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Archive | Destaque Interno

Novos mercados

O sistema Parede de Concreto tem sido cada vez mais utilizado como uma ótima alternativa para a construção de obras que buscam velocidade, redução de mão de obra e bons resultados financeiros. Para esse desempenho sistêmico, a cadeia de fornecedores tem apresentado inúmeras soluções, que melhoram o desempenho e a competitividade dessa tecnologia.

 

Importante fabricante de fôrmas de alumínio, a SF Sistema de Fôrmas para Concreto é uma dessas empresas atuantes, fato que lhe permitiu buscar a expansão internacional de seu produto. Com esse objetivo, a empresa participou, nos dias 22 e 25 de maio de 2015, da World of Concrete na Cidade do México.

 

Nesta entrevista, o gerente de Operações Gustavo Sandoval fala sobre esta iniciativa e sobre a participação da SF Fôrmas no mercado brasileiro.

 

Qual é a trajetória da SF Fôrmas?

Gustavo Sandoval - A história da SF começou na década de 70, num período de intenso crescimento econômico que repercutia positivamente na construção civil. Era preciso evoluir. Para acompanhar o dinamismo dessa fase, buscaram-se soluções práticas que agregassem agilidade aos processos.

Foi assim que, em 1977, com um olhar empreendedor, Salim Felício criou a primeira empresa a fabricar fôrmas de alumínio para concreto no Brasil, promovendo um importante avanço na área da engenharia.

O mercado desde então tem sido muito favorável. Hoje, além da matriz em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, ainda temos duas filiais: uma no Estado de São Paulo e outra no Paraná, atendendo a clientes de todas as regiões do Brasil.

O objetivo da SF é oferecer não só soluções industrializadas para uso de fôrmas na construção civil, mas servir de forma ética, ágil, eficiente e ambientalmente responsável, atingindo a completa satisfação de nossos clientes e contribuindo com o desenvolvimento sustentável do país.

 

Por que a SF decidiu participar da World of Concrete na Cidade do México?

Gustavo Sandoval - A SF visiona ampliar fronteiras e alcançar destaque no mercado internacional de fôrmas, assim como já tem sido no Brasil. Nossos esforços são concentrados em ir além do reconhecimento nacional, por isso entendemos que a participação na Concrete Show México foi um importante passo na realização desse objetivo.

 

A SF tem planos em relação ao mercado mexicano ou países vizinhos?

Gustavo Sandoval - Temos sim. Com a nossa participação na World of Concrete conseguimos firmar parcerias e colocar em funcionamento um escritório comercial no México, além de outros para atender os países da América central e América do Sul.

 

Quais são os resultados obtidos com participação no evento?

Gustavo Sandoval - Nosso estande na feira teve mais de 200 visitas e muitas delas de representantes de construtoras. Com a grande visibilidade, a SF recebeu muitas solicitações de orçamentos e agora já temos projetos aprovados.

 

Que comparações podem ser feitas entre o mercado brasileiro e o mexicano em relação a tecnologias construtivas e qualidade de materiais?

Gustavo Sandoval - No México, o uso de paredes de concreto é mais comum. Há anos eles lidam com esses projetos e o sistema já está bastante consolidado, em contrapartida, no Brasil ainda existe alguma resistência ao uso de paredes de concreto.

 

O México já utiliza este sistema há muitos anos. Como estamos tecnicamente em relação a eles?

Gustavo Sandoval - Tecnicamente não há diferença, estamos iguais a eles. Os dois países têm que evoluir ainda, as possibilidades são muitas. Nossas tecnologias (subsistemas), por exemplo, estão mais avançadas do que as do México, contudo, a produtividade mexicana é superior.

 

No México, o sistema está sendo utilizado em grande escala? Quantas unidades/ano são construídas neste momento?

Gustavo Sandoval - Segundo estatísticas, no México são construídas entre 400 e 500 mil unidades habitacionais por ano; destas, 30% pelo sistema Paredes de Concreto.

 

O mercado mexicano das paredes de concreto ainda é o de habitações populares?

Gustavo Sandoval - Na grande maioria, sim. Ainda se atribui ao sistema de paredes de concreto as construções habitacionais de baixa renda, devido principalmente à agilidade que confere ao projeto, mas estamos evoluindo e desmistificando essa imagem ao executar obras que atendem a outros níveis da sociedade.

 

Como você avalia o momento brasileiro deste sistema para os próximos três anos?

Gustavo Sandoval - O Brasil nos últimos seis anos foi bastante estimulado pelo governo por meio de projetos de aceleração do crescimento e desenvolvimento e as perspectivas são de que esses programas que atendem a setores de habitação e infraestrutura continuem para fomentar o setor de construção.

 

Isso valeria para todo o território nacional? O sistema está totalmente consolidado?

Gustavo Sandoval - Ainda não está consolidado, mas estamos trabalhando para isso. Pela extensão do país ainda é difícil alcançar todas as regiões, ainda mais considerando as particularidades e resistências encontradas. São por questões culturais que o sistema de paredes de concreto não está consolidado no Brasil, e não pelo sistema em si. É comum ver obras sendo executadas a todo o momento, muitas vezes sem o planejamento necessário, por isso opta-se ainda pelos sistemas mais tradicionais de alvenaria, isto porque o sistema de parede de concreto requer um tempo maior de planejamento, que é compensado pela rapidez da execução.

 

O mercado brasileiro continua sendo atraente para a SF?

Gustavo Sandoval - Sim, o fato de buscarmos atender outros países não significa que vamos abandonar o Brasil. Abrimos uma nova filial no Paraná, recentemente, e temos novos escritórios comerciais em várias regiões para dar mais suporte aos nossos clientes.

 

Como você avalia a iniciativa de criação do Núcleo de Referência de Parede de Concreto? Como ele tem contribuído para suas iniciativas?

Gustavo Sandoval - O Núcleo é uma iniciativa inovadora e surgiu com o intuito de organizar informações, disseminar conhecimentos e prestar serviços de consultoria para construtoras que têm interesse na utilização do sistema parede de concreto moldado no local. É o início de uma longa caminhada: a popularização deste sistema, através de boas práticas e referências positivas nos próximos  anos. Hoje, com o Núcleo, temos mais força representativa.

 

Gustavo Adolfo Marin Sandoval é engenheiro mecânico graduado pela Universidade del Valle, Colômbia. Possui MBA em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e detém mais de 15 anos de experiência com fôrmas de alumínio para concreto.

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A busca por boas soluções

Uma relação importante para se obter um bom desempenho no sistema construtivo parede de concreto é aquela entre a construtora e a empresa fornecedora de materiais ou serviços. E um subsistema fundamental, neste caso, é o das instalações elétricas e hidrossanitárias. Nesta entrevista, o engenheiro Cleverson Aislan Callera, executivo da Astra*, fornecedora de materiais deste segmento, fala sobre a experiência da empresa em relação a esta tecnologia.

 

Várias regiões do país vêm ampliando a utilização do sistema parede de concreto. Como a Astra participa deste movimento?

Cleverson Aislan Callera - O Grupo Astra está presente em todo o Brasil e presta assessoria técnica para o sistema construtivo. Temos representantes técnicos capacitados a levar aos construtores as novas tecnologias e ajudar àqueles que adotam o sistema construtivo em parede de concreto.

 

Quais os principais materiais ofertados pela Astra para este sistema?

Cleverson Aislan Callera - Kits hidráulicos industrializados (ramal hidráulico montado e testado na fábrica), kits elétricos industrializados (chicotes elétricos com toda a fiação, montado e testado na fábrica), linha completa de hidráulica (tubos e conexões PEX, sifão, caixas sifonadas, engates, válvulas etc.), elétrica (quadros de disjuntores, disjuntores, eletrodutos normal e reforçado, caixas elétricas e caixas de passagens) e espaçadores de ferragens.

 

O incremento do sistema parede de concreto provocou alguma mudança na forma de atuação da Astra?

Cleverson Aislan Callera – Sim, claro, pois de longa data, antes mesmo do “boom” da construção brasileira de seis anos atrás, já estávamos convictos que o caminho era o concreto. Em visitas a vários países e feiras internacionais observamos que essa era a tendência. Com isso, já estávamos nos “mexendo” e fazendo estudos nessa direção.

 

A Astra tem praticado alguma ação específica para aumentar sua participação neste mercado?

Cleverson Aislan Callera - Sim, participamos de vários grupos, como o próprio Núcleo de Referência em Parede de Concreto, o grupo da ABCP, seminários e feiras pelo Brasil. Levamos e demonstramos tecnologias para este sistema na Concrete Show (SP), Feicon (SP), Ficons (PE), Construsul (RS) e outras. Assim, mostramos que o Grupo Astra tem conhecimento, capacidade e interesse em estar lado a lado dos clientes: desenvolver soluções para melhorar sempre o processo construtivo.

 

As construtoras têm valorizado soluções racionalizadas e industrializadas ou visam apenas preço?

Cleverson Aislan Callera - Esse assunto é muito delicado, pois depende muito do momento que o mercado está passando. Posso destacar aqui duas fases distintas:

  • Na fase de crescimento do setor, quando temos alguns “gargalos”, como falta de material e de mão de obra para atender o mercado, as soluções racionalizadas e industrializadas são muito procuradas e aceitas com muita tranquilidade, pois agregam o valor “tempo”, facilitando e diminuindo processos que muitas vezes são os “vilões” do momento.
  • Na fase de recessão, como estamos neste momento, quando a maioria das construtoras “tira o pé do acelerador”, a balança pende para o lado dos preços, pois a questão “tempo” deixou de ter maior importância.

 

E qual a estratégia da Astra para este momento?

Cleverson Aislan Callera - Nunca iremos deixar de lado o desenvolvimento de soluções racionalizadas. Elas estão em nosso DNA. Mas o momento é de buscar essas soluções com o menor custo.

 

Como você avalia o momento atual deste sistema construtivo?

Cleverson Aislan Callera - O sistema já demonstrou ser muito competitivo, tratando-se de construção em escala; muitas construtoras investiram em equipamentos – formas de alumínio – e não vejo como o sistema possa sofrer com a desaceleração da construção civil do país. Entendo que as construtoras passaram por adaptações e aprendizados e seguirão utilizando o sistema parede de concreto.

 

Identificamos empreendimentos com tipologias acima de 15 pavimentos sendo executados no sistema parede de concreto. As soluções são as mesmas para prédios baixos?

Cleverson Aislan Callera - Em nossa linha de produtos e atendimento para parede de concreto as soluções são as mesmas, pois estamos concentrados muito na hidráulica e elétrica dessas edificações; neste caso, a tipologia pouco influencia nas soluções que propomos para o sistema.

 

Qual o momento mais adequado para o empreendedor buscar as soluções Astra?

Cleverson Aislan Callera - Sempre no estudo do projeto. Sabemos que nessa fase os custos para mudanças são muito baixos e sem impacto nenhum de processos futuros, portanto sempre aconselhamos iniciar estudos nessa fase. Estimulamos muito o desenvolvimento a “quatro mãos”, pois assim podemos entender a real necessidade do cliente, podendo apresentar a melhor solução.

