ABNT NBR 15575

O desempenho do sistema de parede de concreto

 

Engenheiros

Arnoldo Wendler e Ary Fonseca Junior

 

Quando o assunto é desempenho estrutural, mecânico, durabilidade ou incêndio, as paredes de concreto moldadas no local são um dos sistemas construtivos que demonstram o melhor desempenho. Porém, quando se trata dos aspectos térmico e acústico, esse desempenho não é tão facilmente demonstrado, pois depende de inúmeros fatores e não só do material constituinte das paredes.

 

Desempenho térmico

O desempenho térmico da edificação depende em grande parte do projeto arquitetônico, que determina, entre outras coisas:

  • dimensões dos ambientes
  • pés direitos
  • posição em relação ao sol
  • material e cor do revestimento externo das paredes

 

Um dos fatores mais importantes para esta análise, que é feita em um software específico, é o tamanho das janelas, a área de ventilação e principalmente a área de sombreamento. Existe, em parte do Brasil, o hábito de não utilizar janelas do tipo venezianas, apenas folhas de vidro. Este tipo de esquadria praticamente inviabiliza um bom desempenho térmico, pois não é capaz de impedir que os raios solares aqueçam os ambientes.

 

Assim, quando falamos do desempenho térmico, não podemos nos basear somente no sistema construtivo. Temos que analisar cada caso com todas as suas variáveis.

 

A grande maioria dos casos ensaiados com paredes de concreto de 10 cm de espessura, laje de forro coberta por telhado, esquadrias sombreadas, pé direito maior ou igual a 2,60 m consegue bom desempenho térmico, atendendo à Norma de Desempenho, a ABNT NBR 15.575.

 

Desempenho acústico

O desempenho acústico por ruídos aéreos (transmissão do som entre dois ambientes) depende da massa da parede. Quanto maior o peso específico do material, mais ele atenuará a passagem do som de um lado para outro. Observa-se que, neste caso, a parede de concreto é um dos materiais de maior massa e, portanto, um dos melhores no quesito de transmissão do som. Mas, o desempenho real dependerá da quantidade de eletrodutos, caixinhas elétricas e todo e qualquer material que diminua, mesmo que localmente, a espessura da parede.

 

Uma das principais recomendações de projeto é não adotar caixas elétricas posicionadas fundo a fundo, pois isso cria um túnel para a passagem do som.

 

Nas paredes externas, a qualidade das esquadrias é fundamental para o desempenho acústico. Elas deverão ser bem ajustadas com utilização de borrachas e escovas, para impedir a passagem do som por suas frestas. Hoje, já temos vários fabricantes de esquadrias que ensaiaram e aprovaram os seus produtos a partir dessa exigência de desempenho.

 

Outro ponto da Norma de Desempenho refere-se à passagem do som pelo impacto nas lajes de concreto armado, comuns a todos os sistemas construtivos. Este é um aspecto que exige bastante atenção. Com a utilização de contrapiso sobre a laje acabada (conforme a grande maioria dos empreendimentos do Programa Minha Casa Minha Vida – MCMV), estaremos melhorando bastante as condições de atendimento normativo ao quesito desempenho acústico por impacto.

 

A norma fala que o ensaio para este tópico deve ser realizado com o acabamento fornecido pela construtora na entrega da unidade ao usuário. Assim, se entregarmos a unidade com piso cerâmico colocado sobre o contrapiso, já conseguimos o desempenho adequado. Algumas construtoras estão fornecendo o apartamento com acabamento de carpete nos quartos, que é o local de maior exigência da norma. Os ensaios de apartamentos com cômodos de pequenos vãos, com laje de 10 cm e contrapiso de 4 a 5 cm, acabados com cerâmica, chegam a valores suficientes para o que a Norma de Desempenho requer.

 

Conclusão

Como vemos, o assunto do desempenho das edificações depende de um conjunto de fatores para ser analisado e compreendido. Nas condições usuais de utilização, o sistema parede de concreto tem se mostrado um bom método construtivo em relação às exigências da Norma de Desempenho. Porém, é fundamental que as construtoras executem seus empreendimentos seguindo rigorosamente as normas brasileiras e as práticas adequadas (execução, materiais, projetos de arquitetura) de maneira integrada.