Archive | Destaque Interno

Revestimentos em parede de concreto

Uma das grandes vantagens do sistema parede de concreto é a redução do número de etapas no processo construtivo. Vedações internas e externas são atividades eliminadas quando se utiliza o sistema parede de concreto. Por conta disto, podemos aplicar nossos revestimentos internos e externos sobre as paredes concretadas, o que proporciona a redução nos prazos e redução de mão de obra. No entanto, algumas dúvidas ainda fazem parte do nosso dia a dia com relação à aplicação desses revestimentos. Para sanar essas dúvidas, o Núcleo de Referência Parede de Concreto convidou a engenheira Elza Nakakura, sócia da empresa LOG Gestão de Obras, profissional reconhecida e especialista de mercado em revestimentos.

 

Mestre em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da USP, engenheira química, bacharel em Matemática e tecnóloga em Construção Civil, Elza Nakakura é uma profissional experiente que domina a área de tecnologia de cimento e concreto. Atuou por 23 anos na ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) e atualmente trabalha como consultora técnica nas áreas de fabricação de cimento, argamassas, concreto, blocos de concreto e sistemas construtivos à base de cimento, além de ministrar palestras, treinamentos e cursos.

 

Fale um pouco da sua empresa e de sua atuação.

Elza Nakakura – Atuamos em indústrias de argamassa, em auditoria de fábricas de blocos de concreto para o Selo da Qualidade ABCP, assistência técnica nos projetos de desenvolvimento de mercado da ABCP (Comunidade da Construção, Empreendedor da Obra, Argamassa Projetada, Bloco Fácil, Alvenaria com Bloco de Concreto) e também desenvolvemos treinamento e conteúdo para engenheiros, técnicos e operários da construção civil em sistema construtivos à base de cimento.

 

Uma realidade atual é o aumento da utilização do sistema parede de concreto em empreendimentos por todo o Brasil. Você tem acompanhado este movimento?

Elza Nakakura – Sim, principalmente após a publicação da norma em 2012 o sistema parede de concreto se consolidou como uma realidade para as construtoras que buscam um sistema que reduz ciclo e traz qualidade.

 

A primeira etapa para aplicação dos revestimentos nas paredes é uma superfície concretada de forma adequada. O que você recomendaria para se conseguir o melhor concreto que receberá externa e internamente algum tipo de revestimento?

Elza Nakakura – É importante verificar a qualidade da superfície das formas que entrarão em contato com o concreto e se todos os travamentos estão posicionados corretamente. Durante a concretagem, são necessários cuidados com o lançamento e adensamento, sendo preferível a utilização de concreto autoadensável para eliminar este último.

 

Neste caso, quais as principais recomendações para aplicação dos produtos sobre o concreto nas fachadas externas?

Elza Nakakura – Verificar a superfície das paredes, eliminando eventuais rebarbas, fechando os furos de ancoragem e, se necessário, fazer limpeza com escovação mecânica e jato de água pressurizada, garantindo assim a retirada de todo material pulverulento.

 

Alguns revestimentos têm sido mais utilizados internamente antes da pintura final: massa corrida, argamassa de base cimentícia, argamassa com base acrílica e gesso. Visando o melhor desempenho, quais são os cuidados na aplicação e recomendações técnicas para estas alternativas?

Elza Nakakura – Além dos cuidados citados na resposta anterior, devemos:

Para a massa corrida, é importante utilizar o produto correto, ou seja, base acrílica externamente e base de PVA internamente. Para as argamassas cimentícias, a indústria tem desenvolvido argamassas de baixa espessura específicas para o sistema parede de concreto. Elas apresentam textura extremamente fina, bastando um leve lixamento após sua aplicação para receber a pintura final. Estas argamassas são formuladas de maneira a garantir, entre outras características, a aderência na superfície do concreto, que é o ponto crítico no sistema de revestimento. Com relação ao gesso, melhora-se a aderência à base com o uso de chapisco rolado.

 

Quais são as alternativas, em termos de materiais, para as faces externas das paredes?

Elza Nakakura – Texturas acrílicas e argamassas de baixa espessura citadas.

 

As alternativas citadas de revestimento “conversam” de forma igual com os diversos tipos de concreto utilizados (autoadensável, convencional ou com alta trabalhabilidade)?

Elza Nakakura – Os concretos utilizados, seja autoadensável, convencional ou com alta trabalhabilidade, tendem a ter como característica a baixa porosidade, aumentando a concentração de nata de cimento e causando assim a vitrificação da superfície. Esta fina camada vitrificada, de baixa permeabilidade, dificulta a aderência dos materiais de revestimento à parede. Uma boa prática, nesta situação, é aplicar revestimentos cimentícios compostos com aditivos poliméricos, que irão contribuir para a ponte de aderência revestimento-parede. O mercado de argamassas já disponibiliza esses produtos específicos para aplicação em paredes de concreto. Se a opção for gesso, a prática recomendada seria a aplicação do chapisco rolado sobre toda a superfície concretada.

 

Como fica a aplicação de azulejo diretemente na parede de concreto? Quais as principais recomendações e tipos de argamassas de assentamento?

Elza Nakakura – Sendo necessário haver adesão química, devemos utilizar produtos mais adesivos (com polímeros). No caso de revestimento interno, recomenda-se utilizar pelo menos uma argamassa colante AC II e argamassa de rejuntamento tipo II; e para uso externo, uma argamassa AC III e argamassa de rejuntamento tipo II. Quanto menor o “pano” do revestimento cerâmico menor será a deformação. As áreas revestidas devem ser menores para que se obtenha mais juntas que irão absorver melhor as deformações. Uma prática também positiva é realizar um teste de arrancamento nas regiões a serem executadas. O revestimento deve ser feito sempre que possível em áreas molhadas, a meia altura em box de banho e bancadas de cozinha.

 

E as aplicações de cerâmica nos pisos?

Elza Nakakura – Quanto aos materiais a serem utilizados, a recomendação segue a mesma dada à parede: argamassas de assentamento tipos AC II ou ACIII e argamassa de rejuntamento tipo II. As juntas de dilatação são necessárias nos perímetros da área revestida e onde há mudança de materiais. Para estas juntas aconselha-se utilizar selantes à base de poliuletano.

 

Como você avalia a iniciativa de criação do Núcleo de Referência Parede de Concreto?

Elza Nakakura – Sempre é valida a união da cadeia construtiva para disseminar e compartilhar conhecimentos, gerando boas práticas.

Posted in Destaque Interno0 Comments

Parede de Concreto e as novas tendências

O sistema parede de concreto moldado no local já é uma realidade da engenharia. Sua utilização pelo mercado da construção aumenta cada vez mais, trazendo junto a cadeia de fornecedores com soluções e inovações interessantes para esta opção construtiva.

Melhorar o desempenho das estruturas e a competitividade das empresas são resultados determinantes para este sistema. Por isso, pode-se observar uma tendência significativa para sua utilização em empreendimentos com menor número de unidades e com tipologias acima de 7 pavimentos.

Para falar sobre o mercado e as novas tendências, o Núcleo de Referência Parede de Concreto convidou o engenheiro Augusto Pedreira de Freitas, cuja empresa tem participado ativamente de estudos e execução de projetos neste nicho.

 

Engenheiro civil formado em 1988 pela Universidade de São Paulo (USP), onde recebeu da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) o prêmio Ary Frederico Torres, conferido ao melhor aluno das cadeiras de estrutura de concreto e construções, Augusto Pedreira de Freitas é titular do Escritório Pedreira de Freitas desde 1992. A empresa desenvolveu mais de 1300 projetos em concreto armado e protendido, parede de concreto, pré-moldados e alvenaria estrutural. O engenheiro foi presidente da Abece (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural), gestão 2014-2016, e acaba de ser homenageado pelo Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto) com o Prêmio Emílio Baumgart 2016, concedido ao Engenheiro de Estruturas de destaque no ano.

 

Fale um pouco sobre a sua empresa.

Augusto Pedreira de Freitas – Este ano, a Pedreira de Freitas comemora 25 anos. Nossa origem foi numa indústria de pré-moldados onde meu pai, “Dr. Pedreira”, era sócio e eu responsável pelo departamento de projetos. Inicialmente os projetos tendiam mais para esta área, mas logo vimos que nossa vocação era pela racionalização de forma mais abrangente. Partimos para racionalizar estruturas convencionais, desenvolvemos diversos conceitos em alvenaria estrutural, sem abandonar os pré-moldados (sistemas de pré-vigas e pré-lajes e de painéis portantes, entre outros) e, desde 2008, temos trabalhado com o sistema de Parede de Concreto, que traz toda a essência do conceito de racionalização e industrialização.

 

Você finalizou recentemente, de maneira brilhante, sua passagem pela Abece como presidente desta associação que é referência do nosso setor. Como este sistema construtivo tem sido avaliado pelos associados da entidade?

Augusto Pedreira de Freitas – Devo o sucesso da gestão a uma diretoria muito atuante. Hoje, o sistema Parede de Concreto é uma realidade. Temos diversos associados com demanda neste sistema, com solicitação de cursos e eventos de discussão. Conseguimos montar alguns cursos e em 2017 existe um compromisso de montarmos um evento específico para discutirmos as possibilidades de melhorias (sempre existem) do sistema em projeto, planejamento e execução.

 

Qual a sua relação com o sistema Parede de Concreto no nicho de prédios altos? Quantas unidades aproximadamente já foram estudadas e executadas pelo seu escritório?

Augusto Pedreira de Freitas – A Pedreira de Freitas iniciou e sempre fez bem mais prédios altos que baixos. Já temos mais de 25 empreendimentos com este sistema para prédios altos, tendo mais de 40 edifícios concluídos e outros tantos em execução ou projeto. A atuação em edifícios mais baixos veio depois, mais recentemente, e é importante ressaltar que “Paredes de Concreto para Edifícios Altos” e “Paredes de Concreto para Prédios até 5 pavimentos e residências” são dois sistemas distintos com considerações diferentes. Se usarmos os mesmos conceitos nestas duas tipologias, teremos problemas de logística e, principalmente, de desempenho.

 

Quais as principais dicas que você daria para o construtor ou incorporador que pensa em utilizar este sistema para prédios altos?