 

Na sua visão, as construtoras estão potencializando ganhos para seus negócios quando utilizam o sistema parede de concreto?

Cleverson Aislan Callera - O sistema oferece inúmeras vantagens quando é bem estudado, bem executado, tem planejamento e materiais de qualidade. Volto a falar do fator tempo, que é uma vantagem imensa desse sistema. As repetições nas tipologias são muito importantes para potencializar ganhos em todas as fases da obra (projeto e execução) e para melhor utilização de equipamentos.

 

O sistema é bastante usado nos empreendimentos do programa Minha Casa Minha Vida. As construtoras podem utilizá-lo também em outros segmentos?

Cleverson Aislan Callera - Sim, isso já está acontecendo. Algumas construtoras já perceberam a vantagem desse sistema construtivo e adotam a parede de concreto em empreendimentos de outros padrões. Isso ocorre porque as construtoras que saíram na frente tiveram o retorno esperado. Elas adquiriram a experiência necessária e viram que o processo é muito vantajoso e competitivo em relação a outros sistemas construtivos. Claro que sempre se deve levar em conta: preço, tempo, qualidade/desempenho e etc.

 

Como você avalia o papel e a contribuição do Núcleo de Referência de Parede de Concreto?

Cleverson Aislan Callera - O Núcleo surgiu da necessidade de levar conhecimento para as construtoras, que em determinado momento queriam, desejavam virar a chave da mudança. Várias fizeram isso sem muito conhecimento e tiveram que recuar e acertar alguns detalhes, inclusive de processo, e não tinham o pleno conhecimento para isso. Nesse cenário, várias empresas encabeçadas pela Signo Engenharia tomaram o mesmo rumo, a fim de auxiliar e ajudar a desenvolver esse sistema construtivo na cadeia da construção civil brasileira.

 

 

Cleverson Aislan Callera é engenheiro civil com MBA em Gestão Estratégica de Negócios, gestor Nacional no Segmento de Engenharia do Grupo Astra, onde é colaborador desde 1998.

 

 

* Sobre o Grupo Astra

 

Fundada em 1957, a Astra S/A Indústria e Comércio é uma das mais importantes indústrias fornecedoras de produtos para o mercado da construção. Entre os itens fabricados estão linhas líderes de mercado, como assentos sanitários, armários e espelheiras, sistemas de descarga, acessórios para banheiro, banheiras e spas, cubas e gabinetes de vidro, tanques e lavatórios, duchas elétricas, linha hidráulica, linha elétrica, utilidades domésticas, itens para jardinagem, esquadrias de alumínio, aquecedores a gás, acessibilidade e uma completa linha técnica de produtos voltados para os canteiros de obras, comercializados diretamente para construtoras em todo o Brasil. A Astra faz parte de um grupo de empresas do mesmo ramo de atuação, que inclui ainda a indústria Japi e a marca Integral.

 

A Japi produz uma linha completa de metais hidrossanitários, uma linha de coletores de entulho, cubas e pias de sobrepor em louça, uma parte complementar na linha estrutural com caixas e masseiras para mistura de argamassa. Integral é uma marca que produz esquadrias em alumínio sob medida para atendimentos às construtoras.

 

Em 2014, o Grupo Astra faturou R$ 671 milhões e investiu R$ 9,6 milhões em seu parque industrial na cidade de Jundiaí (SP), onde estão sediadas as 11 unidades da empresa, a 60 km da capital paulista, somando 144.200 m² de área construída. Cerca de 2.540 empregos diretos são gerados pelas atividades das indústrias. São seis mil itens comercializados em mais de 36.700 pontos de vendas pelo Brasil. O Grupo Astra tem na exportação 6,7% de seu faturamento e já está presente em toda a América Latina, Estados Unidos e em países da África e Oriente Médio.

 

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Controle tecnológico do concreto

O concreto é o insumo principal do sistema construtivo Parede de Concreto. Precisamos tratá-lo com cuidado nas diversas etapas de sua aplicação: definição do traço, preparo, recebimento na obra e verificação das resistências após seu lançamento. Nesta entrevista, o engenheiro Álvaro Sérgio Barbosa Junior, da RED Engenharia e Consultoria, profissional especialista no assunto “Controle Tecnológico”, trata deste tema.

 

Por que controlar o concreto?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior - Sabemos que o concreto produzido em central ou canteiro é um serviço e não um produto final. Sendo assim, pode sofrer variações de qualidade, desde a matéria-prima como a aplicação. Há um grande número de variáveis que influenciam as características do concreto. Além de rigorosa seleção e ensaios de recebimento dos materiais e de competentes estudos de dosagens, é indispensável, como para os demais produtos industriais normalizados, o controle tecnológico do concreto e das demais características do produto final “concreto armado”.

 

Quais são as etapas necessárias para o monitoramento e controle do concreto?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior - São três as etapas:

Controle dos materiais constituintes e da produção

Controle do concreto fresco

Controle do concreto endurecido

 

Fale um pouco sobre cada uma dessas etapas.

Álvaro Sérgio Barbosa Junior - Certo.

 

  • Controle dos materiais: Os ensaios para recebimento, controle tecnológico e caracterização do cimento, agregados, água de amassamento, adições e aditivos devem ser executados conforme os procedimentos da NBR. 12654.
  • Concreto fresco: São serviços para proceder à aceitação na obra do concreto fresco, independentemente da modalidade de preparo. No ato do recebimento, após se verificar e conferir no documento de entrega do concreto as características solicitadas e contratadas, deve ser realizada a execução de cada tipo de concretagem.
  • Concreto endurecido: São ensaios realizados em corpos-de-prova moldados durante a concretagem. Os resultados obtidos servem para definir a aceitação ou rejeição do lote de concreto controlado.

 

Quando e o que devemos fazer em cada uma das etapas?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior - A intensidade, rigor, processo de controle, amostragem, tipo de ensaio e resultados devem estar dimensionados e equilibrados com o nível de qualidade que se deseja para determinado empreendimento e a grande responsabilidade da estrutura. Em outros termos, o nível de controle tecnológico praticado em uma estrutura para durar 30 anos não pode ser o mesmo para uma estrutura cuja vida útil seja de 100 anos ou,  ainda, as exigências quanto ao grau de agressividade em ambiente moderado não pode ser as mesmas para ambiente agressivo, forte e muito forte. Consultar um tecnologista facilita o dimensionamento do controle, cujo preço será equilibrado com o nível do controle tecnológico.

 

Existe uma norma específica para o assunto?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior - Os ensaios para recebimento, controle tecnológico e caracterização do cimento, agregados, água de amassamento, adições e aditivos devem ser executados conforme os procedimentos da NBR. 12654. Há também a NBR 12655 – Concreto de Cimento Portland – Preparo, controle e recebimento – Procedimento, que define as responsabilidades, parâmetros para estudos da dosagem e da resistência do concreto, condições de preparo, ensaios de controle de aceitação e rejeição dos lotes de concreto controlado durante as concretagens.

 

Uma etapa é mais importante do que a outra?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior - Todas as etapas se interligam desde a concepção até a entrega do concreto.

 

Que profissionais devem se envolver no controle tecnológico do concreto?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior - Existe o engenheiro tecnologista, que tem a especialidade e conhecimento de materiais e suas características, bem como as empresa de Controle Tecnológico de Materiais.

 

Como avaliar se o concreto utilizado irá alterar o desempenho da estrutura?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior - Através das normas e seus ensaios podemos concluir qual será a sua vida útil.

 

Quais os riscos de não efetuar um controle do concreto em alguma das etapas previstas?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior - Podemos correr sérios riscos quanto à vida útil da estrutura pois, como sempre dizemos, romper corpos-de-prova, somente, não garante nada, simplesmente documenta o erro.

 

O que fazer para que as construtoras se sensibilizem a realizar este procedimento?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior - Primeiro temos que conscientizar a construtora que os serviços fazem parte da garantia da qualidade da obra como um todo, demonstrar o objetivo dos controles e ensaios, na qualidade de seu empreendimento e seu diferencial apresentado ao cliente final.

 

Algumas dicas sobre o tema?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior - O diferencial de mercado, hoje, é dado pelas empresas com acreditação do Inmetro, pois sofrem auditorias anuais em seus sistemas internos e procedimentos, conforme as normas e treinamento de seus funcionários.

 

Como você avalia a iniciativa de criação do Núcleo de Referência de Parede de Concreto?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior - Avalio positivamente, pois são através de iniciativas como essa que o nosso mercado vai se conscientizando quanto à qualidade da obra e suas garantias.

 

 

Álvaro Sérgio Barbosa Júnior é engenheiro civil formado pela Universidade de Guarulhos  (1999), pós-graduado em Gestão em Construção Civil (Universidade Federal Fluminense, 2004) e mestre na Área de Transportes / Pavimentação pela Unicamp (2008). Ocupa o cargo de diretor-presidente da RED Engenharia e Consultoria, onde coordena e supervisiona  contratos públicos e privados de serviços de fiscalização de obras, controle tecnológico de concreto, aço, solos e pavimentação, inspeção, serviços topográficos, assessoria técnica, laudos e pareceres técnicos. 

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A cura do concreto e sua importância

O insumo concreto é uma das mais importantes variáveis do sistema parede de concreto. Porém, ainda observamos em alguns empreendimentos a não execução do processo de cura após a realização da concretagem. Afinal de contas, qual a importância deste procedimento? Precisamos executar ou não a cura do concreto? O engenheiro Rubens Curti, profissional com muita experiência no setor da construção, e que tem acompanhado de perto a história do sistema parede de concreto nos últimos anos, fala um pouco sobre este assunto.

 

O que vem a ser a cura do concreto?

Rubens Curti - O concreto, para adquirir as propriedades para as quais foi especificado, precisa ter boa dosagem, boa aplicação e excelente cura. A cura é um conjunto de medidas tomadas para evitar a evaporação da água de amassamento utilizada na dosagem do concreto aplicado. O cimento necessita da água para promover a sua hidratação. Uma dosagem de concreto é composta por cimento, água, agregado miúdos e graúdos e eventualmente aditivo. A única reação química que se processa com esses materiais é a reação do cimento com a água, portanto tem que ter água suficiente para que a reação se processe.

 

Qual a importância de se realizar este procedimento?

Curti - Se não houver uma perfeita hidratação do cimento, vai ocorrer perda de resistência, pois parte do cimento vai ficar anidro. Quando não ocorre a perfeita hidratação do cimento, não vai ocorrer a formação dos C- S-H (Silicatos de Cálcio Hidratados), que é a principal fase proveniente da hidratação do cimento Portland e tem grande influência na maioria das propriedades físicas e mecânicas dos materiais cimentícios.

 

Existe uma norma específica para o assunto?

