um “feedback” do mercado para sua constante renovação e atualização para que não se desatualize.

 

De quais empreendimentos já concluídos você participou neste segmento? Quais os aprendizados você elencaria?

 

Graziano - A nossa empresa, desde o início da formação dos grupos de estudos motivados pela ABCP, ficou mais focado nos edifícios altos, acima de sete pavimentos, por entender que este tipo de edificação executada em paredes de concreto tem viabilidade indiscutível e praticamente independente do ritmo acelerado de execução que o processo permite esperar, devido ao bom desempenho deste sistema quando comparado ao de alvenaria estrutural ou ao de estrutura convencional. Então iniciamos por edifícios de 15, 17 e 20 andares em projetos que hoje estão entregues por grandes incorporadoras do país, tais como Gafisa, OAS, Tenda, dentre outras. Posteriormente, em situações específicas e de viabilidade muito bem estudada, projetamos torres de menor porte de até quatro pavimentos para a Cury e Queiroz Galvão em grande quantidade de unidades, acima de 10.000 unidades. Hoje estamos estudando a viabilidade de novos empreendimentos de um padrão mais elevado para uma grande incorporadora que promete competir muito bem com a estrutura convencional tanto em custo de materiais e mão de obra, quanto em capacidade de dar ao produto uma boa capacidade de adaptação às necessidade do cliente de ampliar ou alterar a planta.

 

Como a você avalia a iniciativa de criação do Núcleo de Referencia de Parede de Concreto?

Graziano - Vejo esta iniciativa com muito bons olhos pois permite que o conhecimento, as experiências vividas de sucesso e insucesso sejam recolhidas e transformadas em recomendações aos projetistas e construtores interessados na tecnologia, suprindo uma lacuna que vem se estendendo a todo o setor de preservação da história técnica da obra e do projeto que fica, quando muito, encapsulada na cabeça das pessoas que participaram de um determinado empreendimento, sem a devida análise crítica e recolhimento da documentação de acervo técnico que vem se perdendo nas últimas décadas. É uma iniciativa a ser replicada em outros segmentos da cadeia da construção.

 

* Francisco Paulo Graziano é engenheiro civil formado pelo Instituto Mauá de Tecnologia – IMT, mestre em Engenharia de Estruturas pela Escola Politécnica da USP, professor do Departamento de Estruturas da EPUSP desde 1979, relator da NBR-6118 de 1993 a 2003. Participou da confecção da NBR-16055 e foi o redator do texto base da Norma de Desempenho – parte estrutural – NBR-15575. Ganhou os seguintes prêmios: Prêmio Emílio Baungarten – IBRACON; Prêmio Talento Estrutural – ABECE – Gerdau; Prêmio PUFA ABECE – Arcelor; Prêmio PUFA ABECE – TQS. Diretor da Pasqua e Graziano, consultoria, concepção e projeto estrutural, Graziano desenvolveu projetos estruturais nas áreas residencial, comercial, “malls”, centro de distribuição, arenas de esportes, alojamentos olímpicos, dentre outros, totalizando mais de 40.000.000 de m² em área estrutural, projetadas nos últimos 30 anos.

 

 

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Parede de concreto na Rodobens Negócios Imobiliários

 

Perfil da Rodobens Negócios Imobiliários

 

Fundada há 21 anos, a Rodobens Negócios Imobiliários, a primeira incorporadora do País em desenvolvimento sustentável* e uma das maiores construtoras do Brasil**, atua em todo o território nacional com empreendimentos nos segmentos Popular (até R$ 100 mil), Supereconômico(até R$ 200 mil) e Econômico (a partir de R$ 200 mil). Iniciou, em julho de 2012, a atuação em dois novos segmentos, com as empresas Rodobens Malls, com o objetivo de explorar áreas por meio do desenvolvimento de centros comerciais, e a Rodobens Urbanismo, que tem,  como foco, o desenvolvimento de grandes áreas destinadas a loteamentos.
A Rodobens  Negócios Imobiliários, empresa com capital aberto desde Janeiro de 2007, lançou, desde a sua fundação, 161 empreendimentos, em 55 cidades de 12 estados brasileiros (SP, MG, RJ, PR, RS, CE, MT, MS, SC, PA, BA e GO), com mais de 60 mil unidades e 4,3 milhões de m².

 

Construir com agilidade, eficiência e sem desperdícios de materiais ou agressão ao meio ambiente foram os pilares que definiram o processo construtivo “parede de concreto” utilizado pela Rodobens Negócios Imobiliários em seus empreendimentos no país.