Augusto Pedreira de Freitas – Vale para este e para qualquer sistema. Não se aventure! Implantar algo novo exige muito foco e para conseguir manter o foco é necessário minimizar as incertezas, inerentes de algo novo sendo implantado. Para isto é fundamental se cercar de profissionais com experiência, que sabem os atalhos sem a necessidade de se reinventar a roda todos os dias.

 

Para as empresas que nunca utilizaram o sistema, recomendações especiais?

Augusto Pedreira de Freitas – Além do que já foi comentado acima, é fundamental que se pesquise bastante, sobretudo o sistema de fôrmas e as condições de execução, ciclo, concreto e cura. É preciso saber bem todas as variantes (existem diversas com bastante qualidade) para ver a que melhor se adequa ao empreendimento em questão e à cultura da empresa. Para isto, mais uma vez, se faz necessário se cercar de profissionais experientes no sistema para que, juntos, encontrem a alternativa que melhor se adequa à necessidade.

 

O que você recomendaria aos engenheiros durante o processo de execução das obras que venham a utilizar o sistema em prédios altos?

Augusto Pedreira de Freitas – O trabalho do engenheiro, responsável pela execução de edifícios altos com Parede de Concreto, começa bem antes da execução. É fundamental o planejamento. Não só da execução da estrutura, mas de todos os outros sistemas que vêm na sequência de forma contínua. A gestão das equipes e dos materiais precisa ser muito bem feita para tirar todo o proveito do sistema e ir subindo com o prédio sendo acabado. Deve-se também dar grande atenção ao estudo do canteiro e dos equipamentos de transporte vertical, em função de estoque e movimentação do sistema de fôrmas. Deixamos, finalmente, a construção artesanal para um processo que lembra uma linha de produção.

 

A cadeia de fornecedores, para este nicho, tem contribuído para melhoria dos processos e aumento da produtividade?

Augusto Pedreira de Freitas – De 2008 para cá são apenas oito anos. Mas posso garantir que o prédio executado por este sistema em 2008 não tem nada a ver com o de hoje. Os recursos e os entendimentos evoluíram muito. Os sistemas de fôrmas, temos diversos fornecedores agora, são muito mais completos e garantem produtividade e durabilidade. Os sistemas de instalações têm recursos para todo tipo de situação. Outro ponto que evoluiu foi o de espaçadores e distanciadores, com diversos elementos criados por fornecedores especificamente para o sistema. Difícil encontrar um ponto onde não se tenha algo estudado para resolver de forma simples. O conhecimento do concreto, fundamental no processo, também evoluiu muito.

 

Na sua visão, quais os fatores que têm contribuído para o incremento desta opção construtiva em edificações altas?

Augusto Pedreira de Freitas – Este sistema, bem projetado, planejado e executado, quebra um paradigma e muda completamente a forma de se executar edifícios residenciais. Além de acabar com o processo de execução da fachada com sobe e desce de balancins, permite que se deixe estanques os andares à medida que se vai subindo a estrutura. Isto é fundamental para antecipar atividades e deixá-las isoladas como uma sequência de serviços, como uma linha de produção. Em prédios altos, isto permite um ganho de prazo e ainda possibilita a redução de mão de obra, melhor aproveitada. Em estudos que fizemos, chega a 26% a redução de prazo do empreendimento. Isto possibilita uma gestão bem mais efetiva do fluxo financeiro, podendo antecipar recebíveis ou (no caso de não ser possível antecipar repasse), postergar início de execução e desembolsos.

 

Como devemos tratar o conjunto de projetos executivos (arquitetura, estrutura e instalações elétricas e hidrossanitárias) na busca do melhor desempenho e competitividade?

Augusto Pedreira de Freitas – Esta resposta vai com um link! Fomos convidados pelo Núcleo de Referência a ajudar na elaboração de uma Recomendação: “A Importância do projeto para o sistema construtivo Paredes de Concreto”. Nesta recomendação temos como deve ser desenvolvido o projeto e todas as interfaces.

 

Vale a pena a leitura: http://nucleoparededeconcreto.com.br/especiais/a-importancia-do-projeto-para-o-sistema-construtivo-paredes-de-concreto

 

As construtoras e projetistas estruturais que optaram pelo sistema em prédios altos têm seguido a recente NBR 16.055 – Projeto e execução paredes de concreto moldada no local?

Augusto Pedreira de Freitas – Pelo que temos acompanhado através de consultas de associados e de retorno da Caixa dos empreendimentos que ela acompanha, temos o uso desta importante norma, principalmente para prédios mais altos. Infelizmente, alguns projetistas, entendendo que prédios mais baixos ou residências não precisam de alguns requisitos, não a têm seguido e o retorno, de quem não segue a norma, não tem sido bom, com patologias que poderiam ser evitadas. Também é importante destacar que somos poucos os que trabalham para a evolução desta norma e seria importante a participação de mais projetistas para o enriquecimento das discussões.

 

Como você avalia a iniciativa de criação do Núcleo de Referência Parede de Concreto?

Augusto Pedreira de Freitas – O Núcleo de Referência Parede de Concreto é uma iniciativa a ser copiada por outros segmentos. Juntar o meio técnico, do projeto à execução, para discutir e apresentar as melhores práticas, mostrar depoimentos e disponibilizar informações ajuda a difundir o sistema e a evolução de qualquer sistema ocorre através desse compartilhamento de feedbacks de usuários. Com certeza, o Núcleo de Referência tem contribuído demais para termos um sistema cada vez mais redondo.

Posted in Destaque Interno0 Comments

Parede de Concreto. Por que adotamos o sistema?

viamonte

Viamonte Condomínio Clube, localizado em São Cristóvão, Grande Aracaju (SE)

 

Após a publicação da NBR 16.055:2012, específica para o sistema parede de concreto, empresas de diferentes portes e regiões do Brasil passaram a adotar esta alternativa construtiva. Em 2014, a empresa Nassal Construtora foi uma delas, optando pela utilização dessa tecnologia na execução do empreendimento Viamonte, localizado em Aracaju-SE, o primeiro da empresa neste sistema. Afinal, por que a adoção do sistema parede de concreto? Convidamos o engenheiro Ilan Herculano, diretor de obras da Nassal Construtora, para falar um pouco sobre este assunto.

 

Fale um pouco sobre a Nassal Construtora.

Ilan Herculano – A Nassal Construtora atua há 32 anos no mercado imobiliário de Sergipe, nos segmentos econômicos, médio e alto padrão. Está entre as 60 maiores empresas do mercado imobiliário do Brasil, segundo ranking ITC de 2016.

 

O que levou a Nassal a optar pelo sistema construtivo parede de concreto?

Ilan Herculano – O processo construtivo usual demanda mais mão de obra especializada, mais desperdício de material, gerando aumento dos custos e prazos de construção. Visando a melhoria da qualidade dos nossos produtos, aumento da produtividade nos processos construtivos das obras e redução dos custos de construção, buscamos identificar opções construtivas que trouxessem o conceito de industrialização para nossos canteiros, consequentemente refletindo em maior competitividade da empresa junto ao mercado. O sistema parede de concreto nos pareceu uma boa opção.

 

Qual foi o primeiro empreendimento da Nassal a adotar esta tecnologia? Quais suas características?

Ilan Herculano – O primeiro empreendimento foi o Viamonte Condomínio Clube, localizado na Grande Aracaju, em São Cristóvão. Ele tem sete torres de oito pavimentos cada, perfazendo um total de 448 unidades habitacionais. São apartamentos de 1, 2 e 3 quartos, todos com varanda, dois elevadores por torre e área privativa de até 64,96 metros quadrados.

 

Como foi o processo de decisão para a escolha do sistema construtivo?

Ilan Herculano – Decidimos pelo sistema construtivo de parede de concreto por ser uma opção de grande potencial para a industrialização. Poderíamos também obter ganhos significativos relacionados a prazo, redução de mão de obra e custo. Aproveitamos ainda este sistema para incorporar outros processos também racionalizados que fortaleceram os conceitos da industrialização. Para a Nassal, a aplicação desse novo conceito se estende a outras tipologias a serem construídas. Outro ponto importante na decisão foi o projeto arquitetônico do empreendimento: compatível para sua aplicação.

 

Quais foram as estratégias adotadas na implantação?

Ilan Herculano – Primeiro, houve a fase de estudo do sistema construtivo parede de concreto, no qual contratamos a consultoria de uma empresa com expertise no processo. A partir daí visitamos diversas obras que já aplicavam esse sistema e conversamos com muitos profissionais experientes. Com base nisso, projetamos o nosso sistema principal em concreto e os demais subsistemas construtivos. A segunda fase foi a de planejamento pré-obra, que acredito ser a fase mais importante para alcançar o sucesso na implantação e execução desse sistema construtivo, no qual estudamos e planejamos cada etapa a ser executada. Por último, tivemos a fase de execução, onde adotamos ferramentas de gestão e controle para acompanhar e garantir a sua evolução de acordo com o planejado.

 

Quais foram as preocupações iniciais para esta mudança de tecnologia?

Ilan Herculano – O nosso maior objetivo era garantir que a nova tecnologia realmente proporcionasse todos os benefícios de custo e velocidade de execução da obra na prática.

 

Qual o status atual deste empreendimento?

Ilan Herculano – Estamos com 38% de obra concluída, de sete torres já executamos quatro, em apenas sete meses.

 

Que dificuldades foram encontradas para operação do sistema?

Ilan Herculano – O sistema parede de concreto é bastante simples na sua aplicação, porém tivemos cuidado na formação da equipe focada no processo. Mas a maior dificuldade foi na aplicação dos subsistemas que antecedem, sucedem e acompanham a etapa de estrutura. Fizemos adoção de novas soluções para instalações hidráulicas e elétricas, telhados, esquadrias, pintura interna e externa, pavimentação, instalações de infraestrutura e muros, onde encontramos mais dificuldades para garantir a sua aplicação de acordo com a cadência prevista.

 

Quais as expectativas na etapa de implantação do sistema para o empreendimento em questão?

Ilan Herculano – Como tínhamos elaborado um bom planejamento da obra, a expectativa maior era fazer acontecer conforme previsto.

 

Quais são os resultados positivos até o momento?

Ilan Herculano – Conseguimos formar uma boa equipe para estrutura de parede de concreto, com bons lideres, o prazo desta etapa conseguiu superar o planejado. Implantamos com sucesso o Kaban e o Lean Construction para logística e gestão da produção.

 

Qual o envolvimento das diversas áreas da empresa neste processo?