Curti - A ABNT NBR 14931 – “Execução de Estruturas de Concreto – Procedimento” estabelece como deve ser feita a cura do concreto no item 10.1. Também a NBR 16.055 – “Parede de concreto moldada no local” faz referência ao procedimento de cura – item 20.

 

Quando se faz necessária a cura?

Curti - Sempre que trabalharmos com material cimentício.

 

No sistema parede de concreto, temos concretagem quase todos os dias. Talvez por isto as empresas deixem passar em branco o processo de cura. Isso é normal?

Curti - Não deveria ser, pois temos alternativas de executar a cura (manter a água no interior da massa de concreto), como, por exemplo, a cura química, que é usada em grande escala nas obras onde há uma superfície muito grande exposta (pavimentos de concreto, pistas e pátios de aeroportos, paredes de concreto etc.). É uma operação que deve ser executada após o acabamento do concreto, quando exposto, ou após a retirada das fôrmas, no caso de paredes de concreto, muros, pilar parede.

 

Que processo de cura você recomendaria para o sistema parede de concreto (monolítico)?

Curti - No caso das paredes de concreto a cura química seria a mais recomendada. Ao realizar o processo de cura química, a empresa deve deixar a película aplicada sobre o concreto durante sete dias, no mínimo. Um ponto importante a ser avaliado: os agentes de cura são à base de parafinas, ceras ou acrílicos que podem dificultar a aderência de argamassas de revestimentos. Neste caso, antes de revestir as paredes, o agente de cura deve ser removido. Uma limpeza superficial da área de contato com escova de aço é suficiente.

 

 

Existe alguma consequência para a estrutura de concreto executada sem cura, em relação a outra com cura?

Curti - Sim, além da perda de resistência do concreto também devem ocorrer patologias como, por exemplo, fissuras de retração. Essa patologia ocorre quando a velocidade de evaporação é maior que a velocidade de exsudação, que é intrínseca a todos os concretos.

 

O que fazer para que as construtoras se sensibilizem a realizar este procedimento?

Curti - É uma “missão” muito difícil convencer uma construtora a fazer cura em concreto, independente se a peça de concreto é vertical ou horizontal. Um jeito de tentar convencer as construtoras é divulgar os malefícios que a falta de cura pode provocar no concreto.

 

Algumas dicas sobre o tema?

Curti - Há várias alternativas de cura para manter a água no interior da massa do concreto, a fim de que todas as reações do cimento com a água se processem:

  • Umedecer a superfície do concreto através de aspersão manual de água; >> Desvantagem: a superfície do concreto tem que ser molhada constantemente por um operário.
  • Manter úmida a superfície do concreto construindo-se pequenas barreiras nas bordas da superfície (horizontal) para que ocorra o represamento de uma lamina de água;
  • Manter úmida a superfície do concreto com auxílio de sacos de aniagem umedecidos, mantas de bidim umedecidas, camada de areia úmida, camada de serragem úmida, sacos de cimentos umedecidos etc.
  •  Utilizar agentes de cura que, aplicados nas superfícies do concreto, evitam a perda de água; este processo é mais aconselhável em grandes superfícies, como pavimentos de concretos, pistas e pátios de aeroportos etc., e em superfícies verticais, que é o caso das paredes de concreto.
  • No caso das superfícies verticais, também se pode fazer a cura com aspersão de água através de “chuveirinhos”.
  • A utilização de mantas de bidim umedecidas para envolver as peças verticais é uma boa alternativa.

 

Como você avalia a iniciativa de criação do Núcleo de Referencia de Parede de Concreto?

Curti - Mais uma ótima iniciativa para que as nossas obras sejam bem executadas, principalmente em se tratando de paredes de concreto, que é uma técnica de execução relativamente nova no país.

 

Rubens Curti é engenheiro civil, formado pela Faculdade de Engenharia da Fundação Armando Álvares Penteado (1976). Trabalhou como gerente de Tecnologia durante 10 anos na Concrelix e por 18 anos com gerente técnico do Laboratório de concreto e argamassa da empresa Falcão Bauer. Curti é atualmente coordenador do laboratório de concreto e argamassa da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), área em que possui diversos cursos de aperfeiçoamento.

 

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Interferências de sistemas com as paredes de concreto

É cada vez mais importante a integração dos diversos subsistemas na elaboração dos projetos executivos e na execução do sistema parede de concreto. O resultado final depende da boa interação entre os diversos sistemas e os fornecedores de materiais e serviços têm especificado premissas e recomendações técnicas para isso. Fôrmas e cimbramento, instalações elétricas e hidrossanitárias, caixilhos, portas de madeira e armações das telas soldadas são os principais subsistemas a serem integrados com o sistema principal parede de concreto. Para falar deste assunto, convidamos o engenheiro Arnoldo Wendler – projetista de estrutura –  profissional de destaque no setor da construção e que tem acompanhado de perto todo o processo de crescimento e consolidação deste sistema.

 

Como projetista estrutural e coordenador da Norma de Projeto e Execução das Paredes de Concreto moldadas no local (NBR 16.055), você poderia comentar as características principais do cálculo estrutural face às interferências dos outros subsistemas?

Arnoldo Wendler - Neste sistema todas as paredes compõem a estrutura da edificação. Portanto, qualquer elemento embutido ou abertura existente interfere no funcionamento estrutural. Percebe-se a importância, para o projeto estrutural, que tem o conhecimento de todo e qualquer elemento presente nas paredes. Isso implica na execução conjunta dos vários projetos com uma constante compatibilização entre os mesmos. Percebe-se a relevância disso quando a norma NBR 16055:2012 diz, nos itens 5.3 (parte de projeto) e 18.1 (parte de execução): “Os projetos de fôrma, escoramentos, detalhes embutidos ou vazados e os projetos de instalações devem ser validados pelo projetista de estrutura.”

 

Que subsistemas merecem mais atenção quando da compatibilização com o projeto estrutural?

Wendler - Certamente são as instalações elétricas, hidráulicas e sistemas. Muitas vezes temos que considerar o embutimento ou não das mesmas. Esta decisão é regida pela norma NBR 16055, que já no seu item 5.1 diz: “A decisão quanto ao embutimento ou não das instalações nas paredes deve ser do projetista estrutural, de forma a não comprometer o sistema construtivo. Além disso, tal decisão deve considerar as exigências de manutenibilidade das instalações hidrossanitárias e elétricas ao longo da vida útil da edificação.”

 

Quais são os principais cuidados de cada subsistema na fase de projeto – conceitos e premissas?

Wendler - O princípio básico é minimizar as interferências na seção horizontal das paredes, ou seja, utilizar sempre as instalações na vertical. A principal interferência acontece com as instalações elétricas: pela sua quantidade é de extrema importância a orientação dos projetistas de instalações quanto ao posicionamento correto das instalações, sempre na vertical. Ainda hoje, temos raras opções (tanto de produtos com custo adequado quanto de aceite pelo consumidor) de utilização de instalações elétricas aparentes.

 

No processo de cálculo vamos considerar como paredes estruturais apenas os trechos onde não existirem instalações horizontais ou inclinadas. No caso de instalações elétricas na vertical de no máximo 25 mm, podemos imaginar que a perda de seção horizontal é muito pequena e, portanto, não afeta a resistência total da parede. Mesmo assim, não devemos utilizar mais de um eletroduto no mesmo ponto, ou seja, espaçá-los de no mínimo duas vezes a espessura da parede. Caso haja necessidade de eletrodutos de maior diâmetro, é necessário examinar a interferência, colocando tela dupla no local (fig. 1). O caso das instalações hidráulicas já é diferente. Não podemos colocá-las simplesmente dentro da parede, pois isto não garantiria a sua manutenibilidade, prevista na Norma de Desempenho NBR 15575. Para realizar qualquer reparo seria preciso quebrar a parede, que é a estrutura da edificação. Se precisarmos colocar as instalações dentro da espessura da parede, devemos prever um espaço livre, como uma abertura ou uma janela. O projetista de estruturas deverá reforçar as paredes nesta posição. Esta abertura (fig. 2) poderá ser total (em toda a altura da parede) ou parcial. No primeiro caso é obrigatória a consideração de duas paredes independentes. No segundo caso, o projetista irá verificar se existe a possibilidade da consideração de uma única parede sem perda de rigidez do sistema. Observe que uma consideração deste tipo afeta todo o cálculo da estrutura da edificação e, portanto, não poderá ser determinada após a execução do edifício. Mais uma vez se vê a importância da compatibilização dos projetos. Percebe-se como as instalações embutidas interferem na estrutura das paredes. As instalações sanitárias de maior diâmetro passam sempre por fora da parede em shafts planejados. Existe uma forte tendência de se utilizar estes mesmos shafts para as principais prumadas hidráulicas. Outra possibilidade é colocar as instalações fora da parede com acabamento de carenagem de fibra. Estas instalações podem ser de material rígido convencional ou flexíveis (tecnologia PEX). No caso de edifícios muito altos, com uma quantidade muito grande de eletrodutos, tanto de elétrica como de sistemas, estes também precisam ficar fora da parede em shafts específicos ou carenagens de piso a piso.

 

Durante a execução das paredes, quais os cuidados com estes mesmos subsistemas?

Wendler - Tão importante quanto os projetos compatibilizados é a boa execução das paredes. Os principais cuidados nas instalações elétricas se referem ao posicionamento correto e boa vedação do sistema. Temos que lembrar que esses materiais vão estar colocados na fôrma quando da concretagem. Sofrerão portanto com a pressão do concreto fresco e eventual adensamento por vibração. É necessário a utilização de caixinhas elétricas vedadas (de alumínio ou plástico), especiais e colocação de eletrodutos resistentes e com conexões próprias para evitar a entrada de nata de cimento nos mesmos. O posicionamento será dado com a colocação de espaçadores em quantidade apropriada (2 unidades por metro de eletroduto). Na execução devemos lembrar também que, em virtude da velocidade da obra, o planejamento do escoramento residual permanente é de fundamental importância para as deformações do sistema. O projetista de estruturas deve atuar em conjunto com a construtora para estabelecer o esquema de escoramento e as idades de retirada do mesmo.

 

A NBR 16.055 contempla recomendações e restrições para alguns dos subsistemas?

Wendler - A norma dá algumas orientações (item 13.3): “Não se admitem tubulações horizontais, a não ser trechos de até um terço do comprimento da parede, não ultrapassando 1 m, desde que este trecho seja considerado não estrutural. Em nenhuma hipótese são permitidas tubulações, verticais ou horizontais, nos encontros de paredes.”

 

A cadeia de fornecedores de materiais tem contribuído para oferta de soluções que possibilitem a melhoria de desempenho do sistema?

Wendler - A cadeia de fornecedores já está preparada para o fornecimento de todos os produtos específicos para o sistema. Eles foram desenvolvidos juntamente com projetistas e construtoras, resolvendo ao longo do tempo os detalhes necessários. Várias empresas vêm participando há anos junto com os grupos de estudo no desenvolvimento do sistema, inclusive na redação da Norma NBR 16055.

 

Cite alguns exemplos e as melhorias que elas proporcionam.