 

A Rodobens Negócios Imobiliários faz parte das Empresas Rodobens, corporação com tradição de mais de 60 anos no mercado, que atua com destaque e pioneirismo no Brasil e na Argentina, com forte atuação nos setores automotivo, financeiro e imobiliário e, atualmente, um dos 100 maiores grupos empresariais do País (Ranking Melhores e Maiores da Revista Exame- Edição 2011, publicado em 2012).
*Segmento construção e engenharia – ranking Anuário Valor 1000 – 2012

 

** Conforme o Ranking ITC 2011 – As 100 Maiores da Construção, editado pela ITC, e na classificação final do segmento construção e engenharia  do Anuário Valor 1000 – 2012.

 

 

 

 

 

A Rodobens Negócios Imobiliários foi uma das primeiras construtoras a utilizar o sistema paredes de concreto em seus empreendimentos.

 

Convidamos o Eng. Marcos Domingues Ferreira, Diretor de Planejamento, Projetos e Orçamentos da Rodobens Negócios Imobiliários, profissional que acompanhou desde o início a implantação e operação deste processo, para nos contar um pouco esta experiência de sucesso:

 

 

Fale um pouco sobre este processo de implantação do sistema.

 

A Rodobens Negócios Imobiliários foi precursora, no Brasil, na utilização do sistema construtivo de Parede de Concreto, tendo iniciado a utilização a partir do processo de abertura de capital.

 

Escolhemos trabalhar com este sistema, pois precisávamos de um diferencial em relação às outras empresas do segmento e garantia de fornecimento de material e mão de obra de qualidade nas várias regiões do Brasil onde atuamos, o que não seria possível por meio da utilização do sistema de construção convencional. Com o sistema construtivo de paredes de concreto temos o fornecimento do concreto em todas as praças de atuação e treinamos mão de obra sem qualificação, ensinando a montarem formas aos contratados.

 

O Processo Construtivo da Rodobens Negócios Imobiliários garante agilidade, eficiência e preservação ambiental. A tecnologia, aplicada em empreendimentos horizontais e verticais, consiste na execução de fundações tipo radier e de paredes em concreto fluido, num processo de alta velocidade e ausência de desperdício ou agressão ao meio ambiente.  O modelo prevê a aplicação do concreto em formas plástico, metálica e alumínio, resultando em paredes já prontas  para pintura e acabamentos finais, sem a necessidade de reboco e entulhos. Estas paredes, conforme testes realizados pelo IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas da Universidade de São Paulo, também oferecem resistência e isolamento térmico e acústico, gerando mais conforto aos moradores.

 

 

 

Como foi o processo de implantação desta tecnologia na empresa?

 

Foi difícil, pois não tínhamos no Brasil fornecedores de formas, materiais elétricos e hidráulicos adequados para o sistema construtivo, além da ausência de normas brasileira vigente. Assim, tivemos que quebrar vários paradigmas.

 

 

Quais as dificuldades enfrentadas na adoção do sistema, no início do processo?

 

Primeiro tivemos que fazer todas as analises no IPT de conforto térmico e acústico.

 

Desenvolver traço adequado, pois o concreto não podia ser vibrado, tinha que ser fluido e atender o conforto térmico.

 

Depois de passar por todas as análises, tivemos que desenvolver fornecedores de materiais e mão de obra, pois, na época, não tínhamos fornecedores, existindo apenas os de forma plástica no Brasil, por isso que trabalhamos com este tipo de forma por longo período. Posteriormente, começamos a importar formas de alumínio.

 

Atualmente, trabalhamos somente com formas de alumínio.

 

 

Alguma restrição da área comercial e de incorporação da empresa pela escolha do sistema?

 

Não, pois fizemos um trabalho em conjunto com todas as áreas da companhia e todos compartilham da mesma idéia.

 

 

Este sistema já está consolidado na sua empresa?

 

Totalmente. Acredito que somos a empresa que concretou  o maior número de unidades habitacionais no Brasil com este processo construtivo e vamos continuar atuando com essa tecnologia nos empreendimentos horizontais e verticais.

 

 

Que dicas você daria a uma empresa que pensa em utilizar o sistema, pela primeira vez?

 

Que façam uma análise criteriosa em relação aos investimentos para que possam verificar se os custos compensam e se terá repetição construtiva suficiente para arcar com o investimento inicial que justifique a implantação deste processo construtivo.

 

 

Vocês iniciaram a utilização deste sistema em empreendimentos horizontais com a tipologia de casas geminadas. Quantas unidades já foram concluídas neste modelo?