Ilan Herculano – O envolvimento das diversas áreas da empresa neste processo é imprescindível para o sucesso do projeto, pois não é apenas a implantação de um novo sistema construtivo e sim a mudança no conceito de construir e gerir o negócio. Alteramos todos os processos relacionados a projetos, logística, compra, suprimentos, qualidade, segurança, fluxo de caixa e mão de obra.

 

O que você recomendaria a empresas que passam pelo processo de busca, decisão e implantação deste sistema?

Ilan Herculano – É evidente que o sistema é uma ótima solução construtiva quando comparado a outros, entretanto, para uma boa implantação, se faz necessário o acompanhamento de um bom profissional experiente no sistema, assim como uma boa equipe de gestores na empresa que possibilitem a sua introdução.

 

Você pensa em replicar a adoção do sistema parede de concreto em outros empreendimentos?

Ilan Herculano – Sim. Na primeira obra registramos bons resultados em relação à execução. Pudemos observar ganhos substanciais de performance e queremos replicá-los em outras obras de perfil similar.

 

Como você avalia a iniciativa da criação do Núcleo de Referência Parede de Concreto?

Ilan Herculano – É uma ótima iniciativa por permitir a troca de experiências entre empresas e profissionais de engenharia que buscam a melhoria, modernização e industrialização nos processos construtivos.

Posted in Destaque Interno0 Comments

Três anos de liderança

O Núcleo de Referência Parede de Concreto completou em outubro de 2015 três anos de existência. Lançado pela Signo Engenharia e composto hoje por empresas líderes (Astra, Caixa, Coplas, CTE, Forsa, Pasqua & Graziano, SF, SH, Vedacit e Wendler) e associações renomadas em seus segmentos (ABCP, Abece, Abesc e IBTS), o Núcleo tem apoiado construtoras e profissionais na assimilação e implementação do sistema parede de concreto em obras de todo o país.

 

Voltado exclusivamente para a divulgação de boas práticas e de conteúdo informativo (sem caráter comercial), o site do Núcleo (http://nucleoparededeconcreto.com.br) encabeça no Google o resultado das pesquisas sobre o sistema parede de concreto e é responsável pela difusão das principais novidades do setor. Foram mais de 20 mil visitas em 2015. Além de promover o conhecimento sobre a tecnologia construtiva, o site também é o canal de contato com cerca de 3 mil profissionais cadastrados, que recebem regularmente informações atualizadas sobre o mercado.

 

Nesta entrevista exclusiva, o engenheiro Ary Fonseca Jr., diretor da Signo e do Núcleo de Referência Parede de Concreto, fala da iniciativa do Núcleo e das perspectivas para 2016.

 

 

Núcleo – O Núcleo completou três anos em 30 de outubro de 2015 e o sistema parede de concreto está bastante presente nas obras brasileiras. Podemos considerar que a tecnologia já foi assimilada pelo mercado?

 

Ary Fonseca Jr. – Considero que estamos iniciando uma terceira etapa. Tivemos uma fase inicial de conhecimento e informação até a publicação da ABNT NBR 16055:2012 (Parede de concreto moldada no local para a construção de edificações), que foi um marco. A norma completou três anos e a aceitação do sistema pelo mercado já é grande. A partir de 2016, acredito, iniciaremos a terceira etapa, que é a popularização do sistema, no sentido do emprego mais intensivo da tecnologia já com medida de indicadores, avaliação de resultado e de desempenho. É uma etapa importante.

 

Núcleo – O sistema teve grande presença na habitação popular, principalmente devido ao programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). Qual sua avaliação dessa trajetória?

 

Ary Fonseca Jr. – O programa MCMV foi o alavancador para a implantação do sistema. Esse programa teve início em 2009 / 2010, quando o governo federal precisava fazer um grande número de unidades em curto prazo. Essa situação coincidiu com a publicação da NBR 16055 (2012), que foi fruto de um trabalho iniciado no Grupo Parede de Concreto, da ABCP. Observamos que o sistema começa a ser utilizado em segmentos fora do eixo econômico.

 

Núcleo – Então, a habitação popular foi importante para a parede de concreto, mas existem outros nichos de mercado?

 

Ary Fonseca Jr. – O mercado de edificações é amplo. O MCMV foi um nicho do segmento habitacional alinhado com as metas do governo. Percebemos agora que o sistema começa a ser utilizado em incorporações de diversas classes do segmento privado. Temos empreendimentos de 7 e 8 pavimentos, e até acima de 20 pavimentos, para o nicho de incorporação privada com valor médio de venda mais voltado às classes C e B. Esta migração para nichos de mercado de incorporação privados demonstra a versatilidade e competitividade do sistema.

 

Núcleo – Qual tem sido o foco do Núcleo nestes três anos de existência?

 

Ary Fonseca Jr. – O principal objetivo da criação do Núcleo foi organizar as informações e identificar práticas sobre todos os aspectos do sistema construtivo parede de concreto: concreto, aço, produtividade, planejamento, logística, projeto, gestão. Para essas naturezas, temos buscado as boas experiências e apresentado soluções às empresas interessadas nesta tecnologia.

 

Núcleo – O site do Núcleo registrou algumas dessas práticas no período. O que se pode destacar?

 

Ary Fonseca Jr. – Utilizando vídeo e material escrito, registramos obras em vários Estados. Esses registros referem-se a exemplos de logística, que é fundamental em um processo industrializado, e organização e aglutinação da cadeia de fornecedores, necessárias para atingir um bom resultado. Outra experiência refere-se ao planejamento, ou à pré-engenharia, para que durante a execução da obra se eliminem os improvisos, incompatíveis com um sistema racionalizado e industrializado.

 

Núcleo – Já existe um conjunto consistente de boas práticas desse sistema?

 

Ary Fonseca Jr. – Se olharmos para o volume de informações geradas no Núcleo, nestes últimos três anos, sempre buscando segmentar o tema pelas naturezas – como projeto, logística, materiais, planejamento, normas, informações de mercado – acho perfeitamente possível que um leigo no tema “parede de concreto” consiga se posicionar, avançar e tomar a decisão para a prática e a implementação do sistema.

 

Núcleo – O Núcleo é formado basicamente por indústrias fornecedoras. Qual tem sido o papel desse grupo no desenvolvimento do sistema?

 

Ary Fonseca Jr. – As formadoras do Núcleo são empresas com destaque em produtos e serviços para esse sistema, têm liderança de mercado, possuem vocação tecnológica e têm muito a contribuir – como já fazem – para uma melhoria constante desse processo. O que defendemos no Núcleo é que o desenvolvimento e o desempenho do sistema se devem muito a essas novas soluções e a novos produtos desse grupo. Buscamos nos parceiros empresas que tenham soluções técnicas e visem sempre a melhoria do desempenho da tecnologia.

 

Núcleo – Nestes três anos, houve um salto tecnológico da parede de concreto?

 

Ary Fonseca Jr. – Sem dúvida. Mas ainda há muita coisa em processo de adequação, sobretudo pelo surgimento desses novos nichos de mercado. Por exemplo, o projeto tem uma especificidade maior para prédios altos, existem inovações na utilização de sistemas de formas, o aço, dentro de sua logística, pode ter algumas adequações. Mas não tenho dúvida de que o sistema hoje está perfeitamente adequado e fortalecido por uma norma técnica.

 

Núcleo – O que falta para o mercado ter o pleno domínio do sistema?

 

Ary Fonseca Jr. – A grande mudança no sentido da universalização vai acontecer quando as construtoras se aprofundarem um pouco mais no uso do sistema em benefício do seu negócio. Vejo que, às vezes, a decisão, a operação e a escolha da tecnologia estão muito fragmentadas. Buscam-se boas soluções para concreto, aço, sistemas hidrossanitários, mas percebo que o ganho mais expressivo está na gestão de todas essas variáveis. O sistema é competitivo desde que tenha uma boa gestão. Falta hoje essa visão para as empresas, de praticar uma engenharia integrada. As soluções existem – em plásticos, fios, elétrica, espaçadores, desmoldantes, agentes de cura, concreto, formas etc. – e o mercado foi rápido em fornecê-las. Individualmente, temos boas soluções. O grande segredo é que a construtora consiga ter uma integração disso a fim de obter melhor resultado.

 

Núcleo – Qual o caminho para a empresa atingir esse objetivo? Faltam treinamentos, eventos?

 

Ary Fonseca Jr. – A empresa, antes da decisão, precisa buscar a informação, entendendo que essa questão é importante para ela. O Núcleo é uma fonte para isso. É preciso entender a especificidade de cada natureza. Outra alternativa é a busca de uma consultoria para esse momento de start que poderá encurtar a curva de aprendizado na implementação do sistema. Depois é preciso praticar, implantando o sistema em pequenas doses, fazendo a mudança de patamar de forma controlada.

 

Núcleo – O mercado da construção vive um momento delicado. O que se pode esperar para 2016 em relação à parede de concreto?

 

Ary Fonseca Jr. – Mesmo com a crise e as projeções de estagnação em 2016, existem alguns movimentos. As empresas não param. O ano de 2015 foi marcado pela redução dos estoques lançados em anos anteriores e já percebemos a movimentação para alguns lançamentos em 2016. O que muda nesses lançamentos? As empresas vão ter de reduzir os custos de venda. Mesmo com as dificuldades de mercado, o consumidor existe e os financiamentos também existem. Temos nichos específicos de consumo. Um tíquete de 1,5 mil a 3 mil reais de renda ainda tem muita demanda e as empresas começam a executar empreendimentos mais baratos. Como você reduz o custo de construção? Reduzindo o prazo da obra, o custo efetivamente, industrializando e racionalizando. O sistema parede de concreto é, sem dúvida, uma opção bastante interessante neste sentido. A decisão para isso se dá na fase de concepção do produto e na elaboração dos projetos executivos. Estamos, por exemplo, trabalhando nesta etapa com empresas de diversos segmentos. É importante que a decisão sobre a escolha do sistema nasça com o próprio negócio.

 

Núcleo – Quem procura o Núcleo para informar-se?