Wendler - Acessórios para instalações elétricas de paredes e lajes, caixinha elétrica vedada e com espaçador para posicionamento, espaçador plástico para posicionamento de eletrodutos, quadros de distribuição e de passagem, tela específica para proteção na posição de eletrodutos de maior diâmetro (fig. 3).

 

O que ainda falta para melhorar a interação dos sistemas?

Wendler - Sempre há muita coisa a melhorar. De momento recomendamos uma atenção muito grande nas fases de planejamento e projeto, que devem ser compatibilizados também com a executibilidade da obra. No desenvolvimento futuro há espaço para novos materiais e novas tecnologias desenvolvidas especificamente para o sistema.

 

Quais as responsabilidades dos projetistas de estrutura na compatibilização dos projetos e na verificação da execução?

Wendler - Como o sistema é uma única grande estrutura a responsabilidade do projetista de estruturas é total. Ele deve aprovar todos os elementos ou vazados que apareçam nas paredes e compatibilizá-los. Além disso deve observar as restrições da Norma de Paredes, NBR 16055, assim como da norma de concreto armado, NBR 6118, e também da norma de Desempenho, NBR 15575. Por exemplo, a parede de concreto com 10 cm de espessura atende a todos os requisitos da norma de desempenho, inclusive desempenho acústico, desde que não tenha aberturas. Devemos evitar a colocação de quadros de distribuição em paredes de divisa e principalmente a colocação de caixinhas de elétrica fundo a fundo. Isso cria um “túnel” de passagem de som de um ambiente para outro.

 

O que você recomendaria a uma empresa que fosse utilizar o sistema pela primeira vez?

Wendler - Primeiramente, informar-se ao máximo sobre o sistema. Temos muitos textos produzidos pelos grupos de estudo que podem ser encontrados nos sites das instituições patrocinadoras: ABCP, ABESC, IBTS. Depois, cercar-se de consultores e projetistas com experiência no sistema. O planejamento, projeto e execução têm muitos detalhes específicos deste sistema, principalmente em face da velocidade da obra.

 

Os critérios e premissas valem para todas as tipologias de produto?

Wendler - Sim, mas são cada vez mais importantes conforme aumenta o nível de tensões nas paredes, quer seja pela altura da edificação ou pela utilização de poucas paredes estruturais (possibilidade de diferentes layouts).

 

Como você avalia a iniciativa de criação do Núcleo de Referência de Parede de Concreto?

Wendler - É de fundamental importância para a transferência do conhecimento que existe sobre o sistema. Como se trata de um sistema que agora está em franca expansão, existem muitas construtoras que necessitam das informações sobre ele para os processos de decisão. Neste ponto, o Núcleo de Referência de Parede de Concreto contribui muito para o desenvolvimento do sistema da maneira correta.

 

 

Arnoldo Wendler é engenheiro civil formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (1977), ex-professor de Resistência dos Materiais e Concreto Armado da EPUSP, diretor da Wendler Projetos, com mais de 1300 projetos, coordenador de alvenaria estrutural de vários polos da Comunidade da Construção e coordenador da NBR16055 – Paredes de Concreto.

 

 

 

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Fôrmas de alumínio – Variável competitiva

Uma das variáveis importantes para um melhor desempenho do sistema construtivo de paredes de concreto moldadas no local é a escolha da fôrma. As fôrmas de alumínio (manoportáveis) têm características bastante interessantes: possibilitam a concretagem de paredes e lajes em uma única etapa e consequentemente ciclos de produção reduzidos; têm excelente precisão geométrica e, se “bem tratadas”, podem ser reutilizadas inúmeras vezes (ultrapassam os 1.000 usos). Convidamos o engenheiro Felipe Otoya, CEO da FORSA, empresa colombiana com larga experiência na fabricação e fornecimento de fôrmas de alumínio para diversos países do mundo (América Central, Europa e África), para falar sobre sua experiência e sua visão do mercado brasileiro na utilização das fôrmas de alumínio. A FORSA mantém operação comercial no Brasil desde 2008, quando forneceu os primeiros jogos de fôrmas para um empreendimento da construtora Bairro Novo situado em Cotia-SP.

 

Fale um pouco sobre a Forsa.

Felipe Otoya - Somos uma empresa dedicada a projeto, fabricação e vendas de fôrmas em alumínio para construção de casas, sobrados, prédios, hotéis, penitenciárias. Atuamos há mais de 18 anos. Nosso diferencial é o serviço e o conhecimento técnico das pessoas que trabalham conosco. A FORSA iniciou suas exportações em 1998.

 

Em que países a FORSA atua?

Felipe Otoya - Começamos nossas operações na Colômbia, porém, em 1997 a crise do sistema hipotecário do país fez parar por completo a construção. Esse fato nos obrigou a buscar novos mercados ou do contrário teríamos que fechar a fábrica. Tivemos dois anos de muito trabalho e dificuldades. Hoje, a FORSA possui escritórios em mais de 17 países e mantém a liderança em países como México, Guatemala, Salvador, Honduras, Costa Rica, Nicarágua, Panamá, Colômbia, Equador, Peru, Chile, Venezuela, Argentina, Uruguai, Jamaica, República Dominicana, Trinidad e Tobago, Espanha, Senegal, Angola, Marrocos e Iran, entre outros.

 

Esses países possuem características semelhantes às do Brasil no negócio habitação?

Felipe Otoya - Acredito que Colômbia e México possuem características semelhantes às do Brasil, pelo apoio que os governos oferecem para esse setor da economia. O México chegou a ter programas habitacionais de mais de 600.000 habitações por ano, muito parecidos ao Minha Casa, Minha Vida, lançado pelo governo brasileiro há quatro anos. A Colômbia, neste momento, tem programas que permitem o crescimento do setor de habitações em nosso país.

 

Na sua opinião, qual destes países é referência de produtividade e qualidade no uso de fôrmas de alumínio?

Felipe Otoya - A Colômbia, com certeza, é uma grande referência. Iniciamos depois da crise de 1997 e os construtores mudaram dos sistemas tradicionais para paredes de concreto. Isto teve um alto impacto nas construtoras: aprender e dominar a tecnologia de paredes de  concreto, onde a FORSA teve um papel muito importante na capacitação e acompanhamento da utilização do sistema de fôrmas em alumínio.

 

Por que a decisão de vir para o Brasil em 2008, antes mesmo do programa Minha Casa Minha Vida?

Felipe Otoya - Na verdade, chegamos ao Brasil em 2004, quando as construtoras não tinham o menor conhecimento do sistema de fôrmas de alumínio. Em 2005, apresentando o sistema para alguns profissionais brasileiros, eles perceberam o potencial e a importância de adotar um sistema diferenciado para a construção de habitações. Fruto desta aproximação, fizemos os primeiros testes técnicos no Instituto Tecnológico de Furnas para credenciar o sistema junto à Caixa Econômica Federal (desempenhos térmico e acústico). Depois dos testes, ABCP, ABESC e IBTS – importantes associações setoriais – planejaram em 2007 uma missão de construtoras brasileiras para o Chile e a Colômbia com o objetivo de conhecer a utilização das fôrmas de alumínio na construção das edificações com o sistema paredes de concreto. Nesse momento, a FORSA fez sua primeira venda para uma empresa brasileira, a Bairro Novo. Acredito que este foi o início, no Brasil, das habitações em paredes de concreto.

 

Quais as maiores dificuldades encontradas no início de suas atividades?

Felipe Otoya - As maiores dificuldades encontradas foram:

  • A língua portuguesa.
  • As dificuldades, como estrangeiros, para fazer a implantação da nossa empresa. Por exemplo: alugar um escritório, comprar um celular, alugar um carro.
  • O desconhecimento do sistema por parte das construtoras.
  • O fato de a CAIXA não aceitar o sistema de paredes em concreto, considerado inovador.
  • Por não ter um programa de construção popular definido pelo governo, todo o esforço da FORSA de informar sobre o sistema se perdia, porque as construtoras não tinham obras onde utilizar o sistema.

 

O programa Minha Casa Minha Vida e a norma NBR 16055 foram marcos importantes para evolução do sistema construtivo em questão. Como você projeta o potencial de utilização deste sistema face a estes marcos?

Felipe Otoya - Indiscutivelmente, o programa MCMV e a norma NBR 16055 foram importantes para a evolução do sistema. O potencial de utilização é muito grande porque agora temos as seguintes oportunidades:

  • A CAIXA agora aceita e avalia o sistema de paredes em concreto para os projetos do MCMV.
  • A divulgação feita por ABESC, ABCP, IBTS e os profissionais autônomos, sobre a norma e a gestão de obras em paredes de concreto, é um fator de alto impacto para os construtores.
  • Cada dia mais construtoras estão querendo adotar o sistema de paredes em concreto com fôrmas em alumínio para seus projetos, pela quantidade de vantagens que estas oferecem.
  • Este sistema poderá ser utilizado em segmentos da construção além do programa Minha Casa Minha Vida – edifícios residenciais altos, hotéis etc.

 

Fale sobre a utilização das fôrmas de alumínio no Brasil, nos últimos cinco anos.

Felipe Otoya - As fôrmas de alumínio FORSA demonstram uma variável importante para  o sistema. Muito adequado e eficiente para cobrir o déficit habitacional do Brasil, devido a sua versatilidade e mobilidade, podendo ser usado nas regiões mais remotas do país. Para nós,  a principal evolução do nosso sistema nesses anos de Brasil foi a questão dos acessórios de segurança do trabalhador. Atualmente, todo o nosso sistema está em conformidade com a NR 18. Desenvolvemos um sistema completo de passarelas e guarda-corpos (foto); inclusive, esses equipamentos estão começando a ser utilizados em outros países onde atuamos.

 

Temos hoje várias empresas nacionais e internacionais comercializando fôrmas de alumínio no Brasil.  A oferta está equilibrada com a demanda existente?

Felipe Otoya - As construtoras brasileiras tem a facilidade de comprar este produto com financiamento através do Finame, o que as empresas estrangeiras não podem oferecer por não produzirem aqui no Brasil. É uma situação que nos traz dificuldade no fechamento de alguns negócios, sem dúvida. Para o mercado, de uma forma geral, gera um gargalo no fornecimento. Com a demanda atual, acabam atrasando as entregas, o que causa transtornos enormes e muitas vezes prejuízos nos negócios das construtoras. A oferta estrangeira pode contribuir para equilibrar esta demanda existente, oferecendo alternativas diferentes aos clientes. Este é o cenário atual. Nós da FORSA precisamos nos adaptar e gerar vantagens competitivas que superem a variável Finame. O que ofertamos para o mercado: preço competitivo, prazo de entrega muito eficiente (até 60 dias posto obra), qualidade do produto, equipamentos completos de segurança do trabalho, uma eficiente equipe técnica para treinamento e atendimento pós-obra, pagamento parcelado com juros bastante interessantes. Firmamos ainda uma parceria com a trading Comexport, que se responsabiliza por todos os trâmites de transporte e despachos do material adquirido, desde a nossa fábrica (Cali-Colômbia) até o porto de desembarque aqui no Brasil. Afinal são 18 anos de experiência neste mercado. Inauguramos recentemente uma oficina de manutenção e estoque de peças no Brasil, em São Paulo, para atender a qualquer demanda urgente que os nossos clientes possam necessitar. Sem dúvida, ficamos mais ágeis e próximos dos nossos clientes. O mercado brasileiro é altamente estratégico para a nossa empresa.