 

Aproximadamente 35 mil unidades.

 

 

 

Vocês têm algum indicador de pós-obra, das unidades já habitadas? Itens como desempenho térmico e desempenho acústico foram pontuados?

 

Sim. Fazemos acompanhamento por meio de pesquisas de satisfação interna e o resultado é muito bom.

 

 

A Rodobens Negócios Imobiliários fez um primeiro empreendimento vertical em São José do Rio Preto, utilizando este sistema em prédios de 7 pavimentos.  Qual foi o resultado obtido, na utilização do sistema Parede de Concreto?

 

Excelente. Aprimoramos alguns procedimentos e conseguimos dar mais velocidade para a obra, por exemplo, finalizamos uma torre de 7 pavimentos  com 62 unidades, depois da fundação concretada, em apenas 14 semanas.

 

Conseguimos também uma grande redução de resíduos, fato que foi de encontro com os objetivos de sustentabilidade da companhia.

 

 

 

 

 

Você acha que a utilização em prédios altos, do sistema parede de concreto é uma tendência de mercado?

 

Eu não diria tendência, mas uma boa opção, onde também iremos atuar.

 

 

Como a você avalia a iniciativa de criação do Núcleo de Referência de Parede de Concreto?

 

Excelente, pois é um grupo que está voltado ao aprimoramento do sistema construtivo, sendo um facilitador para as empresas em conhecer mais essa tecnologia construtiva.

 

 

 

Marcos Domingues Ferreira

Engenheiro Civil formado pela Faculdade de Engenharia Civil D. Pedro de são José do Rio Preto/SP, com 26 anos de experiência no setor de engenharia, responsável técnico da empresa, atuando sempre em cargos de Liderança.

Atualmente, Ferreira atua na Rodobens Negócios Imobiliários como Diretor de Planejamento, Projetos e Orçamentos, respondendo também pelas áreas de Pós Obras e Suprimentos.

 

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Parede de concreto em empreendimentos de incorporação imobiliária

Com a promulgação da Norma NBR 16.055 – Projeto e execução de paredes de concreto moldadas no local, o sistema ganha destaque como uma opção rápida e competitiva, possibilitando as construtoras, cumprir suas metas de prazo, de  custos e qualidade nos seus empreendimentos . Uma boa alternativa técnica…

 

O programa do governo Minha Casa Minha Vida tem sido um importante alavancador para disseminação deste sistema.

 

Mas também o mercado imobiliário tradicional, já vem utilizando esta opção construtiva, principalmente em prédios altos (acima de 18 pavimentos ) . Uma tendência que acreditamos que irá se consolidar ainda mais nos próximos anos.

 

A empresa MaxCasa, desenvolvedora e detentora da marca MaxHaus, com sede em São Paulo, tem utilizado o sistema parede de concreto na construção de seus empreendimentos em várias regiões do pais , de forma destacada.

 

Convidamos o Eng. Luiz Henrique de Vasconcellos – Diretor de Engenharia da Maxcasa – profissional de profunda experiência no assunto, para falar sobre o tema:

 

 

Luiz, fale um pouco sobre a sua empresa e o conceito do produto MaxHaus

 

A Maxcasa começou suas atividades em janeiro de 2007, com a finalidade de criar e desenvolver o produto que denominamos MaxHaus, um apartamento de 70 m2 de área privativa com o conceito de arquitetura aberta, pensado e desenvolvido para dar flexibilidade ao apartamento, onde a pessoa pode criar quantos cômodos quiser.

As pessoas tem necessidades diferentes e também valorizam os espaços de modo diferente, além das necessidades de espaços também se alteram ao longo da vida da pessoa, e MaxHaus foi criado para atender este anseio de customização das unidades, onde esta pode ser feita sempre por complementação, sem necessidade de destruição do anterior.

 

 

Por que a escolha do sistema parede de concreto? Quando aconteceu a primeira obra?

 

O sistema de parede de concreto foi concebido quando da criação do projeto, e nossa primeira obra que teve início em outubro de 2008 já contemplava este sistema.

Fomos buscar uma tecnologia utilizada com sucesso em diferentes países, principalmente para edifícios de grande porte, e este sistema de formas trepantes por nós utilizado nos proporciona uma grande precisão geométrica e dimensional, com desvios mínimos de prumo, nos permitindo ainda ter todas as paredes externas acabadas para pintura ou então para receber o acabamento final através de algum sistema especial, sem necessidade da fase de revestimento externo em argamassa.