 

Ary Fonseca Jr. – O perfil das empresas e profissionais que procuram o Núcleo é abrangente. Cobre construtoras de todos os segmentos, tamanhos e regiões do Brasil. Temos hoje cerca de 3 mil profissionais que usam as informações do site, o que é um número expressivo, considerando que o portal é especializado em um sistema construtivo específico. O acesso ao site é fácil, pois requer apenas um cadastro simples, sem ônus de qualquer espécie para o usuário, que recebe periodicamente uma newsletter com as informações publicadas. É importante dizer que o site do Núcleo não é comercial. Ele é um site de informação. E as empresas mantenedoras estão juntas nesse processo de divulgação de práticas, técnicas, produtos e serviços. Entendo que a construtora que queira utilizar este canal e busca apoio nas empresas que o compõem poderá contar com mais segurança na implementação do sistema. São empresas consolidadas, de reconhecimento nacional no setor da construção, referências de mercado e, comprovadamente, detêm prática e conhecimento grande nesse sistema.

 

Núcleo – Você poderia citar um exemplo de apoio do Núcleo para alguma construtora ou empreendimento?

 

Ary Fonseca Jr. – Nesse aspecto, eu citaria a Fujita, uma empresa do Ceará, que construiu 5,5 mil unidades. Esse grande empreendimento contou com a assessoria de algumas empresas do Núcleo, que juntas conseguiram consolidar a utilização do sistema em um curto espaço de tempo. O grupo conseguiu reduzir a curva de aprendizado e colocar o processo em uma grande velocidade de produção. Outra empresa que eu destacaria, com a qual estamos trabalhando hoje, é a construtora Nassal, de Aracaju, que optou em fazer o primeiro empreendimento do segmento não econômico (Térreo + 7) no sistema parede de concreto. Conseguimos ali já solucionar a questão do concreto e da logística. Com isso, a empresa já tomou a decisão de adotar o sistema em futuros projetos. Outra empresa importante, com quem estamos desenvolvendo estudos de implantação, é a OR, do Grupo Odebrecht, que está executando em São Paulo um empreendimento de 23 pavimentos e tem a perspectiva de adotar, em outras praças, essa tecnologia para produtos de valor entre 600 mil e 800 mil reais. É um novo nicho, em que o sistema se torna o diferencial competitivo.

 

Posted in Destaque Interno0 Comments

Novos mercados

O sistema Parede de Concreto tem sido cada vez mais utilizado como uma ótima alternativa para a construção de obras que buscam velocidade, redução de mão de obra e bons resultados financeiros. Para esse desempenho sistêmico, a cadeia de fornecedores tem apresentado inúmeras soluções, que melhoram o desempenho e a competitividade dessa tecnologia.

 

Importante fabricante de fôrmas de alumínio, a SF Sistema de Fôrmas para Concreto é uma dessas empresas atuantes, fato que lhe permitiu buscar a expansão internacional de seu produto. Com esse objetivo, a empresa participou, nos dias 22 e 25 de maio de 2015, da World of Concrete na Cidade do México.

 

Nesta entrevista, o gerente de Operações Gustavo Sandoval fala sobre esta iniciativa e sobre a participação da SF Fôrmas no mercado brasileiro.

 

Qual é a trajetória da SF Fôrmas?

Gustavo Sandoval – A história da SF começou na década de 70, num período de intenso crescimento econômico que repercutia positivamente na construção civil. Era preciso evoluir. Para acompanhar o dinamismo dessa fase, buscaram-se soluções práticas que agregassem agilidade aos processos.

Foi assim que, em 1977, com um olhar empreendedor, Salim Felício criou a primeira empresa a fabricar fôrmas de alumínio para concreto no Brasil, promovendo um importante avanço na área da engenharia.

O mercado desde então tem sido muito favorável. Hoje, além da matriz em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, ainda temos duas filiais: uma no Estado de São Paulo e outra no Paraná, atendendo a clientes de todas as regiões do Brasil.

O objetivo da SF é oferecer não só soluções industrializadas para uso de fôrmas na construção civil, mas servir de forma ética, ágil, eficiente e ambientalmente responsável, atingindo a completa satisfação de nossos clientes e contribuindo com o desenvolvimento sustentável do país.

 

Por que a SF decidiu participar da World of Concrete na Cidade do México?

Gustavo Sandoval – A SF visiona ampliar fronteiras e alcançar destaque no mercado internacional de fôrmas, assim como já tem sido no Brasil. Nossos esforços são concentrados em ir além do reconhecimento nacional, por isso entendemos que a participação na Concrete Show México foi um importante passo na realização desse objetivo.

 

A SF tem planos em relação ao mercado mexicano ou países vizinhos?

Gustavo Sandoval – Temos sim. Com a nossa participação na World of Concrete conseguimos firmar parcerias e colocar em funcionamento um escritório comercial no México, além de outros para atender os países da América central e América do Sul.

 

Quais são os resultados obtidos com participação no evento?

Gustavo Sandoval – Nosso estande na feira teve mais de 200 visitas e muitas delas de representantes de construtoras. Com a grande visibilidade, a SF recebeu muitas solicitações de orçamentos e agora já temos projetos aprovados.

 

Que comparações podem ser feitas entre o mercado brasileiro e o mexicano em relação a tecnologias construtivas e qualidade de materiais?

Gustavo Sandoval – No México, o uso de paredes de concreto é mais comum. Há anos eles lidam com esses projetos e o sistema já está bastante consolidado, em contrapartida, no Brasil ainda existe alguma resistência ao uso de paredes de concreto.

 

O México já utiliza este sistema há muitos anos. Como estamos tecnicamente em relação a eles?

Gustavo Sandoval – Tecnicamente não há diferença, estamos iguais a eles. Os dois países têm que evoluir ainda, as possibilidades são muitas. Nossas tecnologias (subsistemas), por exemplo, estão mais avançadas do que as do México, contudo, a produtividade mexicana é superior.

 

No México, o sistema está sendo utilizado em grande escala? Quantas unidades/ano são construídas neste momento?

Gustavo Sandoval – Segundo estatísticas, no México são construídas entre 400 e 500 mil unidades habitacionais por ano; destas, 30% pelo sistema Paredes de Concreto.

 

O mercado mexicano das paredes de concreto ainda é o de habitações populares?

Gustavo Sandoval – Na grande maioria, sim. Ainda se atribui ao sistema de paredes de concreto as construções habitacionais de baixa renda, devido principalmente à agilidade que confere ao projeto, mas estamos evoluindo e desmistificando essa imagem ao executar obras que atendem a outros níveis da sociedade.

 

Como você avalia o momento brasileiro deste sistema para os próximos três anos?

Gustavo Sandoval – O Brasil nos últimos seis anos foi bastante estimulado pelo governo por meio de projetos de aceleração do crescimento e desenvolvimento e as perspectivas são de que esses programas que atendem a setores de habitação e infraestrutura continuem para fomentar o setor de construção.

 

Isso valeria para todo o território nacional? O sistema está totalmente consolidado?

Gustavo Sandoval – Ainda não está consolidado, mas estamos trabalhando para isso. Pela extensão do país ainda é difícil alcançar todas as regiões, ainda mais considerando as particularidades e resistências encontradas. São por questões culturais que o sistema de paredes de concreto não está consolidado no Brasil, e não pelo sistema em si. É comum ver obras sendo executadas a todo o momento, muitas vezes sem o planejamento necessário, por isso opta-se ainda pelos sistemas mais tradicionais de alvenaria, isto porque o sistema de parede de concreto requer um tempo maior de planejamento, que é compensado pela rapidez da execução.

 

O mercado brasileiro continua sendo atraente para a SF?

Gustavo Sandoval – Sim, o fato de buscarmos atender outros países não significa que vamos abandonar o Brasil. Abrimos uma nova filial no Paraná, recentemente, e temos novos escritórios comerciais em várias regiões para dar mais suporte aos nossos clientes.

 

Como você avalia a iniciativa de criação do Núcleo de Referência de Parede de Concreto? Como ele tem contribuído para suas iniciativas?

Gustavo Sandoval – O Núcleo é uma iniciativa inovadora e surgiu com o intuito de organizar informações, disseminar conhecimentos e prestar serviços de consultoria para construtoras que têm interesse na utilização do sistema parede de concreto moldado no local. É o início de uma longa caminhada: a popularização deste sistema, através de boas práticas e referências positivas nos próximos  anos. Hoje, com o Núcleo, temos mais força representativa.

 

Gustavo Adolfo Marin Sandoval é engenheiro mecânico graduado pela Universidade del Valle, Colômbia. Possui MBA em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e detém mais de 15 anos de experiência com fôrmas de alumínio para concreto.

Posted in Destaque Interno0 Comments

A busca por boas soluções

Uma relação importante para se obter um bom desempenho no sistema construtivo parede de concreto é aquela entre a construtora e a empresa fornecedora de materiais ou serviços. E um subsistema fundamental, neste caso, é o das instalações elétricas e hidrossanitárias. Nesta entrevista, o engenheiro Cleverson Aislan Callera, executivo da Astra*, fornecedora de materiais deste segmento, fala sobre a experiência da empresa em relação a esta tecnologia.

 

Várias regiões do país vêm ampliando a utilização do sistema parede de concreto. Como a Astra participa deste movimento?

Cleverson Aislan Callera – O Grupo Astra está presente em todo o Brasil e presta assessoria técnica para o sistema construtivo. Temos representantes técnicos capacitados a levar aos construtores as novas tecnologias e ajudar àqueles que adotam o sistema construtivo em parede de concreto.

 

Quais os principais materiais ofertados pela Astra para este sistema?

Cleverson Aislan Callera – Kits hidráulicos industrializados (ramal hidráulico montado e testado na fábrica), kits elétricos industrializados (chicotes elétricos com toda a fiação, montado e testado na fábrica), linha completa de hidráulica (tubos e conexões PEX, sifão, caixas sifonadas, engates, válvulas etc.), elétrica (quadros de disjuntores, disjuntores, eletrodutos normal e reforçado, caixas elétricas e caixas de passagens) e espaçadores de ferragens.

 

O incremento do sistema parede de concreto provocou alguma mudança na forma de atuação da Astra?

Cleverson Aislan Callera – Sim, claro, pois de longa data, antes mesmo do “boom” da construção brasileira de seis anos atrás, já estávamos convictos que o caminho era o concreto. Em visitas a vários países e feiras internacionais observamos que essa era a tendência. Com isso, já estávamos nos “mexendo” e fazendo estudos nessa direção.

 

A Astra tem praticado alguma ação específica para aumentar sua participação neste mercado?