 

Ainda se ouve falar que as fôrmas de alumínio são caras e necessitam de um número de utilizações muito alto para serem viáveis. Comente sobre isto.

Felipe Otoya - A análise da viabilidade das fôrmas de alumínio não pode ser feita  simplesmente pelo preço de venda. Ela deve considerar todas as interfaces de custos que acontecem pelo fato de o construtor usar outro tipo de fôrma, de qualidade inferior, ou outros sistemas. Fôrmas de alumínio permitem economias significativas em:

  • Mão de obra: Não requerem mão de obra qualificada (muito importante para o custo no Brasil), têm uma curva de aprendizado reduzida, e quantidade de trabalhadores também.
  • Acabamentos: O custo de reparo e acabamentos é muito alto no Brasil; com o sistema parede de concreto eles diminuem muito; e há a possibilidade de incluir detalhes arquitetônicos. A qualidade estrutural obtida com o processo é muito superior a qualquer outro sistema construtivo existente.
  • Velocidade na construção: Uma habitação em ciclo reduzido significa que todos os custos fixos administrativos serão diminuídos; o sistema também permite entregar unidades simultaneamente, enquanto outras unidades estão em outras fases de construção.
  • Minimização de resíduos: Muitas vezes é difícil quantificá-los e tornam-se extremamente onerosos.

Quando são consideradas as variáveis acima, o conceito de “caro” desaparece com a economia obtida nessas áreas; os ganhos podem facilmente cobrir o valor do equipamento. É a importância da análise integrada do negócio. O construtor amortiza seu investimento entre 200 e 240 usos das fôrmas (cerca de um ano de trabalho), tendo em conta que a vida útil do equipamento é de mais de 1200 aplicações, o seja, cerca de 20% da sua vida útil.

 

Na sua avaliação, ainda existem gargalos na interação entre construtoras e fornecedores de fôrmas de alumínio?

Felipe Otoya - Os gargalos que existem entre construtoras e fornecedores de fôrmas de alumínio são:

  • Que os fornecedores de fôrmas de alumínio tenham melhor conhecimento técnico sobre como construir com as fôrmas de alumínio, para que as construtoras obtenham  melhores resultados em seu negócio.
  • Que os fornecedores de fôrmas de alumínio tenham um melhor conhecimento sobre a gestão da obra, para orientar melhor aos clientes, e que façam alianças com empresas como o Núcleo de Referência de Parede de Concreto, para oferecer uma boa assessoria aos clientes. Isso acontece porque os clientes estão mudando dos sistemas tradicionais de construção para paredes de concreto e precisam de maior conhecimento da gestão do processo.

 

O que é preciso fazer para melhorar?

Felipe Otoya - É preciso:

  • Continuar com as divulgações do sistema de paredes em concreto para que mais construtoras adotem este sistema em seus próximos projetos.
  • Continuar informando as construtoras sobre a gestão de obra com um sistema industrializado com fôrmas de alumínio.
  • Que o governo do Brasil permita às empresas construtoras locais acessar créditos especiais de empresas fornecedoras estrangeiras – como a FORSA –, para adquirir fôrmas de alumínio. Assim seremos mais competitivos.

 

Quais as principais dicas para um construtor que se propõe a construir utilizando o sistema parede de concreto com fôrmas de alumínio?

Felipe Otoya - As dicas que eu daria a um construtor:

  • Que exija dos fornecedores de fôrmas de alumínio um real assessoramento técnico do sistema.
  • Que contrate calculistas, projetos executivos e gestão de obras com profissionais que tenham experiência neste sistema. No Brasil, existem várias opções locais.
  • Que exija assistência técnica no canteiro, assim que as fôrmas estejam na obra.
  • Que trabalhe muito em conjunto com os fornecedores, para otimização de seus projetos, buscando interação com o sistema.

 

Como você avalia a iniciativa de criação do Núcleo de Referência de Parede de Concreto?

Felipe Otoya - Para nós, que tivemos, no início, a liderança do sistema no Brasil, mas por não termos a nossa fábrica aqui perdemos muitas oportunidades de negócios, o Núcleo é uma grande oportunidade para poder mostrar a todos os construtores do Brasil que somos os mas antigos no negócio de fôrmas de alumínio. Temos muita experiência nesse sistema e contamos com uma equipe técnica muito forte no Brasil. Igualmente, é o veículo para continuar com a divulgação do sistema de paredes de concreto, da norma, de boas práticas e de todas as empresas fornecedoras de produtos e serviços para esse sistema construtivo. Para a FORSA é um grande prazer participar e contribuir com a evolução do sistema construtivo através de um meio muito técnico e profissional que é o Núcleo de Referência de Parede de Concreto.

 

 

O engenheiro mecânico Felipe Otoya nasceu em Cali, Colômbia. Formado pela Universidade Autônoma do Ocidente, especializou-se em finanças pela Universidade Valle e em técnicas de produção na Alemanha. É pós-graduado em alta gerência internacional pela Universidade ICESI Cali. Em 1995 fundou a empresa FORSA, dedicada a projetos e fabricação de fôrmas em alumínio para construção de habitações (paredes de concreto), onde trabalha até hoje.

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Desempenho térmico e as paredes de concreto

 

A confiança na utilização do sistema construtivo parede de concreto moldada no local se fortaleceu ainda mais depois da publicação da norma específica ABNT NBR 16.055, que trata de projeto e execução. Ainda assim, com relação a esse sistema construtivo, o assunto “desempenho térmico” é objeto de perguntas e algumas dúvidas recorrentes. Por isso, convidamos o arquiteto Mauricio Roriz, professor e pesquisador da Universidade Federal de São Carlos (SP), e profundo conhecedor do tema.

 

Fale sobre sua participação em ações relacionadas ao desempenho térmico nas edificações que utilizam o sistema construtivo paredes de concreto moldadas no local.

Maurício Roriz - Em meados de 2002, atendendo a uma solicitação da construtora InPar, elaborei uma avaliação sobre o desempenho térmico de edifícios habitacionais do Projeto Viver, construídos por aquela empresa na cidade de São Paulo e que adotavam paredes de concreto. Este meu primeiro estudo sobre tal sistema construtivo foi particularmente interessante por conjugar avaliação teórica e monitoramento das temperaturas internas nas unidades habitacionais. Desde então, tenho desenvolvido muitos outros trabalhos sobre o assunto, seja no âmbito acadêmico, seja por meio de consultorias que envolveram a avaliação de edificações submetidas aos diversos tipos de clima que caracterizam o território brasileiro. A maioria desses trabalhos abordou paredes moldadas no local, mas este aspecto é pouco relevante para o desempenho térmico, pois usualmente este tipo de concreto apresenta as mesmas propriedades térmicas que o concreto pré-moldado.

 

Quais as principais variáveis para obtermos um bom desempenho térmico?

Roriz - O conceito mais geral é que a envoltória do edifício deve atuar como um filtro em relação ao ambiente externo, impedindo a entrada dos elementos indesejáveis, mas permitindo que os ambientes internos se beneficiem dos elementos que contribuam para o conforto dos usuários. No entanto, para sabermos se determinado elemento é desejável ou não, precisamos considerar cada tipo de clima, cada tipo de ocupação (habitação, escola, comércio, indústria etc.) e diferenciar ambientes ventilados naturalmente e ambientes com sistemas eletromecânicos de condicionamento térmico. Relaciono, a seguir, as variáveis que interferem mais significativamente no desempenho térmico das edificações. Conforme acabo de mencionar, cada uma dessas interferências pode ser desejável ou não …

 

Grupo A) Variáveis arquitetônicas

- Orientação: Devido aos movimentos relativos entre a Terra e o Sol, edifícios com as maiores fachadas orientadas a norte e sul recebem menores intensidades de radiação solar.

- Superfícies envidraçadas na envoltória: O vidro comum permite a entrada dos raios solares, mas impede a saída do calor radiante produzido internamente (Efeito Estufa). Por este motivo, se queremos evitar o sobreaquecimento dos ambientes internos, precisamos sombrear as superfícies envidraçadas, por meio de elementos construtivos bem projetados, que permitam a captação da luz natural e impeçam a entrada dos raios solares.

- Áreas efetivas de aberturas para ventilação: Para evitar desperdício de energia, em ambientes dotados de equipamentos de ar-condicionado devem ser reduzidas as infiltrações do ar exterior. Por outro lado, nos casos em que se pretenda usufruir da ventilação natural, o dimensionamento e as posições das aberturas devem ser cuidadosamente detalhados, em função das fontes internas de calor (pessoas, lâmpadas, equipamentos etc.) e das características (velocidade e direção) dos ventos predominantes no lugar.

- Absortância solar das superfícies opacas expostas ao sol: A absortância solar é uma propriedade física das superfícies opacas que indica a porcentagem da radiação solar incidente que é absorvida pelo corpo (e transformada em calor). A parcela visível da radiação solar corresponde a aproximadamente 48% do total emitido pelo Sol e sua absorção é diretamente proporcional à cor da superfície, sendo mais baixa em superfícies claras e mais alta nas escuras. Superfícies mais rugosas também apresentam absortâncias mais altas. Assim, coberturas e fachadas mais lisas e claras absorvem menos radiação solar visível e, por consequência, se aquecem menos. A intensidade da absorção dos outros 52% do espectro solar varia em função de propriedades químicas de cada substância e não pode ser estimada visualmente. Para muitos materiais, entretanto, a absortância na faixa visível pode ser um indicador da que ocorre no infravermelho.

 

Grupo B) Variáveis dos materiais e sistemas construtivos

- Resistência térmica das vedações construtivas: A resistência térmica (em m2.oC/W) de uma placa homogênea é dada pela razão entre a espessura da placa (em metros) e a condutividade térmica (em W/m.oC) do material de que é constituída. Como o ar tem condutividade muito baixa, materiais mais porosos geralmente apresentam condutividades mais baixas do que os mais densos. Denomina-se Transmitância Térmica de um corpo ao inverso de sua resistência e a Transmitância é a propriedade usualmente mencionada em normas técnicas. Em regiões sujeitas a inverno rigoroso, vedações construtivas com baixa Transmitância são mais recomendáveis, pois contribuem para evitar as perdas do calor disponível nos ambientes internos e cuja produção geralmente implica em consumo de energia. Ambientes com equipamentos de ar-condicionado também precisam de níveis mais altos de isolamento térmico (baixa Transmitância), para evitar ou restringir os ganhos indesejáveis do calor exterior. Por outro lado, em edificações naturalmente ventiladas e submetidas aos climas predominantes no território brasileiro, há muitas situações em que baixas Transmitâncias são contraproducentes, pois dificultam a dissipação do calor interno. Por este motivo, considero que seria oportuna a revisão de algumas de nossas normas técnicas, que recomendam apenas os limites superiores da Transmitância para todas as Zonas Bioclimáticas estabelecidas para o país.