Isto representa redução do prazo final de obra e logicamente redução da necessidade de mão de obra no canteiro.

 

 

Quantos prédios e quantas unidades já foram concluídas e em que cidades?

 

Até hoje já concluímos a estrutura de concreto de 30 edifícios, sendo que 20 deles já foram entregues aos proprietários, e temos outros 12 edifícios com estrutura de concreto em execução ou com empreendimento em fase de lançamento ou de projetos.

Hoje temos empreendimentos em São Paulo, Porto Alegre, Campinas, Praia Brava em Santa Catarina e estamos estudando outras praças, fato que mostra que as características do produto se aplicam em diferentes praças.

 

 

Falando agora do sistema parede de concreto, atendeu as suas expectativas? Por que?

 

Nosso sistema compreende as paredes externas em concreto, com núcleo central também contendo grandes pilares ou paredes, e não temos vigas internas de modo a dar maior flexibilidade de lay outs, atendendo assim a necessidades de nossos clientes. Nosso edifício é calculado como pórticos tridimensionais, e temos uma rigidez global maior da estrutura, reduzindo assim uma série de patologias pertinentes ao sistema convencional.

O sistema tem uma plataforma de trabalho para montagem das paredes, e outra logo abaixo para reparos e acertos do acabamento final, nos permitindo assim fazer as correções necessárias com o concreto ainda fresco, reduzindo drasticamente as patologias inerentes ao revestimento externo.

Por não termos a necessidade do revestimento externo e de não necessitarmos de prazo para fazer as paredes externas de alvenaria, conseguimos reduzir significativamente o prazo de obra, tendo um ganho bastante significativo no resultado do empreendimento como um todo.

Nas ultimas medições realizadas, utilizando os índices atuais de produtividade do mercado, constatamos que estamos trabalhando com uma redução de 35% a 40% de mão de obra, um grande problema atual do mercado, que também nos afeta, mas de modo bem mais reduzido do que vemos atualmente em outros canteiros.

Medições realizadas recentemente em diversos de nossos empreendimentos nos mostrou um desaprumo máximo de 5 a 7 mm em edifícios de 20 andares, nos dando mais uma vez a certeza de nossa decisão em adotar este sistema.

 

 

 

Este sistema já está consolidado na sua empresa?

 

Tivemos um trabalho grande para o desenvolvimento e aplicação correta do sistema, pois o mesmo não se resume simplesmente à forma, e houve a necessidade de desenvolvimento conjunto com diversos fornecedores cujos produtos também pertencem ao sistema, como por exemplo gabaritos de janela, frisos que aplicados à forma já estarão fazendo parte da parede acabada, argamassa de correção do acabamento externo, concreto que passou a ter outras necessidades adicionais, etc…

Parte de nossas obras são terceirizadas, e esta metodologia desenvolvida pela Maxcasa vem sendo aplicada com sucesso por diferentes construtores, e hoje temos totais condições de repassar e treinar as equipes de produção de diferentes construtores para a aplicação correta do sistema.

No ano passado fizemos nosso Io. Encontro MaxHaus de Engenharia Aplicada, onde as melhores práticas e metodologias utilizadas foram apresentadas e debatidas por todos, com a presença do corpo de engenharia e também de diversos Mestres de Obras de diferentes empresas, e hoje temos vários manuais já desenvolvidos, consolidados e com sucesso na aplicação em diferentes obras de diferentes cidades.

Em 30/jan/2013 faremos nosso IIo. Encontro MaxHaus de Engenharia Aplicada, e debateremos mais uma vez a evolução do sistema, bem como as melhores práticas dos canteiros, uniformizando mais uma vez os procedimentos pertinentes ao sistema.

 

 

 

Com o número de unidades já concluídas, vocês já realizaram alguma pesquisa de satisfação dos usuários, com relação ao sistema em questão?

O sistema por nós utilizado não gerou qualquer questionamento por parte de nossos clientes, e nos empreendimentos já entregues este fato também não gerou qualquer desconforto ou insatisfação aos mesmos.

 

 

Você acredita que outras construtoras irão seguir o exemplo da MaxHaus?

 

Usamos pela primeira vez esta tecnologia em edifícios residenciais no Brasil, e hoje já vejo algumas companhias, principalmente de grande porte, usando esta tecnologia também em edifícios comerciais para execução do núcleo central do edifício, sendo o restante executado com parte em estrutura metálica.

Algumas destas empresas que hoje utilizam esta tecnologia visitaram nossos canteiros para conhecer o sistema, sua praticidade e produtividade, e a própria utilização pelas mesmas posteriormente nos dá a certeza dos ganhos que o sistema proporciona.