Cleverson Aislan Callera – Sim, participamos de vários grupos, como o próprio Núcleo de Referência em Parede de Concreto, o grupo da ABCP, seminários e feiras pelo Brasil. Levamos e demonstramos tecnologias para este sistema na Concrete Show (SP), Feicon (SP), Ficons (PE), Construsul (RS) e outras. Assim, mostramos que o Grupo Astra tem conhecimento, capacidade e interesse em estar lado a lado dos clientes: desenvolver soluções para melhorar sempre o processo construtivo.

 

As construtoras têm valorizado soluções racionalizadas e industrializadas ou visam apenas preço?

Cleverson Aislan Callera – Esse assunto é muito delicado, pois depende muito do momento que o mercado está passando. Posso destacar aqui duas fases distintas:

  • Na fase de crescimento do setor, quando temos alguns “gargalos”, como falta de material e de mão de obra para atender o mercado, as soluções racionalizadas e industrializadas são muito procuradas e aceitas com muita tranquilidade, pois agregam o valor “tempo”, facilitando e diminuindo processos que muitas vezes são os “vilões” do momento.
  • Na fase de recessão, como estamos neste momento, quando a maioria das construtoras “tira o pé do acelerador”, a balança pende para o lado dos preços, pois a questão “tempo” deixou de ter maior importância.

 

E qual a estratégia da Astra para este momento?

Cleverson Aislan Callera – Nunca iremos deixar de lado o desenvolvimento de soluções racionalizadas. Elas estão em nosso DNA. Mas o momento é de buscar essas soluções com o menor custo.

 

Como você avalia o momento atual deste sistema construtivo?

Cleverson Aislan Callera – O sistema já demonstrou ser muito competitivo, tratando-se de construção em escala; muitas construtoras investiram em equipamentos – formas de alumínio – e não vejo como o sistema possa sofrer com a desaceleração da construção civil do país. Entendo que as construtoras passaram por adaptações e aprendizados e seguirão utilizando o sistema parede de concreto.

 

Identificamos empreendimentos com tipologias acima de 15 pavimentos sendo executados no sistema parede de concreto. As soluções são as mesmas para prédios baixos?

Cleverson Aislan Callera – Em nossa linha de produtos e atendimento para parede de concreto as soluções são as mesmas, pois estamos concentrados muito na hidráulica e elétrica dessas edificações; neste caso, a tipologia pouco influencia nas soluções que propomos para o sistema.

 

Qual o momento mais adequado para o empreendedor buscar as soluções Astra?

Cleverson Aislan Callera – Sempre no estudo do projeto. Sabemos que nessa fase os custos para mudanças são muito baixos e sem impacto nenhum de processos futuros, portanto sempre aconselhamos iniciar estudos nessa fase. Estimulamos muito o desenvolvimento a “quatro mãos”, pois assim podemos entender a real necessidade do cliente, podendo apresentar a melhor solução.

 

Na sua visão, as construtoras estão potencializando ganhos para seus negócios quando utilizam o sistema parede de concreto?

Cleverson Aislan Callera – O sistema oferece inúmeras vantagens quando é bem estudado, bem executado, tem planejamento e materiais de qualidade. Volto a falar do fator tempo, que é uma vantagem imensa desse sistema. As repetições nas tipologias são muito importantes para potencializar ganhos em todas as fases da obra (projeto e execução) e para melhor utilização de equipamentos.

 

O sistema é bastante usado nos empreendimentos do programa Minha Casa Minha Vida. As construtoras podem utilizá-lo também em outros segmentos?

Cleverson Aislan Callera – Sim, isso já está acontecendo. Algumas construtoras já perceberam a vantagem desse sistema construtivo e adotam a parede de concreto em empreendimentos de outros padrões. Isso ocorre porque as construtoras que saíram na frente tiveram o retorno esperado. Elas adquiriram a experiência necessária e viram que o processo é muito vantajoso e competitivo em relação a outros sistemas construtivos. Claro que sempre se deve levar em conta: preço, tempo, qualidade/desempenho e etc.

 

Como você avalia o papel e a contribuição do Núcleo de Referência de Parede de Concreto?

Cleverson Aislan Callera – O Núcleo surgiu da necessidade de levar conhecimento para as construtoras, que em determinado momento queriam, desejavam virar a chave da mudança. Várias fizeram isso sem muito conhecimento e tiveram que recuar e acertar alguns detalhes, inclusive de processo, e não tinham o pleno conhecimento para isso. Nesse cenário, várias empresas encabeçadas pela Signo Engenharia tomaram o mesmo rumo, a fim de auxiliar e ajudar a desenvolver esse sistema construtivo na cadeia da construção civil brasileira.

 

 

Cleverson Aislan Callera é engenheiro civil com MBA em Gestão Estratégica de Negócios, gestor Nacional no Segmento de Engenharia do Grupo Astra, onde é colaborador desde 1998.

 

 

* Sobre o Grupo Astra

 

Fundada em 1957, a Astra S/A Indústria e Comércio é uma das mais importantes indústrias fornecedoras de produtos para o mercado da construção. Entre os itens fabricados estão linhas líderes de mercado, como assentos sanitários, armários e espelheiras, sistemas de descarga, acessórios para banheiro, banheiras e spas, cubas e gabinetes de vidro, tanques e lavatórios, duchas elétricas, linha hidráulica, linha elétrica, utilidades domésticas, itens para jardinagem, esquadrias de alumínio, aquecedores a gás, acessibilidade e uma completa linha técnica de produtos voltados para os canteiros de obras, comercializados diretamente para construtoras em todo o Brasil. A Astra faz parte de um grupo de empresas do mesmo ramo de atuação, que inclui ainda a indústria Japi e a marca Integral.

 

A Japi produz uma linha completa de metais hidrossanitários, uma linha de coletores de entulho, cubas e pias de sobrepor em louça, uma parte complementar na linha estrutural com caixas e masseiras para mistura de argamassa. Integral é uma marca que produz esquadrias em alumínio sob medida para atendimentos às construtoras.

 

Em 2014, o Grupo Astra faturou R$ 671 milhões e investiu R$ 9,6 milhões em seu parque industrial na cidade de Jundiaí (SP), onde estão sediadas as 11 unidades da empresa, a 60 km da capital paulista, somando 144.200 m² de área construída. Cerca de 2.540 empregos diretos são gerados pelas atividades das indústrias. São seis mil itens comercializados em mais de 36.700 pontos de vendas pelo Brasil. O Grupo Astra tem na exportação 6,7% de seu faturamento e já está presente em toda a América Latina, Estados Unidos e em países da África e Oriente Médio.

 

Posted in Destaque Interno0 Comments

Controle tecnológico do concreto

O concreto é o insumo principal do sistema construtivo Parede de Concreto. Precisamos tratá-lo com cuidado nas diversas etapas de sua aplicação: definição do traço, preparo, recebimento na obra e verificação das resistências após seu lançamento. Nesta entrevista, o engenheiro Álvaro Sérgio Barbosa Junior, da RED Engenharia e Consultoria, profissional especialista no assunto “Controle Tecnológico”, trata deste tema.

 

Por que controlar o concreto?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior – Sabemos que o concreto produzido em central ou canteiro é um serviço e não um produto final. Sendo assim, pode sofrer variações de qualidade, desde a matéria-prima como a aplicação. Há um grande número de variáveis que influenciam as características do concreto. Além de rigorosa seleção e ensaios de recebimento dos materiais e de competentes estudos de dosagens, é indispensável, como para os demais produtos industriais normalizados, o controle tecnológico do concreto e das demais características do produto final “concreto armado”.

 

Quais são as etapas necessárias para o monitoramento e controle do concreto?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior – São três as etapas:

Controle dos materiais constituintes e da produção

Controle do concreto fresco

Controle do concreto endurecido

 

Fale um pouco sobre cada uma dessas etapas.

Álvaro Sérgio Barbosa Junior – Certo.

 

  • Controle dos materiais: Os ensaios para recebimento, controle tecnológico e caracterização do cimento, agregados, água de amassamento, adições e aditivos devem ser executados conforme os procedimentos da NBR. 12654.
  • Concreto fresco: São serviços para proceder à aceitação na obra do concreto fresco, independentemente da modalidade de preparo. No ato do recebimento, após se verificar e conferir no documento de entrega do concreto as características solicitadas e contratadas, deve ser realizada a execução de cada tipo de concretagem.
  • Concreto endurecido: São ensaios realizados em corpos-de-prova moldados durante a concretagem. Os resultados obtidos servem para definir a aceitação ou rejeição do lote de concreto controlado.

 

Quando e o que devemos fazer em cada uma das etapas?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior – A intensidade, rigor, processo de controle, amostragem, tipo de ensaio e resultados devem estar dimensionados e equilibrados com o nível de qualidade que se deseja para determinado empreendimento e a grande responsabilidade da estrutura. Em outros termos, o nível de controle tecnológico praticado em uma estrutura para durar 30 anos não pode ser o mesmo para uma estrutura cuja vida útil seja de 100 anos ou,  ainda, as exigências quanto ao grau de agressividade em ambiente moderado não pode ser as mesmas para ambiente agressivo, forte e muito forte. Consultar um tecnologista facilita o dimensionamento do controle, cujo preço será equilibrado com o nível do controle tecnológico.

 

Existe uma norma específica para o assunto?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior – Os ensaios para recebimento, controle tecnológico e caracterização do cimento, agregados, água de amassamento, adições e aditivos devem ser executados conforme os procedimentos da NBR. 12654. Há também a NBR 12655 – Concreto de Cimento Portland – Preparo, controle e recebimento – Procedimento, que define as responsabilidades, parâmetros para estudos da dosagem e da resistência do concreto, condições de preparo, ensaios de controle de aceitação e rejeição dos lotes de concreto controlado durante as concretagens.

 

Uma etapa é mais importante do que a outra?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior – Todas as etapas se interligam desde a concepção até a entrega do concreto.

 

Que profissionais devem se envolver no controle tecnológico do concreto?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior – Existe o engenheiro tecnologista, que tem a especialidade e conhecimento de materiais e suas características, bem como as empresa de Controle Tecnológico de Materiais.

 

Como avaliar se o concreto utilizado irá alterar o desempenho da estrutura?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior – Através das normas e seus ensaios podemos concluir qual será a sua vida útil.