- Capacidade térmica das vedações construtivas: Capacidade térmica é uma propriedade física que indica a capacidade de um corpo para armazenar calor. De modo geral, esta propriedade é mais alta em corpos cujas massa e densidade sejam também mais altas. Em climas com maiores amplitudes térmicas (diferenças entre as temperaturas máximas e mínimas), sistemas construtivos mais espessos e mais densos acumulam calor nas horas mais quentes do dia e o liberam durante a madrugada, quando o ar é normalmente mais frio, contribuindo assim para reduzir as oscilações das temperaturas internas e proporcionar mais conforto aos usuários.

 

Essas recomendações independem da tipologia (casa térrea, sobrados, edifícios) a ser construída?

Roriz - Em relação ao desempenho térmico, o número de pavimentos tem três implicações principais. Por um lado, o pavimento térreo é o único que troca calor com o solo (cuja temperatura é sempre mais estável que a do ar), enquanto o pavimento mais alto é o único que recebe a radiação solar através da cobertura. Por fim, o vento incide com maiores velocidades nos pavimentos mais altos em relação ao solo. Excetuando-se estas particularidades, as recomendações construtivas não dependem do número de pavimentos da edificação.

 

Ainda encontramos muita desinformação sobre esse tema. No seu entendimento, o que precisa ser feito para nivelar conhecimento e informação sobre o assunto?

Roriz - Esta desinformação tem causas facilmente identificáveis e corrigíveis. Uma das causas é a força da tradição, que faz com que persistam, em nosso meio técnico, alguns hábitos e conceitos que não atendem às atuais exigências do mercado. Diferentemente do que acontece em outros países do Cone Sul, no Brasil ainda é muito recente o processo de normatização sobre desempenho térmico e adequação climática de edificações. Até o ano de 2005, quando foi publicada pela ABNT a primeira norma sobre o assunto (NBR 15220), predominava no país o costume de repetir-se um mesmo “projeto padrão” desde Porto Alegre até Brasília, Fortaleza ou Manaus. O objetivo óbvio era reduzir-se custos, mas os resultados deixavam muito a desejar quanto a diversos aspectos da qualidade, especialmente o desempenho térmico. Se comparamos antigos conjuntos habitacionais, financiados pelo então BNH (Banco Nacional da Habitação), aos mais recentes, construídos já sob o vigor de novas normas técnicas, constataremos significativa evolução dos níveis de qualidade. Para ampliar a difusão do conhecimento e das técnicas que contribuem para elevar os níveis de desempenho térmico das edificações, precisaremos rever os conteúdos ministrados nos cursos de graduação, continuarmos aperfeiçoando progressivamente o nosso corpo de normas e, ao mesmo tempo, usarmos os meios disponíveis de comunicação para campanhas de divulgação, junto à sociedade, dos conceitos fundamentais e das virtudes da adequação climática do ambiente construído. Reputo esta última providência como de alta relevância, pois um mercado consumidor mais consciente certamente será um importante aliado no esforço nacional de melhorar-se a qualidade do “produto edifício”.

 

Podemos afirmar que o sistema de paredes de concreto tem um bom desempenho térmico?

Roriz - Aprendi, de um velho amigo e professor, que não há materiais bons ou maus. Cada material é caracterizado por um conjunto de propriedades e nos cabe conhecê-las e aplicá-las corretamente. As paredes em concreto não fogem a esta regra. Quando comparadas a outros sistemas construtivos de vedação, as paredes de concreto apresentam importantes diferenças. Em primeiro lugar, o concreto é um dos materiais de construção mais exaustivamente estudados e caracterizados, fato que resulta em modelos matemáticos muito consistentes disponíveis para o seu dimensionamento. Além desse fato, paredes de concreto proporcionam significativas reduções no tempo das obras e elevações na produtividade e no controle de qualidade do processo construtivo, particularmente se as compararmos com as milenares (e inexplicavelmente persistentes) técnicas de empilhar-se pedras ou tijolos. Também sob o aspecto funcional as paredes em concreto se diferenciam das alvenarias convencionais, na medida em que conjugam as funções de vedação com as de suporte estrutural. Em relação ao desempenho térmico, conforme já mencionei, tenho avaliado edificações com paredes em concreto submetidas aos diversos climas existentes no Brasil e posso afirmar que, nos poucos casos em que os resultados não foram satisfatórios, as causas sempre estiveram relacionadas a equívocos de projeto, mas não às propriedades do concreto.

 

De forma resumida, que dicas e recomendações o senhor poderia passar às empresas que estão no momento de tomada de decisão para utilização do sistema construtivo paredes de concreto moldadas no local?

Roriz - Estou convencido de que as paredes em concreto vieram para ficar e, portanto, as empresas que investirem na qualificação e atualização de seus corpos técnicos e adotarem projetos arquitetônicos bem elaborados, serão muito bem sucedidas e poderão contribuir para que superemos nosso ainda elevado déficit habitacional, dentro de menores prazos e com edificações de maior qualidade.

 

Como o senhor avalia a iniciativa de criação do Núcleo de Referência de Parede de Concreto?

Roriz - Considero muito oportuna e parabenizo aos autores da iniciativa, pois o Núcleo certamente poderá exercer importante papel na difusão das melhores técnicas relativas ao sistema construtivo.

 

* Maurício Roriz é arquiteto, mestre e doutor em Tecnologia da Arquitetura pela Universidade de São Paulo. Docente aposentado do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Áreas de ensino e pesquisa: Arquitetura Bioclimática; Conforto Ambiental; Iluminação Natural; Desempenho Térmico, Adequação Climática e Eficiência Energética de Edificações.

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Parede de concreto em prédios altos

 

A utilização do sistema construtivo em paredes de concreto moldadas “in loco” cresce a cada dia. No segmento das habitações econômicas se apresenta como uma opção de destaque. Observamos um novo movimento de decisão pelas construtoras: a utilização do processo em prédios verticais, fora do segmento econômico. A rapidez do processo, eliminação das etapas construtivas, uso de mão de obra disponível sem qualificação e as diversas opções de materiais, produtos e serviços desenvolvidos pela cadeia deste sistema induzem aos tomadores de decisão partir para esta solução nos empreendimentos de maiores alturas. Convidamos o engenheiro Francisco Paulo Graziano para nos falar um pouco sobre este movimento. Ele tem participado junto a construtoras de destaque e referencia no mercado dos estudos e avaliações para tomada de decisão da utilização do sistema neste perfil de empreendimento.

 

Fale um pouco sobre o perfil das construtoras que têm demonstrado interesse em utilizar o sistema parede de concreto moldado no local em prédios altos, fora do segmento econômico.

 

Francisco Paulo Graziano - Na verdade não tenho identificado um perfil de empresa, mas sim um perfil de pessoas que têm compreendido que estamos vivendo um momento de intensa mudança no cenário tecnológico do setor da construção de edifícios no Brasil, onde crescem a escassez de mão de obra, a necessidade de maior velocidade de construir. Nesta linha, este sistema tem potencial para dar resposta a estas necessidades, porém o sistema ainda apresenta-se não totalmente desenvolvido no Brasil, devido a nossa relativa inexperiência na aplicação desta tecnologia e a vícios culturais que veem distorcendo o papel do engenheiro na construção de edifícios.

 

 

Quais, na sua opinião, os diferenciais deste sistema para este nicho?

 

Graziano - Este sistema, como já se sabe, permite a simultaneidade de execução da estrutura e grande parte das “paredes” das edificações, eliminando alguns ciclos executivos tradicionais, tais como: execução das alvenarias, aplicação de revestimento às fachadas e às paredes internas etc. No caso de edifícios mais altos, acima de 12 pavimentos, a vantagem econômica já se apresenta na composição de custos dos materiais quando comparados aos outros sistemas tradicionais empregados largamente na construção de edifícios no Brasil, ou seja, não é necessária a consideração da velocidade executiva no equilíbrio dos custos, para justificar a sua viabilidade.

 

Com relação ao desempenho estrutural, quais as vantagens?

 

Graziano - Os edifícios em paredes de concreto são extremamente rígidos quando comparados aos convencionais ou até mesmo aos seus equivalentes em alvenaria estrutural. Garantindo baixo nível de deformações e bom desempenho às ações laterais, tais como vento e outras.

 

Falando de competitividade, como este sistema contribui para melhorar a performance do negócio das construtoras?

 

Graziano - Como toda tecnologia aplicada à engenharia, este sistema tem bônus e tem demandas em relação à postura da equipe de engenharia das construtoras. Exige uma visão mais industrializada do negócio da construção, com uma postura mais tecnológica da equipe de operação, focada no entendimento das vantagens e cuidados necessários para que o sistema dê os bônus esperados. Isto posto, a contribuição deste será percebida na qualidade da obra como produto final, menos dispersão dos resultados de um edifício para outro, aumento de produtividade e qualidade conforme se incorpora a cultura tecnológica e a postura mais responsável da equipe executiva.

 

Construir com este sistema em obras horizontais e de baixa altura é a mesma coisa que construir prédios mais altos (acima de 12 pavimentos)?

 

Graziano - Não, a estratégia de ataque à obra, a organização do canteiro, a determinação da quantidade de forma e de equipes executivas e ciclo são completamente diferentes. Além disso, as prioridades do dimensionamento no projeto estrutural é totalmente diferente.

 

Observamos a utilização de dois processos para execução deste sistema: formas de alumínio manoportáveis e formas trepantes com utilização de gruas para içamento. Sob o ponto de vista estrutural, como você avalia estas opções?

 

Graziano - Sob a ótica do projeto estrutural, não há grande alteração, dependendo da tipologia adotada para o sistema, ou seja, uma tipologia com grande quantidade de partições estruturais ou o contrário. Conforme se apresenta o caso, uma ou outra pode ser a mais adequada.

 

Cuidados especiais devem ser tomados para execução destes empreendimentos?

 

Graziano - Em primeiro lugar, a cultura técnica da equipe executiva da empresa, que deve ter a compreensão de que este sistema não admite a postura de “tocador de obra” e sim a de quem planeja, estuda, aplica o que planeja e está atento a rever o plano de execução da obra, numa constante e disciplinada busca de melhoria contínua. Em segundo lugar, a contratação de uma equipe de bons projetistas, comprometida com o sucesso deste sistema.

 

Que dicas você daria a uma empresa que pensa em utilizar o sistema pela primeira vez?

 

Graziano - Começar aplicando em tipologias mais simples e para um número de unidades compatível com a capacidade da empresa de custear o aprendizado e amadurecimento da equipe de obra. Desta forma, a pressão por prazo e resultado fica menor e a equipe tem a oportunidade de aprender a trabalhar com esta tecnologia.