Esta tecnologia exige uma preparação do corpo técnico, tanto de execução como de planejamento, para a utilização da mesma e exige também um grande trabalho de planejamento da produção e do canteiro de obras, por ter a obrigatoriedade da utilização de gruas de grande porte que movimentam grandes painéis.

 

 

Algumas recomendações especiais para quem for utilizar este sistema, na sua visão?

 

Toda implantação de um novo sistema requer uma avaliação prévia e preparação da empresa para a adoção do mesmo. Temos que avaliar também a real capacidade da empresa em replicar este sistema, estabelecendo as diretrizes e metodologia de treinamento a ser implantada, criando seus manuais de aplicação e de treinamento.

Devemos sempre estar preparados para mudanças na nossa cultura de construção, e as equipes devem ser treinadas para poderem transmitir estes novos conhecimentos a seus pares de forma rápida e segura.

A grande rotatividade existente nas equipes técnicas das empresas, bem como das equipes de condução das obras, vem atrapalhando bastante não só a consolidação da cultura de construção atual das empresas, como também a implantação de novas tecnologias, razão pela qual devemos ter registro de modo bastante seguro da evolução e desenvolvimento desta nova tecnologia, permitindo assim que erros acontecidos no passado não se repitam.

 

 

Não corre o risco de todos os empreendimentos ficarem sempre iguais?

 

O produto é sempre o mesmo, construído com a mesma tecnologia, mas desenvolvemos metodologia para vesti-los de diferentes maneiras, de modo que cada empreendimento seja único.

 

 

Como a você avalia a iniciativa de criação do Núcleo de Referencia de Parede de Concreto?

 

Acho excelente por permitir uma grande troca de conhecimentos que proporciona a todos ter uma evolução muito rápida neste sistema. Esta troca de conhecimentos traz a todos os profissionais participantes um grande crescimento profissional e nos permite acesso as melhores práticas de construção e de procedimentos já testadas e aprovadas por outros.

 

 

Luiz Henrique de Vasconcellos

Engenheiro Civil formado pela Universidade Federal de Juiz de Fora em 1979, dedicou toda sua carreira ao setor de construção civil no mercado imobiliário, ocupando nos últimos 18 anos cargo de Diretor de Engenharia em empresas de grande porte, públicas ou privadas, com vasta experiência em desenvolvimento e implantação de novas tecnologias e metodologias de construção.

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Programa Minha Casa Minha Vida e Parede de Concreto

Milton Anauate, gerente executivo da GEPAD, da Caixa Econômica Federal, avalia o programa federal Minha Casa Minha Vida e as perspectivas do sistema parede de concreto.

 

O programa do governo federal Minha Casa Minha Vida (PMCMV), já na segunda edição, projeta a execução de 2,4 milhões de unidades habitacionais por todo o território nacional até o final de 2014. Trata-se de um grande desafio para todos: agentes financeiros, construtores e toda cadeia produtiva. Nunca, no Brasil, se construiu tantas unidades em prazo tão curto. Processos eficientes, gestão adequada e engenharia de ponta (tecnologia) fazem parte da receita para alcançar esta meta.

 

A Caixa Econômica Federal, importante agente deste processo, busca assegurar uma moradia adequada às necessidades de seus usuários finais; para isso, avalia os processos e métodos construtivos, de modo a  comprovar desempenho técnico adequado ou que sejam aprovados no SINAT (Sistema Nacional de Avaliação Técnica de Produtos Inovadores), para garantir a qualidade das unidades construídas.

 

Com a promulgação da norma NBR 16.055 – Projeto e execução de paredes de concreto moldadas no local, este sistema ganha destaque como sistema rápido e competitivo, possibilitando às construtoras cumprir as metas de prazo, custos e qualidade nos seus negócios, face à demanda crescente do referido programa – uma boa alternativa técnica.

 

Nesta entrevista exclusiva ao portal do Núcleo de Referência Parede de Concreto, o arquiteto Milton Anauate, gerente executivo da GEPAD (Gerência Nacional de Gestão, Padronização e Normas Técnicas) da Caixa Econômica Federal, que tem acompanhado o PMCMV desde sua implantação, fala sobre o programa e o sistema parede de concreto nos empreendimentos financiados.

 

Que balanço você faz do Programa Minha Casa Minha Vida I e II, em termos de número de unidades contratadas e executadas e metas de contratação para os próximos anos.