 

Quais os riscos de não efetuar um controle do concreto em alguma das etapas previstas?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior – Podemos correr sérios riscos quanto à vida útil da estrutura pois, como sempre dizemos, romper corpos-de-prova, somente, não garante nada, simplesmente documenta o erro.

 

O que fazer para que as construtoras se sensibilizem a realizar este procedimento?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior – Primeiro temos que conscientizar a construtora que os serviços fazem parte da garantia da qualidade da obra como um todo, demonstrar o objetivo dos controles e ensaios, na qualidade de seu empreendimento e seu diferencial apresentado ao cliente final.

 

Algumas dicas sobre o tema?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior – O diferencial de mercado, hoje, é dado pelas empresas com acreditação do Inmetro, pois sofrem auditorias anuais em seus sistemas internos e procedimentos, conforme as normas e treinamento de seus funcionários.

 

Como você avalia a iniciativa de criação do Núcleo de Referência de Parede de Concreto?

Álvaro Sérgio Barbosa Junior – Avalio positivamente, pois são através de iniciativas como essa que o nosso mercado vai se conscientizando quanto à qualidade da obra e suas garantias.

 

 

Álvaro Sérgio Barbosa Júnior é engenheiro civil formado pela Universidade de Guarulhos  (1999), pós-graduado em Gestão em Construção Civil (Universidade Federal Fluminense, 2004) e mestre na Área de Transportes / Pavimentação pela Unicamp (2008). Ocupa o cargo de diretor-presidente da RED Engenharia e Consultoria, onde coordena e supervisiona  contratos públicos e privados de serviços de fiscalização de obras, controle tecnológico de concreto, aço, solos e pavimentação, inspeção, serviços topográficos, assessoria técnica, laudos e pareceres técnicos. 

Posted in Destaque Interno0 Comments

A cura do concreto e sua importância

O insumo concreto é uma das mais importantes variáveis do sistema parede de concreto. Porém, ainda observamos em alguns empreendimentos a não execução do processo de cura após a realização da concretagem. Afinal de contas, qual a importância deste procedimento? Precisamos executar ou não a cura do concreto? O engenheiro Rubens Curti, profissional com muita experiência no setor da construção, e que tem acompanhado de perto a história do sistema parede de concreto nos últimos anos, fala um pouco sobre este assunto.

 

O que vem a ser a cura do concreto?

Rubens Curti – O concreto, para adquirir as propriedades para as quais foi especificado, precisa ter boa dosagem, boa aplicação e excelente cura. A cura é um conjunto de medidas tomadas para evitar a evaporação da água de amassamento utilizada na dosagem do concreto aplicado. O cimento necessita da água para promover a sua hidratação. Uma dosagem de concreto é composta por cimento, água, agregado miúdos e graúdos e eventualmente aditivo. A única reação química que se processa com esses materiais é a reação do cimento com a água, portanto tem que ter água suficiente para que a reação se processe.

 

Qual a importância de se realizar este procedimento?

Curti – Se não houver uma perfeita hidratação do cimento, vai ocorrer perda de resistência, pois parte do cimento vai ficar anidro. Quando não ocorre a perfeita hidratação do cimento, não vai ocorrer a formação dos C- S-H (Silicatos de Cálcio Hidratados), que é a principal fase proveniente da hidratação do cimento Portland e tem grande influência na maioria das propriedades físicas e mecânicas dos materiais cimentícios.

 

Existe uma norma específica para o assunto?

Curti – A ABNT NBR 14931 – “Execução de Estruturas de Concreto – Procedimento” estabelece como deve ser feita a cura do concreto no item 10.1. Também a NBR 16.055 – “Parede de concreto moldada no local” faz referência ao procedimento de cura – item 20.

 

Quando se faz necessária a cura?

Curti – Sempre que trabalharmos com material cimentício.

 

No sistema parede de concreto, temos concretagem quase todos os dias. Talvez por isto as empresas deixem passar em branco o processo de cura. Isso é normal?

Curti – Não deveria ser, pois temos alternativas de executar a cura (manter a água no interior da massa de concreto), como, por exemplo, a cura química, que é usada em grande escala nas obras onde há uma superfície muito grande exposta (pavimentos de concreto, pistas e pátios de aeroportos, paredes de concreto etc.). É uma operação que deve ser executada após o acabamento do concreto, quando exposto, ou após a retirada das fôrmas, no caso de paredes de concreto, muros, pilar parede.

 

Que processo de cura você recomendaria para o sistema parede de concreto (monolítico)?

Curti – No caso das paredes de concreto a cura química seria a mais recomendada. Ao realizar o processo de cura química, a empresa deve deixar a película aplicada sobre o concreto durante sete dias, no mínimo. Um ponto importante a ser avaliado: os agentes de cura são à base de parafinas, ceras ou acrílicos que podem dificultar a aderência de argamassas de revestimentos. Neste caso, antes de revestir as paredes, o agente de cura deve ser removido. Uma limpeza superficial da área de contato com escova de aço é suficiente.

 

 

Existe alguma consequência para a estrutura de concreto executada sem cura, em relação a outra com cura?

Curti – Sim, além da perda de resistência do concreto também devem ocorrer patologias como, por exemplo, fissuras de retração. Essa patologia ocorre quando a velocidade de evaporação é maior que a velocidade de exsudação, que é intrínseca a todos os concretos.

 

O que fazer para que as construtoras se sensibilizem a realizar este procedimento?

Curti É uma “missão” muito difícil convencer uma construtora a fazer cura em concreto, independente se a peça de concreto é vertical ou horizontal. Um jeito de tentar convencer as construtoras é divulgar os malefícios que a falta de cura pode provocar no concreto.

 

Algumas dicas sobre o tema?

Curti – Há várias alternativas de cura para manter a água no interior da massa do concreto, a fim de que todas as reações do cimento com a água se processem:

  • Umedecer a superfície do concreto através de aspersão manual de água; >> Desvantagem: a superfície do concreto tem que ser molhada constantemente por um operário.
  • Manter úmida a superfície do concreto construindo-se pequenas barreiras nas bordas da superfície (horizontal) para que ocorra o represamento de uma lamina de água;
  • Manter úmida a superfície do concreto com auxílio de sacos de aniagem umedecidos, mantas de bidim umedecidas, camada de areia úmida, camada de serragem úmida, sacos de cimentos umedecidos etc.
  •  Utilizar agentes de cura que, aplicados nas superfícies do concreto, evitam a perda de água; este processo é mais aconselhável em grandes superfícies, como pavimentos de concretos, pistas e pátios de aeroportos etc., e em superfícies verticais, que é o caso das paredes de concreto.
  • No caso das superfícies verticais, também se pode fazer a cura com aspersão de água através de “chuveirinhos”.
  • A utilização de mantas de bidim umedecidas para envolver as peças verticais é uma boa alternativa.

 

Como você avalia a iniciativa de criação do Núcleo de Referencia de Parede de Concreto?

Curti – Mais uma ótima iniciativa para que as nossas obras sejam bem executadas, principalmente em se tratando de paredes de concreto, que é uma técnica de execução relativamente nova no país.

 

Rubens Curti é engenheiro civil, formado pela Faculdade de Engenharia da Fundação Armando Álvares Penteado (1976). Trabalhou como gerente de Tecnologia durante 10 anos na Concrelix e por 18 anos com gerente técnico do Laboratório de concreto e argamassa da empresa Falcão Bauer. Curti é atualmente coordenador do laboratório de concreto e argamassa da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), área em que possui diversos cursos de aperfeiçoamento.

 

Posted in Destaque Interno0 Comments

Interferências de sistemas com as paredes de concreto

É cada vez mais importante a integração dos diversos subsistemas na elaboração dos projetos executivos e na execução do sistema parede de concreto. O resultado final depende da boa interação entre os diversos sistemas e os fornecedores de materiais e serviços têm especificado premissas e recomendações técnicas para isso. Fôrmas e cimbramento, instalações elétricas e hidrossanitárias, caixilhos, portas de madeira e armações das telas soldadas são os principais subsistemas a serem integrados com o sistema principal parede de concreto. Para falar deste assunto, convidamos o engenheiro Arnoldo Wendler – projetista de estrutura –  profissional de destaque no setor da construção e que tem acompanhado de perto todo o processo de crescimento e consolidação deste sistema.

 

Como projetista estrutural e coordenador da Norma de Projeto e Execução das Paredes de Concreto moldadas no local (NBR 16.055), você poderia comentar as características principais do cálculo estrutural face às interferências dos outros subsistemas?

Arnoldo Wendler – Neste sistema todas as paredes compõem a estrutura da edificação. Portanto, qualquer elemento embutido ou abertura existente interfere no funcionamento estrutural. Percebe-se a importância, para o projeto estrutural, que tem o conhecimento de todo e qualquer elemento presente nas paredes. Isso implica na execução conjunta dos vários projetos com uma constante compatibilização entre os mesmos. Percebe-se a relevância disso quando a norma NBR 16055:2012 diz, nos itens 5.3 (parte de projeto) e 18.1 (parte de execução): “Os projetos de fôrma, escoramentos, detalhes embutidos ou vazados e os projetos de instalações devem ser validados pelo projetista de estrutura.”

 

Que subsistemas merecem mais atenção quando da compatibilização com o projeto estrutural?

Wendler – Certamente são as instalações elétricas, hidráulicas e sistemas. Muitas vezes temos que considerar o embutimento ou não das mesmas. Esta decisão é regida pela norma NBR 16055, que já no seu item 5.1 diz: “A decisão quanto ao embutimento ou não das instalações nas paredes deve ser do projetista estrutural, de forma a não comprometer o sistema construtivo. Além disso, tal decisão deve considerar as exigências de manutenibilidade das instalações hidrossanitárias e elétricas ao longo da vida útil da edificação.”

 

Quais são os principais cuidados de cada subsistema na fase de projeto – conceitos e premissas?

Wendler – O princípio básico é minimizar as interferências na seção horizontal das paredes, ou seja, utilizar sempre as instalações na vertical. A principal interferência acontece com as instalações elétricas: pela sua quantidade é de extrema importância a orientação dos projetistas de instalações quanto ao posicionamento correto das instalações, sempre na vertical. Ainda hoje, temos raras opções (tanto de produtos com custo adequado quanto de aceite pelo consumidor) de utilização de instalações elétricas aparentes.