 

Como devemos tratar as interfaces arquitetura, estrutura e instalações elétricas e hidrossanitárias na elaboração dos projetos executivos?

 

Graziano - Os projetos constituem uma parte importante da viabilidade do sistema, pois nele encontra-se implícito o entendimento de como o processo executivo deverá se dar, impondo facilidades ou dificuldades executivas. Estas características se consolidam muito cedo quando das primeiras decisões tomadas pela equipe de projeto. Por este motivo, a equipe deve estar constituída desde o princípio, trabalhando e decidindo conjuntamente com o cliente quais as melhores posturas que serão adotadas no projeto.

 

A cadeia de projetistas de estrutura está preparada para este perfil de obra?

 

Graziano - Estamos vivendo uma fase de grande demanda de trabalho em todas as áreas da cadeia da construção, sendo que viemos de uma longa fase depressiva, onde pouco ou nada se fez para formar profissionais em todas as áreas, por falta de mercado e falta de visão estratégica do setor. No que tange às construtoras, estas se tornaram empresas que não têm, com raras exceções, uma visão de planejamento e técnica do que se propõe executar, criando-se a máxima de que o engenheiro de obra é tão somente de produção, sem necessidade de se envolver no projeto. Entendo que o sucesso deste processo depende do alinhamento de ambas as partes com o envolvimento de todos no sucesso do empreendimento, sem divisões estanques de responsabilidades e sim uma polarização de todos pelo sucesso do empreendimento. Com este tipo de abordagem é que os projetistas devem ser contratados e escolhidos, porém sem esquecer da lição de casa que cabe ao cliente e construtora.

 

A recente NBR 16.055 – Projeto e execução paredes de concreto moldada no local atende a este tipo de obra?

 

Graziano - Com certeza, ela foi preparada para isto e atende muito bem. Porém, requer um “feedback” do mercado para sua constante renovação e atualização para que não se desatualize.

 

De quais empreendimentos já concluídos você participou neste segmento? Quais os aprendizados você elencaria?

 

Graziano - A nossa empresa, desde o início da formação dos grupos de estudos motivados pela ABCP, ficou mais focado nos edifícios altos, acima de sete pavimentos, por entender que este tipo de edificação executada em paredes de concreto tem viabilidade indiscutível e praticamente independente do ritmo acelerado de execução que o processo permite esperar, devido ao bom desempenho deste sistema quando comparado ao de alvenaria estrutural ou ao de estrutura convencional. Então iniciamos por edifícios de 15, 17 e 20 andares em projetos que hoje estão entregues por grandes incorporadoras do país, tais como Gafisa, OAS, Tenda, dentre outras. Posteriormente, em situações específicas e de viabilidade muito bem estudada, projetamos torres de menor porte de até quatro pavimentos para a Cury e Queiroz Galvão em grande quantidade de unidades, acima de 10.000 unidades. Hoje estamos estudando a viabilidade de novos empreendimentos de um padrão mais elevado para uma grande incorporadora que promete competir muito bem com a estrutura convencional tanto em custo de materiais e mão de obra, quanto em capacidade de dar ao produto uma boa capacidade de adaptação às necessidade do cliente de ampliar ou alterar a planta.

 

Como a você avalia a iniciativa de criação do Núcleo de Referencia de Parede de Concreto?

Graziano - Vejo esta iniciativa com muito bons olhos pois permite que o conhecimento, as experiências vividas de sucesso e insucesso sejam recolhidas e transformadas em recomendações aos projetistas e construtores interessados na tecnologia, suprindo uma lacuna que vem se estendendo a todo o setor de preservação da história técnica da obra e do projeto que fica, quando muito, encapsulada na cabeça das pessoas que participaram de um determinado empreendimento, sem a devida análise crítica e recolhimento da documentação de acervo técnico que vem se perdendo nas últimas décadas. É uma iniciativa a ser replicada em outros segmentos da cadeia da construção.

 

* Francisco Paulo Graziano é engenheiro civil formado pelo Instituto Mauá de Tecnologia – IMT, mestre em Engenharia de Estruturas pela Escola Politécnica da USP, professor do Departamento de Estruturas da EPUSP desde 1979, relator da NBR-6118 de 1993 a 2003. Participou da confecção da NBR-16055 e foi o redator do texto base da Norma de Desempenho – parte estrutural – NBR-15575. Ganhou os seguintes prêmios: Prêmio Emílio Baungarten – IBRACON; Prêmio Talento Estrutural – ABECE – Gerdau; Prêmio PUFA ABECE – Arcelor; Prêmio PUFA ABECE – TQS. Diretor da Pasqua e Graziano, consultoria, concepção e projeto estrutural, Graziano desenvolveu projetos estruturais nas áreas residencial, comercial, “malls”, centro de distribuição, arenas de esportes, alojamentos olímpicos, dentre outros, totalizando mais de 40.000.000 de m² em área estrutural, projetadas nos últimos 30 anos.

 

 

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Parede de concreto na Rodobens Negócios Imobiliários

 

Perfil da Rodobens Negócios Imobiliários

 

Fundada há 21 anos, a Rodobens Negócios Imobiliários, a primeira incorporadora do País em desenvolvimento sustentável* e uma das maiores construtoras do Brasil**, atua em todo o território nacional com empreendimentos nos segmentos Popular (até R$ 100 mil), Supereconômico(até R$ 200 mil) e Econômico (a partir de R$ 200 mil). Iniciou, em julho de 2012, a atuação em dois novos segmentos, com as empresas Rodobens Malls, com o objetivo de explorar áreas por meio do desenvolvimento de centros comerciais, e a Rodobens Urbanismo, que tem,  como foco, o desenvolvimento de grandes áreas destinadas a loteamentos.
A Rodobens  Negócios Imobiliários, empresa com capital aberto desde Janeiro de 2007, lançou, desde a sua fundação, 161 empreendimentos, em 55 cidades de 12 estados brasileiros (SP, MG, RJ, PR, RS, CE, MT, MS, SC, PA, BA e GO), com mais de 60 mil unidades e 4,3 milhões de m².

 

Construir com agilidade, eficiência e sem desperdícios de materiais ou agressão ao meio ambiente foram os pilares que definiram o processo construtivo “parede de concreto” utilizado pela Rodobens Negócios Imobiliários em seus empreendimentos no país.

 

A Rodobens Negócios Imobiliários faz parte das Empresas Rodobens, corporação com tradição de mais de 60 anos no mercado, que atua com destaque e pioneirismo no Brasil e na Argentina, com forte atuação nos setores automotivo, financeiro e imobiliário e, atualmente, um dos 100 maiores grupos empresariais do País (Ranking Melhores e Maiores da Revista Exame- Edição 2011, publicado em 2012).
*Segmento construção e engenharia – ranking Anuário Valor 1000 – 2012

 

** Conforme o Ranking ITC 2011 – As 100 Maiores da Construção, editado pela ITC, e na classificação final do segmento construção e engenharia  do Anuário Valor 1000 – 2012.

 

 

 

 

 

A Rodobens Negócios Imobiliários foi uma das primeiras construtoras a utilizar o sistema paredes de concreto em seus empreendimentos.

 

Convidamos o Eng. Marcos Domingues Ferreira, Diretor de Planejamento, Projetos e Orçamentos da Rodobens Negócios Imobiliários, profissional que acompanhou desde o início a implantação e operação deste processo, para nos contar um pouco esta experiência de sucesso:

 

 

Fale um pouco sobre este processo de implantação do sistema.

 

A Rodobens Negócios Imobiliários foi precursora, no Brasil, na utilização do sistema construtivo de Parede de Concreto, tendo iniciado a utilização a partir do processo de abertura de capital.

 

Escolhemos trabalhar com este sistema, pois precisávamos de um diferencial em relação às outras empresas do segmento e garantia de fornecimento de material e mão de obra de qualidade nas várias regiões do Brasil onde atuamos, o que não seria possível por meio da utilização do sistema de construção convencional. Com o sistema construtivo de paredes de concreto temos o fornecimento do concreto em todas as praças de atuação e treinamos mão de obra sem qualificação, ensinando a montarem formas aos contratados.

 

O Processo Construtivo da Rodobens Negócios Imobiliários garante agilidade, eficiência e preservação ambiental. A tecnologia, aplicada em empreendimentos horizontais e verticais, consiste na execução de fundações tipo radier e de paredes em concreto fluido, num processo de alta velocidade e ausência de desperdício ou agressão ao meio ambiente.  O modelo prevê a aplicação do concreto em formas plástico, metálica e alumínio, resultando em paredes já prontas  para pintura e acabamentos finais, sem a necessidade de reboco e entulhos. Estas paredes, conforme testes realizados pelo IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas da Universidade de São Paulo, também oferecem resistência e isolamento térmico e acústico, gerando mais conforto aos moradores.

 

 

 

Como foi o processo de implantação desta tecnologia na empresa?

 

Foi difícil, pois não tínhamos no Brasil fornecedores de formas, materiais elétricos e hidráulicos adequados para o sistema construtivo, além da ausência de normas brasileira vigente. Assim, tivemos que quebrar vários paradigmas.

 

 

Quais as dificuldades enfrentadas na adoção do sistema, no início do processo?

 

Primeiro tivemos que fazer todas as analises no IPT de conforto térmico e acústico.

 

Desenvolver traço adequado, pois o concreto não podia ser vibrado, tinha que ser fluido e atender o conforto térmico.

 

Depois de passar por todas as análises, tivemos que desenvolver fornecedores de materiais e mão de obra, pois, na época, não tínhamos fornecedores, existindo apenas os de forma plástica no Brasil, por isso que trabalhamos com este tipo de forma por longo período. Posteriormente, começamos a importar formas de alumínio.

 

Atualmente, trabalhamos somente com formas de alumínio.

 

 

Alguma restrição da área comercial e de incorporação da empresa pela escolha do sistema?

 

Não, pois fizemos um trabalho em conjunto com todas as áreas da companhia e todos compartilham da mesma idéia.

 

 

Este sistema já está consolidado na sua empresa?

 

Totalmente. Acredito que somos a empresa que concretou  o maior número de unidades habitacionais no Brasil com este processo construtivo e vamos continuar atuando com essa tecnologia nos empreendimentos horizontais e verticais.

 

 

Que dicas você daria a uma empresa que pensa em utilizar o sistema, pela primeira vez?

 

Que façam uma análise criteriosa em relação aos investimentos para que possam verificar se os custos compensam e se terá repetição construtiva suficiente para arcar com o investimento inicial que justifique a implantação deste processo construtivo.

 

 

Vocês iniciaram a utilização deste sistema em empreendimentos horizontais com a tipologia de casas geminadas. Quantas unidades já foram concluídas neste modelo?

 

Aproximadamente 35 mil unidades.

 

 

 

Vocês têm algum indicador de pós-obra, das unidades já habitadas? Itens como desempenho térmico e desempenho acústico foram pontuados?

 

Sim. Fazemos acompanhamento por meio de pesquisas de satisfação interna e o resultado é muito bom.