Milton Anauate - Até o final de 2012 deverá ser atingida a marca de 2 milhões de unidades contratadas, distribuídas em 162 mil empreendimentos, e serão entregues cerca de 1 milhão de unidades, restando ainda em torno 1,4 milhão para contratação até o final de 2014.

 

Quais os principais gargalos entre a etapa de apresentação dos projetos pelas construtoras à Caixa e a efetivação da contratação?

Milton Anauate - Os processos passam pelas análises de risco de crédito da empresa proponente, análise jurídica, de engenharia e do trabalho social, podendo ocorrer pendências, ou necessidades especiais, de qualquer ordem, como um licenciamento ambiental, a aprovação de um loteamento, a necessidade de infraestrutura na área proposta ou ainda a necessidade de equipamentos públicos a serem compromissados pelo poder público.

 

A demanda pelas obras é enorme e está em todo Brasil. A Caixa está pronta para o  atendimento rápido destas demandas? E as construtoras?

Milton Anauate - A Caixa cumpriu a meta de 1 milhão de unidades na primeira fase do PMCMV. Sem acomodação e repensando sempre o seu processo, buscou simplificar o fluxo desde a contratação até a entrega da obra, contratou e equipou as unidades de análise dos empreendimentos preparando-se para a crescente demanda. As construtoras têm a missão de fazer crescer a produção mantendo a qualidade de obra e buscando alternativas para suprir a falta de mão de obra qualificada e especializada, bem como possível escassez de alguns insumos.

 

Falando agora de processos e sistemas construtivos, como você avalia o sistema construtivo das paredes de concreto para atendimento às demandas atual e futura?

Milton Anauate - Trata-se de um sistema construtivo em estudo desde 2007, pelo Grupo Parede de Concreto, abrigado na ABCP; quando surgiu a grande demanda, em função do PMCMV, percebeu-se o sistema como uma opção importante, entre outros que existem. O Sistema Paredes de Concreto aproveitou o conhecimento já desenvolvido, a demanda gerada pelo programa habitacional e a escala necessária para se consolidar como o sistema mais adiantado e apto a cumprir papel de destaque no atendimento desta demanda.

 

O que muda nos processos junto à Caixa após a promulgação da NBR 16.055, que torna esta alternativa em um sistema convencional?

Milton Anauate - O sistema passa a ter norma brasileira, que deve ser cumprida pelas empresas responsáveis pelo projeto e pela execução da obra. Na fase de consolidação do sistema, procurando preservar a sua garantia, a Caixa mantém procedimentos adotados para todos os sistemas construtivos propostos, quais sejam: assinatura de termo de extensão de garantia apenas para vícios sistêmicos e contratação de monitoramento técnico de obra pela construtora proponente, comprovando, na verdade, a aplicação do Plano de Qualidade de Obra, já previsto na NBR 16055.

 

Existem ainda algumas dúvidas recorrentes sobre este sistema. Por exemplo, que ele seria apenas para edificações de até 5 pavimentos – o que não é verdade. São necessários ensaios complementares? Qual a posição da Caixa sobre estes itens.

Milton Anauate - O texto da norma de Paredes de Concreto não apresenta limitação nem de altura nem de número de pavimentos. O Sistema Paredes de Concreto nasceu dentro da óptica do SINAT, como sistema inovador, e foi ensaiado, restando apenas o que a norma não aborda, que é a avaliação do desempenho térmico, quando necessário.

 

Observamos uma tendência de aumento no uso deste sistema de forma bastante acentuada. Existe alguma preocupação da Caixa neste sentido?

Milton Anauate - Mais do que a publicação da norma e a popularização do sistema, todos os agentes envolvidos no processo paredes de concreto, inclusive a Caixa, devem se preocupar com a qualidade do que é produzido no mercado. A qualificação de toda a cadeia envolvida é o ponto mais importante a ser perseguido em nome da consolidação do sistema construtivo.

 

Qual a sua expectativa com relação à utilização do sistema parede de concreto em percentuais de participação nas opções disponíveis no  mercado?

Milton Anauate - Esta não é uma informação sistematizada, mas, após a promulgação da norma e a popularização/consolidação do sistema, o número de proponentes interessados deve aumentar, estimando-se que cerca de 30% das unidades produzidas até 2014 possam utilizar este sistema.

 

Algumas recomendações especiais para quem for utilizar este sistema, na sua visão?

Milton Anauate - Conhecer a norma e o sistema, buscar experiências de outras empresas, contratar consultoria ou adquirir conhecimento específico e aproximar-se das associações que representam e desenvolvem este setor.