 

No processo de cálculo vamos considerar como paredes estruturais apenas os trechos onde não existirem instalações horizontais ou inclinadas. No caso de instalações elétricas na vertical de no máximo 25 mm, podemos imaginar que a perda de seção horizontal é muito pequena e, portanto, não afeta a resistência total da parede. Mesmo assim, não devemos utilizar mais de um eletroduto no mesmo ponto, ou seja, espaçá-los de no mínimo duas vezes a espessura da parede. Caso haja necessidade de eletrodutos de maior diâmetro, é necessário examinar a interferência, colocando tela dupla no local (fig. 1). O caso das instalações hidráulicas já é diferente. Não podemos colocá-las simplesmente dentro da parede, pois isto não garantiria a sua manutenibilidade, prevista na Norma de Desempenho NBR 15575. Para realizar qualquer reparo seria preciso quebrar a parede, que é a estrutura da edificação. Se precisarmos colocar as instalações dentro da espessura da parede, devemos prever um espaço livre, como uma abertura ou uma janela. O projetista de estruturas deverá reforçar as paredes nesta posição. Esta abertura (fig. 2) poderá ser total (em toda a altura da parede) ou parcial. No primeiro caso é obrigatória a consideração de duas paredes independentes. No segundo caso, o projetista irá verificar se existe a possibilidade da consideração de uma única parede sem perda de rigidez do sistema. Observe que uma consideração deste tipo afeta todo o cálculo da estrutura da edificação e, portanto, não poderá ser determinada após a execução do edifício. Mais uma vez se vê a importância da compatibilização dos projetos. Percebe-se como as instalações embutidas interferem na estrutura das paredes. As instalações sanitárias de maior diâmetro passam sempre por fora da parede em shafts planejados. Existe uma forte tendência de se utilizar estes mesmos shafts para as principais prumadas hidráulicas. Outra possibilidade é colocar as instalações fora da parede com acabamento de carenagem de fibra. Estas instalações podem ser de material rígido convencional ou flexíveis (tecnologia PEX). No caso de edifícios muito altos, com uma quantidade muito grande de eletrodutos, tanto de elétrica como de sistemas, estes também precisam ficar fora da parede em shafts específicos ou carenagens de piso a piso.

 

Durante a execução das paredes, quais os cuidados com estes mesmos subsistemas?

Wendler – Tão importante quanto os projetos compatibilizados é a boa execução das paredes. Os principais cuidados nas instalações elétricas se referem ao posicionamento correto e boa vedação do sistema. Temos que lembrar que esses materiais vão estar colocados na fôrma quando da concretagem. Sofrerão portanto com a pressão do concreto fresco e eventual adensamento por vibração. É necessário a utilização de caixinhas elétricas vedadas (de alumínio ou plástico), especiais e colocação de eletrodutos resistentes e com conexões próprias para evitar a entrada de nata de cimento nos mesmos. O posicionamento será dado com a colocação de espaçadores em quantidade apropriada (2 unidades por metro de eletroduto). Na execução devemos lembrar também que, em virtude da velocidade da obra, o planejamento do escoramento residual permanente é de fundamental importância para as deformações do sistema. O projetista de estruturas deve atuar em conjunto com a construtora para estabelecer o esquema de escoramento e as idades de retirada do mesmo.

 

A NBR 16.055 contempla recomendações e restrições para alguns dos subsistemas?

Wendler – A norma dá algumas orientações (item 13.3): “Não se admitem tubulações horizontais, a não ser trechos de até um terço do comprimento da parede, não ultrapassando 1 m, desde que este trecho seja considerado não estrutural. Em nenhuma hipótese são permitidas tubulações, verticais ou horizontais, nos encontros de paredes.”

 

A cadeia de fornecedores de materiais tem contribuído para oferta de soluções que possibilitem a melhoria de desempenho do sistema?

Wendler – A cadeia de fornecedores já está preparada para o fornecimento de todos os produtos específicos para o sistema. Eles foram desenvolvidos juntamente com projetistas e construtoras, resolvendo ao longo do tempo os detalhes necessários. Várias empresas vêm participando há anos junto com os grupos de estudo no desenvolvimento do sistema, inclusive na redação da Norma NBR 16055.

 

Cite alguns exemplos e as melhorias que elas proporcionam.

Wendler – Acessórios para instalações elétricas de paredes e lajes, caixinha elétrica vedada e com espaçador para posicionamento, espaçador plástico para posicionamento de eletrodutos, quadros de distribuição e de passagem, tela específica para proteção na posição de eletrodutos de maior diâmetro (fig. 3).

 

O que ainda falta para melhorar a interação dos sistemas?

Wendler – Sempre há muita coisa a melhorar. De momento recomendamos uma atenção muito grande nas fases de planejamento e projeto, que devem ser compatibilizados também com a executibilidade da obra. No desenvolvimento futuro há espaço para novos materiais e novas tecnologias desenvolvidas especificamente para o sistema.

 

Quais as responsabilidades dos projetistas de estrutura na compatibilização dos projetos e na verificação da execução?

Wendler – Como o sistema é uma única grande estrutura a responsabilidade do projetista de estruturas é total. Ele deve aprovar todos os elementos ou vazados que apareçam nas paredes e compatibilizá-los. Além disso deve observar as restrições da Norma de Paredes, NBR 16055, assim como da norma de concreto armado, NBR 6118, e também da norma de Desempenho, NBR 15575. Por exemplo, a parede de concreto com 10 cm de espessura atende a todos os requisitos da norma de desempenho, inclusive desempenho acústico, desde que não tenha aberturas. Devemos evitar a colocação de quadros de distribuição em paredes de divisa e principalmente a colocação de caixinhas de elétrica fundo a fundo. Isso cria um “túnel” de passagem de som de um ambiente para outro.

 

O que você recomendaria a uma empresa que fosse utilizar o sistema pela primeira vez?

Wendler – Primeiramente, informar-se ao máximo sobre o sistema. Temos muitos textos produzidos pelos grupos de estudo que podem ser encontrados nos sites das instituições patrocinadoras: ABCP, ABESC, IBTS. Depois, cercar-se de consultores e projetistas com experiência no sistema. O planejamento, projeto e execução têm muitos detalhes específicos deste sistema, principalmente em face da velocidade da obra.

 

Os critérios e premissas valem para todas as tipologias de produto?

Wendler – Sim, mas são cada vez mais importantes conforme aumenta o nível de tensões nas paredes, quer seja pela altura da edificação ou pela utilização de poucas paredes estruturais (possibilidade de diferentes layouts).

 

Como você avalia a iniciativa de criação do Núcleo de Referência de Parede de Concreto?

Wendler – É de fundamental importância para a transferência do conhecimento que existe sobre o sistema. Como se trata de um sistema que agora está em franca expansão, existem muitas construtoras que necessitam das informações sobre ele para os processos de decisão. Neste ponto, o Núcleo de Referência de Parede de Concreto contribui muito para o desenvolvimento do sistema da maneira correta.

 

 

Arnoldo Wendler é engenheiro civil formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (1977), ex-professor de Resistência dos Materiais e Concreto Armado da EPUSP, diretor da Wendler Projetos, com mais de 1300 projetos, coordenador de alvenaria estrutural de vários polos da Comunidade da Construção e coordenador da NBR16055 – Paredes de Concreto.

 

 

 

Posted in Destaque Interno0 Comments

Fôrmas de alumínio – Variável competitiva

Uma das variáveis importantes para um melhor desempenho do sistema construtivo de paredes de concreto moldadas no local é a escolha da fôrma. As fôrmas de alumínio (manoportáveis) têm características bastante interessantes: possibilitam a concretagem de paredes e lajes em uma única etapa e consequentemente ciclos de produção reduzidos; têm excelente precisão geométrica e, se “bem tratadas”, podem ser reutilizadas inúmeras vezes (ultrapassam os 1.000 usos). Convidamos o engenheiro Felipe Otoya, CEO da FORSA, empresa colombiana com larga experiência na fabricação e fornecimento de fôrmas de alumínio para diversos países do mundo (América Central, Europa e África), para falar sobre sua experiência e sua visão do mercado brasileiro na utilização das fôrmas de alumínio. A FORSA mantém operação comercial no Brasil desde 2008, quando forneceu os primeiros jogos de fôrmas para um empreendimento da construtora Bairro Novo situado em Cotia-SP.

 

Fale um pouco sobre a Forsa.

Felipe Otoya – Somos uma empresa dedicada a projeto, fabricação e vendas de fôrmas em alumínio para construção de casas, sobrados, prédios, hotéis, penitenciárias. Atuamos há mais de 18 anos. Nosso diferencial é o serviço e o conhecimento técnico das pessoas que trabalham conosco. A FORSA iniciou suas exportações em 1998.

 

Em que países a FORSA atua?

Felipe Otoya – Começamos nossas operações na Colômbia, porém, em 1997 a crise do sistema hipotecário do país fez parar por completo a construção. Esse fato nos obrigou a buscar novos mercados ou do contrário teríamos que fechar a fábrica. Tivemos dois anos de muito trabalho e dificuldades. Hoje, a FORSA possui escritórios em mais de 17 países e mantém a liderança em países como México, Guatemala, Salvador, Honduras, Costa Rica, Nicarágua, Panamá, Colômbia, Equador, Peru, Chile, Venezuela, Argentina, Uruguai, Jamaica, República Dominicana, Trinidad e Tobago, Espanha, Senegal, Angola, Marrocos e Iran, entre outros.

 

Esses países possuem características semelhantes às do Brasil no negócio habitação?

Felipe Otoya – Acredito que Colômbia e México possuem características semelhantes às do Brasil, pelo apoio que os governos oferecem para esse setor da economia. O México chegou a ter programas habitacionais de mais de 600.000 habitações por ano, muito parecidos ao Minha Casa, Minha Vida, lançado pelo governo brasileiro há quatro anos. A Colômbia, neste momento, tem programas que permitem o crescimento do setor de habitações em nosso país.

 

Na sua opinião, qual destes países é referência de produtividade e qualidade no uso de fôrmas de alumínio?

Felipe Otoya – A Colômbia, com certeza, é uma grande referência. Iniciamos depois da crise de 1997 e os construtores mudaram dos sistemas tradicionais para paredes de concreto. Isto teve um alto impacto nas construtoras: aprender e dominar a tecnologia de paredes de  concreto, onde a FORSA teve um papel muito importante na capacitação e acompanhamento da utilização do sistema de fôrmas em alumínio.