 

 

A Rodobens Negócios Imobiliários fez um primeiro empreendimento vertical em São José do Rio Preto, utilizando este sistema em prédios de 7 pavimentos.  Qual foi o resultado obtido, na utilização do sistema Parede de Concreto?

 

Excelente. Aprimoramos alguns procedimentos e conseguimos dar mais velocidade para a obra, por exemplo, finalizamos uma torre de 7 pavimentos  com 62 unidades, depois da fundação concretada, em apenas 14 semanas.

 

Conseguimos também uma grande redução de resíduos, fato que foi de encontro com os objetivos de sustentabilidade da companhia.

 

 

 

 

 

Você acha que a utilização em prédios altos, do sistema parede de concreto é uma tendência de mercado?

 

Eu não diria tendência, mas uma boa opção, onde também iremos atuar.

 

 

Como a você avalia a iniciativa de criação do Núcleo de Referência de Parede de Concreto?

 

Excelente, pois é um grupo que está voltado ao aprimoramento do sistema construtivo, sendo um facilitador para as empresas em conhecer mais essa tecnologia construtiva.

 

 

 

Marcos Domingues Ferreira

Engenheiro Civil formado pela Faculdade de Engenharia Civil D. Pedro de são José do Rio Preto/SP, com 26 anos de experiência no setor de engenharia, responsável técnico da empresa, atuando sempre em cargos de Liderança.

Atualmente, Ferreira atua na Rodobens Negócios Imobiliários como Diretor de Planejamento, Projetos e Orçamentos, respondendo também pelas áreas de Pós Obras e Suprimentos.

 

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Parede de concreto em empreendimentos de incorporação imobiliária

Com a promulgação da Norma NBR 16.055 – Projeto e execução de paredes de concreto moldadas no local, o sistema ganha destaque como uma opção rápida e competitiva, possibilitando as construtoras, cumprir suas metas de prazo, de  custos e qualidade nos seus empreendimentos . Uma boa alternativa técnica…

 

O programa do governo Minha Casa Minha Vida tem sido um importante alavancador para disseminação deste sistema.

 

Mas também o mercado imobiliário tradicional, já vem utilizando esta opção construtiva, principalmente em prédios altos (acima de 18 pavimentos ) . Uma tendência que acreditamos que irá se consolidar ainda mais nos próximos anos.

 

A empresa MaxCasa, desenvolvedora e detentora da marca MaxHaus, com sede em São Paulo, tem utilizado o sistema parede de concreto na construção de seus empreendimentos em várias regiões do pais , de forma destacada.

 

Convidamos o Eng. Luiz Henrique de Vasconcellos – Diretor de Engenharia da Maxcasa – profissional de profunda experiência no assunto, para falar sobre o tema:

 

 

Luiz, fale um pouco sobre a sua empresa e o conceito do produto MaxHaus

 

A Maxcasa começou suas atividades em janeiro de 2007, com a finalidade de criar e desenvolver o produto que denominamos MaxHaus, um apartamento de 70 m2 de área privativa com o conceito de arquitetura aberta, pensado e desenvolvido para dar flexibilidade ao apartamento, onde a pessoa pode criar quantos cômodos quiser.

As pessoas tem necessidades diferentes e também valorizam os espaços de modo diferente, além das necessidades de espaços também se alteram ao longo da vida da pessoa, e MaxHaus foi criado para atender este anseio de customização das unidades, onde esta pode ser feita sempre por complementação, sem necessidade de destruição do anterior.

 

 

Por que a escolha do sistema parede de concreto? Quando aconteceu a primeira obra?

 

O sistema de parede de concreto foi concebido quando da criação do projeto, e nossa primeira obra que teve início em outubro de 2008 já contemplava este sistema.

Fomos buscar uma tecnologia utilizada com sucesso em diferentes países, principalmente para edifícios de grande porte, e este sistema de formas trepantes por nós utilizado nos proporciona uma grande precisão geométrica e dimensional, com desvios mínimos de prumo, nos permitindo ainda ter todas as paredes externas acabadas para pintura ou então para receber o acabamento final através de algum sistema especial, sem necessidade da fase de revestimento externo em argamassa.

Isto representa redução do prazo final de obra e logicamente redução da necessidade de mão de obra no canteiro.

 

 

Quantos prédios e quantas unidades já foram concluídas e em que cidades?

 

Até hoje já concluímos a estrutura de concreto de 30 edifícios, sendo que 20 deles já foram entregues aos proprietários, e temos outros 12 edifícios com estrutura de concreto em execução ou com empreendimento em fase de lançamento ou de projetos.

Hoje temos empreendimentos em São Paulo, Porto Alegre, Campinas, Praia Brava em Santa Catarina e estamos estudando outras praças, fato que mostra que as características do produto se aplicam em diferentes praças.

 

 

Falando agora do sistema parede de concreto, atendeu as suas expectativas? Por que?

 

Nosso sistema compreende as paredes externas em concreto, com núcleo central também contendo grandes pilares ou paredes, e não temos vigas internas de modo a dar maior flexibilidade de lay outs, atendendo assim a necessidades de nossos clientes. Nosso edifício é calculado como pórticos tridimensionais, e temos uma rigidez global maior da estrutura, reduzindo assim uma série de patologias pertinentes ao sistema convencional.

O sistema tem uma plataforma de trabalho para montagem das paredes, e outra logo abaixo para reparos e acertos do acabamento final, nos permitindo assim fazer as correções necessárias com o concreto ainda fresco, reduzindo drasticamente as patologias inerentes ao revestimento externo.

Por não termos a necessidade do revestimento externo e de não necessitarmos de prazo para fazer as paredes externas de alvenaria, conseguimos reduzir significativamente o prazo de obra, tendo um ganho bastante significativo no resultado do empreendimento como um todo.

Nas ultimas medições realizadas, utilizando os índices atuais de produtividade do mercado, constatamos que estamos trabalhando com uma redução de 35% a 40% de mão de obra, um grande problema atual do mercado, que também nos afeta, mas de modo bem mais reduzido do que vemos atualmente em outros canteiros.

Medições realizadas recentemente em diversos de nossos empreendimentos nos mostrou um desaprumo máximo de 5 a 7 mm em edifícios de 20 andares, nos dando mais uma vez a certeza de nossa decisão em adotar este sistema.

 

 

 

Este sistema já está consolidado na sua empresa?

 

Tivemos um trabalho grande para o desenvolvimento e aplicação correta do sistema, pois o mesmo não se resume simplesmente à forma, e houve a necessidade de desenvolvimento conjunto com diversos fornecedores cujos produtos também pertencem ao sistema, como por exemplo gabaritos de janela, frisos que aplicados à forma já estarão fazendo parte da parede acabada, argamassa de correção do acabamento externo, concreto que passou a ter outras necessidades adicionais, etc…

Parte de nossas obras são terceirizadas, e esta metodologia desenvolvida pela Maxcasa vem sendo aplicada com sucesso por diferentes construtores, e hoje temos totais condições de repassar e treinar as equipes de produção de diferentes construtores para a aplicação correta do sistema.

No ano passado fizemos nosso Io. Encontro MaxHaus de Engenharia Aplicada, onde as melhores práticas e metodologias utilizadas foram apresentadas e debatidas por todos, com a presença do corpo de engenharia e também de diversos Mestres de Obras de diferentes empresas, e hoje temos vários manuais já desenvolvidos, consolidados e com sucesso na aplicação em diferentes obras de diferentes cidades.

Em 30/jan/2013 faremos nosso IIo. Encontro MaxHaus de Engenharia Aplicada, e debateremos mais uma vez a evolução do sistema, bem como as melhores práticas dos canteiros, uniformizando mais uma vez os procedimentos pertinentes ao sistema.

 

 

 

Com o número de unidades já concluídas, vocês já realizaram alguma pesquisa de satisfação dos usuários, com relação ao sistema em questão?

O sistema por nós utilizado não gerou qualquer questionamento por parte de nossos clientes, e nos empreendimentos já entregues este fato também não gerou qualquer desconforto ou insatisfação aos mesmos.

 

 

Você acredita que outras construtoras irão seguir o exemplo da MaxHaus?

 

Usamos pela primeira vez esta tecnologia em edifícios residenciais no Brasil, e hoje já vejo algumas companhias, principalmente de grande porte, usando esta tecnologia também em edifícios comerciais para execução do núcleo central do edifício, sendo o restante executado com parte em estrutura metálica.

Algumas destas empresas que hoje utilizam esta tecnologia visitaram nossos canteiros para conhecer o sistema, sua praticidade e produtividade, e a própria utilização pelas mesmas posteriormente nos dá a certeza dos ganhos que o sistema proporciona.

Esta tecnologia exige uma preparação do corpo técnico, tanto de execução como de planejamento, para a utilização da mesma e exige também um grande trabalho de planejamento da produção e do canteiro de obras, por ter a obrigatoriedade da utilização de gruas de grande porte que movimentam grandes painéis.

 

 

Algumas recomendações especiais para quem for utilizar este sistema, na sua visão?

 

Toda implantação de um novo sistema requer uma avaliação prévia e preparação da empresa para a adoção do mesmo. Temos que avaliar também a real capacidade da empresa em replicar este sistema, estabelecendo as diretrizes e metodologia de treinamento a ser implantada, criando seus manuais de aplicação e de treinamento.

Devemos sempre estar preparados para mudanças na nossa cultura de construção, e as equipes devem ser treinadas para poderem transmitir estes novos conhecimentos a seus pares de forma rápida e segura.

A grande rotatividade existente nas equipes técnicas das empresas, bem como das equipes de condução das obras, vem atrapalhando bastante não só a consolidação da cultura de construção atual das empresas, como também a implantação de novas tecnologias, razão pela qual devemos ter registro de modo bastante seguro da evolução e desenvolvimento desta nova tecnologia, permitindo assim que erros acontecidos no passado não se repitam.

 

 

Não corre o risco de todos os empreendimentos ficarem sempre iguais?

 

O produto é sempre o mesmo, construído com a mesma tecnologia, mas desenvolvemos metodologia para vesti-los de diferentes maneiras, de modo que cada empreendimento seja único.

 

 

Como a você avalia a iniciativa de criação do Núcleo de Referencia de Parede de Concreto?

 

Acho excelente por permitir uma grande troca de conhecimentos que proporciona a todos ter uma evolução muito rápida neste sistema. Esta troca de conhecimentos traz a todos os profissionais participantes um grande crescimento profissional e nos permite acesso as melhores práticas de construção e de procedimentos já testadas e aprovadas por outros.

 

 

Luiz Henrique de Vasconcellos

Engenheiro Civil formado pela Universidade Federal de Juiz de Fora em 1979, dedicou toda sua carreira ao setor de construção civil no mercado imobiliário, ocupando nos últimos 18 anos cargo de Diretor de Engenharia em empresas de grande porte, públicas ou privadas, com vasta experiência em desenvolvimento e implantação de novas tecnologias e metodologias de construção.

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