 

Como a Caixa avalia a iniciativa de criação do Núcleo de Referência de Parede de Concreto?

Milton Anauate - Neste momento de expansão do mercado, com a inclusão de novos interessados, é muito oportuna a criação do Núcleo de Referência de Parede de Concreto, que terá papel fundamental na disseminação do conhecimento específico, organizando informações, serviços e publicando reportagens, artigos técnicos e exemplos de boas práticas do mercado.

 

Como o Núcleo pode interagir com as demandas, necessidades e soluções junto à Caixa Econômica Federal  para consolidação e popularização deste sistema?

Milton Anauate - Ajudando a qualificar o mercado e, consequentemente, melhorar o produto final das unidades habitacionais produzidas neste sistema, evitando que experiências mal sucedidas ocorram, pondo em risco a consolidação e a credibilidade do sistema no mercado.

 

 

* Milton Anauate é graduado em Arquitetura e Urbanismo, com Pós-Graduação em Administração de Empresas. Trabalha na Caixa Econômica Federal desde o ano 2000, atuando sempre na área de desenvolvimento urbano. Atualmente, na GEPAD, é responsável pelas áreas técnicas de Habitação de Interesse Social e de Sistemas Construtivos Inovadores, Qualidade e Desempenho.

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Produtos e serviços de suporte à parede de concreto

O engenheiro Ary Fonseca Jr. fala sobre a criação e os objetivos do Núcleo de Referência Parede de Concreto

 

O cenário atual da construção civil, com seguidas taxas de crescimento, passa pela busca de sistemas e processos mais eficientes. Com a mão de obra cada vez mais escassa, a racionalização e a industrialização nos canteiros de obra são focos dos gestores de todas as empresas que atuam no segmento atual. Por conta disto, o sistema construtivo Parede de Concreto Moldada no local passa a ter destaque e projeção como uma boa alternativa para a execução de nossas obras. O Núcleo de Referência Parede de Concreto, ação inovadora da SIGNO – Engenharia de Processos, é um projeto focado totalmente nesse sistema construtivo. A iniciativa é o tema da entrevista que inaugura o canal Destaque deste portal, concedida pelo engenheiro Ary Fonseca Junior*, sócio da SIGNO e um dos idealizadores do Núcleo.

 

O que é o Núcleo de Referência Parede de Concreto?

Ary Fonseca Jr. – O crescimento verificado no setor, alavancado pelo aumento das vendas do segmento imobiliário e o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), do governo federal, trouxeram para o sistema construtivo parede de concreto uma posição de destaque, fruto de suas características, como racionalização, industrialização, redução de etapas construtivas e velocidade na execução, características que elevam o grau de competitividade e desempenho para os negócios das empresas que utilizam este sistema. Com a aprovação da NBR 16.055, que normatiza os requisitos de projeto estrutural e de execução, o sistema passou a ter condições de uso por todas as construtoras do Brasil, facilitando o processo de aprovação de projetos, para o programa Minha Casa Minha Vida, junto aos agentes financeiros Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. Identificamos assim a necessidade de centralizar as informações num espaço confiável e de fácil acesso, e que tenha a participação de fornecedores de materiais e serviços de experiência comprovada neste sistema. Daí a ideia de criar um portal na internet, onde o conhecimento passa ser compartilhado e multiplicado. Na realidade, estamos criando um “ambiente controlado”, onde poderemos aprimorar, consolidar e multiplicar para todo o mercado as experiências de sucesso ali desenvolvidas.

 

Por que este projeto?

Ary Fonseca Jr. – Acreditamos que o número de empresas que irão executar suas obras com o sistema parede de concreto aumentará de forma exponencial após a publicação da NBR 16.055. Nos financiamentos da Caixa Econômica Federal em 2012, este sistema representa algo em torno de 20% das unidades do programa MCMV e deve chegar, até 2015, a 40 ou até 50% das unidades construídas. Nossa proposta é levar, principalmente a pequenas e médias construtoras, informações e serviços que possibilitem o fortalecimento nas etapas de decisão, organização / planejamento e execução das obras, com qualidade, desempenho e lucro. É aumentar a confiança do decisor na escolha deste sistema.

 

O que se deve esperar do Núcleo?

Ary Fonseca Jr. Os principais objetivos do Núcleo são:

  1. Aprimoramento do sistema através da divulgação de boas práticas.
  2. Identificar e buscar soluções para os gargalos técnicos junto com a cadeia produtiva
  3. Atendimento, através de serviços a serem contratados pelas construtoras (junto com a cadeia de fornecedores), às pequenas e médias construtoras nas etapas de: estudos de viabilidade, planejamento, treinamento gerencial e operacional e monitoramento de obra.