 

Por que a decisão de vir para o Brasil em 2008, antes mesmo do programa Minha Casa Minha Vida?

Felipe Otoya – Na verdade, chegamos ao Brasil em 2004, quando as construtoras não tinham o menor conhecimento do sistema de fôrmas de alumínio. Em 2005, apresentando o sistema para alguns profissionais brasileiros, eles perceberam o potencial e a importância de adotar um sistema diferenciado para a construção de habitações. Fruto desta aproximação, fizemos os primeiros testes técnicos no Instituto Tecnológico de Furnas para credenciar o sistema junto à Caixa Econômica Federal (desempenhos térmico e acústico). Depois dos testes, ABCP, ABESC e IBTS – importantes associações setoriais – planejaram em 2007 uma missão de construtoras brasileiras para o Chile e a Colômbia com o objetivo de conhecer a utilização das fôrmas de alumínio na construção das edificações com o sistema paredes de concreto. Nesse momento, a FORSA fez sua primeira venda para uma empresa brasileira, a Bairro Novo. Acredito que este foi o início, no Brasil, das habitações em paredes de concreto.

 

Quais as maiores dificuldades encontradas no início de suas atividades?

Felipe Otoya – As maiores dificuldades encontradas foram:

  • A língua portuguesa.
  • As dificuldades, como estrangeiros, para fazer a implantação da nossa empresa. Por exemplo: alugar um escritório, comprar um celular, alugar um carro.
  • O desconhecimento do sistema por parte das construtoras.
  • O fato de a CAIXA não aceitar o sistema de paredes em concreto, considerado inovador.
  • Por não ter um programa de construção popular definido pelo governo, todo o esforço da FORSA de informar sobre o sistema se perdia, porque as construtoras não tinham obras onde utilizar o sistema.

 

O programa Minha Casa Minha Vida e a norma NBR 16055 foram marcos importantes para evolução do sistema construtivo em questão. Como você projeta o potencial de utilização deste sistema face a estes marcos?

Felipe Otoya – Indiscutivelmente, o programa MCMV e a norma NBR 16055 foram importantes para a evolução do sistema. O potencial de utilização é muito grande porque agora temos as seguintes oportunidades:

  • A CAIXA agora aceita e avalia o sistema de paredes em concreto para os projetos do MCMV.
  • A divulgação feita por ABESC, ABCP, IBTS e os profissionais autônomos, sobre a norma e a gestão de obras em paredes de concreto, é um fator de alto impacto para os construtores.
  • Cada dia mais construtoras estão querendo adotar o sistema de paredes em concreto com fôrmas em alumínio para seus projetos, pela quantidade de vantagens que estas oferecem.
  • Este sistema poderá ser utilizado em segmentos da construção além do programa Minha Casa Minha Vida – edifícios residenciais altos, hotéis etc.

 

Fale sobre a utilização das fôrmas de alumínio no Brasil, nos últimos cinco anos.

Felipe Otoya – As fôrmas de alumínio FORSA demonstram uma variável importante para  o sistema. Muito adequado e eficiente para cobrir o déficit habitacional do Brasil, devido a sua versatilidade e mobilidade, podendo ser usado nas regiões mais remotas do país. Para nós,  a principal evolução do nosso sistema nesses anos de Brasil foi a questão dos acessórios de segurança do trabalhador. Atualmente, todo o nosso sistema está em conformidade com a NR 18. Desenvolvemos um sistema completo de passarelas e guarda-corpos (foto); inclusive, esses equipamentos estão começando a ser utilizados em outros países onde atuamos.

 

Temos hoje várias empresas nacionais e internacionais comercializando fôrmas de alumínio no Brasil.  A oferta está equilibrada com a demanda existente?

Felipe Otoya – As construtoras brasileiras tem a facilidade de comprar este produto com financiamento através do Finame, o que as empresas estrangeiras não podem oferecer por não produzirem aqui no Brasil. É uma situação que nos traz dificuldade no fechamento de alguns negócios, sem dúvida. Para o mercado, de uma forma geral, gera um gargalo no fornecimento. Com a demanda atual, acabam atrasando as entregas, o que causa transtornos enormes e muitas vezes prejuízos nos negócios das construtoras. A oferta estrangeira pode contribuir para equilibrar esta demanda existente, oferecendo alternativas diferentes aos clientes. Este é o cenário atual. Nós da FORSA precisamos nos adaptar e gerar vantagens competitivas que superem a variável Finame. O que ofertamos para o mercado: preço competitivo, prazo de entrega muito eficiente (até 60 dias posto obra), qualidade do produto, equipamentos completos de segurança do trabalho, uma eficiente equipe técnica para treinamento e atendimento pós-obra, pagamento parcelado com juros bastante interessantes. Firmamos ainda uma parceria com a trading Comexport, que se responsabiliza por todos os trâmites de transporte e despachos do material adquirido, desde a nossa fábrica (Cali-Colômbia) até o porto de desembarque aqui no Brasil. Afinal são 18 anos de experiência neste mercado. Inauguramos recentemente uma oficina de manutenção e estoque de peças no Brasil, em São Paulo, para atender a qualquer demanda urgente que os nossos clientes possam necessitar. Sem dúvida, ficamos mais ágeis e próximos dos nossos clientes. O mercado brasileiro é altamente estratégico para a nossa empresa.

 

Ainda se ouve falar que as fôrmas de alumínio são caras e necessitam de um número de utilizações muito alto para serem viáveis. Comente sobre isto.

Felipe Otoya – A análise da viabilidade das fôrmas de alumínio não pode ser feita  simplesmente pelo preço de venda. Ela deve considerar todas as interfaces de custos que acontecem pelo fato de o construtor usar outro tipo de fôrma, de qualidade inferior, ou outros sistemas. Fôrmas de alumínio permitem economias significativas em:

  • Mão de obra: Não requerem mão de obra qualificada (muito importante para o custo no Brasil), têm uma curva de aprendizado reduzida, e quantidade de trabalhadores também.
  • Acabamentos: O custo de reparo e acabamentos é muito alto no Brasil; com o sistema parede de concreto eles diminuem muito; e há a possibilidade de incluir detalhes arquitetônicos. A qualidade estrutural obtida com o processo é muito superior a qualquer outro sistema construtivo existente.
  • Velocidade na construção: Uma habitação em ciclo reduzido significa que todos os custos fixos administrativos serão diminuídos; o sistema também permite entregar unidades simultaneamente, enquanto outras unidades estão em outras fases de construção.
  • Minimização de resíduos: Muitas vezes é difícil quantificá-los e tornam-se extremamente onerosos.

Quando são consideradas as variáveis acima, o conceito de “caro” desaparece com a economia obtida nessas áreas; os ganhos podem facilmente cobrir o valor do equipamento. É a importância da análise integrada do negócio. O construtor amortiza seu investimento entre 200 e 240 usos das fôrmas (cerca de um ano de trabalho), tendo em conta que a vida útil do equipamento é de mais de 1200 aplicações, o seja, cerca de 20% da sua vida útil.

 

Na sua avaliação, ainda existem gargalos na interação entre construtoras e fornecedores de fôrmas de alumínio?

Felipe Otoya – Os gargalos que existem entre construtoras e fornecedores de fôrmas de alumínio são:

  • Que os fornecedores de fôrmas de alumínio tenham melhor conhecimento técnico sobre como construir com as fôrmas de alumínio, para que as construtoras obtenham  melhores resultados em seu negócio.
  • Que os fornecedores de fôrmas de alumínio tenham um melhor conhecimento sobre a gestão da obra, para orientar melhor aos clientes, e que façam alianças com empresas como o Núcleo de Referência de Parede de Concreto, para oferecer uma boa assessoria aos clientes. Isso acontece porque os clientes estão mudando dos sistemas tradicionais de construção para paredes de concreto e precisam de maior conhecimento da gestão do processo.

 

O que é preciso fazer para melhorar?

Felipe Otoya – É preciso:

  • Continuar com as divulgações do sistema de paredes em concreto para que mais construtoras adotem este sistema em seus próximos projetos.
  • Continuar informando as construtoras sobre a gestão de obra com um sistema industrializado com fôrmas de alumínio.
  • Que o governo do Brasil permita às empresas construtoras locais acessar créditos especiais de empresas fornecedoras estrangeiras – como a FORSA –, para adquirir fôrmas de alumínio. Assim seremos mais competitivos.

 

Quais as principais dicas para um construtor que se propõe a construir utilizando o sistema parede de concreto com fôrmas de alumínio?

Felipe Otoya – As dicas que eu daria a um construtor:

  • Que exija dos fornecedores de fôrmas de alumínio um real assessoramento técnico do sistema.
  • Que contrate calculistas, projetos executivos e gestão de obras com profissionais que tenham experiência neste sistema. No Brasil, existem várias opções locais.
  • Que exija assistência técnica no canteiro, assim que as fôrmas estejam na obra.
  • Que trabalhe muito em conjunto com os fornecedores, para otimização de seus projetos, buscando interação com o sistema.

 

Como você avalia a iniciativa de criação do Núcleo de Referência de Parede de Concreto?

Felipe Otoya – Para nós, que tivemos, no início, a liderança do sistema no Brasil, mas por não termos a nossa fábrica aqui perdemos muitas oportunidades de negócios, o Núcleo é uma grande oportunidade para poder mostrar a todos os construtores do Brasil que somos os mas antigos no negócio de fôrmas de alumínio. Temos muita experiência nesse sistema e contamos com uma equipe técnica muito forte no Brasil. Igualmente, é o veículo para continuar com a divulgação do sistema de paredes de concreto, da norma, de boas práticas e de todas as empresas fornecedoras de produtos e serviços para esse sistema construtivo. Para a FORSA é um grande prazer participar e contribuir com a evolução do sistema construtivo através de um meio muito técnico e profissional que é o Núcleo de Referência de Parede de Concreto.

 

 

O engenheiro mecânico Felipe Otoya nasceu em Cali, Colômbia. Formado pela Universidade Autônoma do Ocidente, especializou-se em finanças pela Universidade Valle e em técnicas de produção na Alemanha. É pós-graduado em alta gerência internacional pela Universidade ICESI Cali. Em 1995 fundou a empresa FORSA, dedicada a projetos e fabricação de fôrmas em alumínio para construção de habitações (paredes de concreto), onde trabalha até hoje.

Posted in Destaque Interno0 Comments

Advert

Comentários