Acreditamos que poderemos, através do Núcleo de Referência, consolidar e popularizar o sistema de forma organizada e consistente, demonstrando a sua eficiência, desempenho e competitividade de forma sustentável.

 

Quais são os serviços oferecidos pelo Núcleo?

Ary Fonseca Jr. – Os serviços disponíveis referem-se a consultoria e assessoria para as diversas etapas de uso do sistema: Viabilidade (análise crítica de projetos, cenários de ataque e aquisição de fôrmas), Planejamento (organização do processo, planejamento, logística, movimentação de materiais, sequência e equipes de produção, sub-sistemas), Treinamento (gerencial e operacional) e Monitoramento (avaliação dos processos, análise de tendências e recomendações de melhorias). Estes serviços serão oferecidos “a la carte” para empreendimentos específicos por profissionais da SIGNO – Engenharia de Processos e do CTE, empresa de renome no mercado, que terão a responsabilidade pelo atendimento das demandas contratadas via portal. As construtoras contratantes não são obrigadas a contratar serviços das empresas que compõem o Núcleo, no entanto, se a empresa optar pelos materiais e serviços das empresas que participam do projeto, terão o acompanhamento e apoio técnico ao longo de todo período de construção. Acreditamos que a participação dos agentes aqui citados fortalece a importância dos serviços disponíveis, aumentando a confiança e a segurança da construtora contratante na execução do sistema parede de concreto.

 

Quem participa desta iniciativa?

Ary Fonseca Jr. – Este projeto foi idealizado pela SIGNO – Engenharia de Processos. Seguimos a estratégia de juntar agentes da cadeia deste sistema para agilizar e fortalecer as boas práticas e resultados esperados. Algumas associações e empresas já aderiram ao nosso projeto e estamos em fase de alinhamento para trazer novas empresas ao nosso ambiente.

As associações que já confirmaram participação são:

  • ABESC – Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem
  • ABCP – Associação Brasileira de Cimento Portland
  • ABECE – Associação Brasileira dos Escritórios de Cálculo Estrutural
  • IBTS – Instituto Brasileiro de Telas Soldadas

As empresas participantes são:

  • Coplas (acessórios para parede de concreto)
  • SH Formas (fôrmas de alumínio)
  • Forza do Brasil (fôrmas de alumínio)
  • Pasqua & Graziano (projeto)
  • Vedacit (aditivos)
  • Wendler (projeto)

 

O sistema parede de concreto é sinônimo de baixa renda?

Ary Fonseca Jr. – De forma alguma. É um sistema que atende a todas as tipologias. Hoje, a sua utilização no Brasil está dentro do programa Minha Casa Minha Vida como uma opção crescente, pela velocidade e a necessidade de construir muitas unidades em prazos curtos. Mas já identificamos uma migração do sistema para tipologias e mercados fora do programa MCMV. Existem empreendimentos verticais de até 20 pavimentos realizados com este sistema em diferentes cidades do Brasil, por empresas de referência no mercado. Cito como exemplo: Gafisa, OAS Empreendimentos, Max-Haus e muitas outras em fase de projeto. Também para este segmento a velocidade do processo e a redução de etapas construtivas dão ao sistema parede de concreto um diferencial competitivo importante.

 

Quais as vantagens das construtoras em utilizar os serviços propostos pelo Núcleo?

Ary Fonseca Jr. – Com as informações disponíveis qualquer construtora tem plenas condições de iniciar os estudos e iniciar a execução de empreendimentos com parede de concreto. Ao utilizar os serviços oferecidos pelo Núcleo elencamos 3 principais ganhos para as construtoras:

  1. Agilidade no processo: da tomada de decisão à organização e implantação do sistema. O Núcleo pode facilitar os passos a serem percorridos.
  2. Serviços prestados por profissionais que conhecem o assunto e têm experiência neste sistema. Ou seja, informações confiáveis.
  3. Suporte técnico de fornecedores de referência nacional e que já atuam neste segmento, o que certamente fortalece a confiança de quem vai executar o sistema pela primeira vez.

* Ary Fonseca Junior é graduado em Engenharia Civil com Pós-Graduação em Engenharia de Produção na Construção Civil (Fundação Vanzolini), Gestão e Estratégia de Negócios (Fundação Getúlio Vargas) e MBA Executivo em Estratégia e Administração de Negócios (Ensead – Fundação Dom Cabral).

 

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