Uma tecnologia avançada que veio para ficar!

Concreto autoadensável: uma opção competitiva

Eng. Ary Fonseca Jr.

Signo Engenharia

 

Estamos observando cada vez mais a utilização de concreto autoadensável nos empreendimentos que utilizam o sistema construtivo parede de concreto. Mesmo em obras do segmento econômico sua aplicação já ocupa espaço de importância tecnológica destacada, fato impensável nos últimos cinco anos.

 

Afinal, por que esta mudança?

 

Histórico

 

O que sabemos:

 

Teve seu início em 1986 através de estudos realizados na Universidade de Tóquio. Buscavam aperfeiçoar o produto concreto para melhorar as condições de lançamento em estruturas complexas – com altas taxas de armadura.

 

Também a poluição sonora (uso de vibradores), a redução de prazos no lançamento e a redução de mão de obra foram fatores determinantes para o desenvolvimento e a implantação do concreto autoadensável, já naquela época.

 

Hoje, seu uso em países mais desenvolvidos – Japão, Estados Unidos, Alemanha – já é uma prática bastante consolidada, com inúmeros benefícios para a melhoria do desempenho das estruturas de concreto.

 

O que é concreto autoadensável?

 

É um concreto mais argamassado, com mais finos na mistura.

 

Apresenta grande fluidez e alta trabalhabilidade como principais características, ou seja, é um concreto muito plástico, não havendo, portanto, a necessidade de adensamento mecânico (vibração).

 

Um dos princípios fundamentais do concreto autoadensável: fluir sem segregar.

 

Dosagem e materiais utilizados

 

A formulação de concretos fluidos e resistentes à segregação é uma evolução tecnológica, fruto da pesquisa aplicada ao uso de aditivos superplastificantes e modificadores combinados com alto teor, sejam eles cimento Portland, adições minerais etc.

 

Os aditivos usados na formulação do traço reduzem a água de amassamento ao mesmo tempo em que melhoram a fluidez. O cuidado especial está em estudar a compatibilidade entre o aditivo e o cimento, visto que existe uma interação química entre estes dois materiais.

 

É importante, antes de sua utilização, estudar ajustes para uma dosagem adequada a cada caso: cimento/aditivo/agregados (carta de traço).

 

O objetivo de qualquer método de dosagem é determinar a combinação adequada e econômica dos componentes do concreto com vistas a obter um produto que possa estar próximo daquele que consiga um equilíbrio entre as várias propriedades desejadas ao melhor custo.

 

Recebimento e controle

 

O concreto autoadensável exige um cuidadoso controle de todos os seus processos. Construtoras e concreteiras devem estar atentas a uma série de procedimentos para garantir a qualidade e desempenho do material. É importante escolher empresas que conheçam e dominem esta tecnologia.

 

O controle tecnológico no estado endurecido não difere do convencional.

 

As diferenças estão nos ensaios no estado fresco. O ensaio recomendado é o Flow Test para medida de fluidez e espalhamento.

 

Além do resultado da medida do espalhamento, é preciso ficar atento à sua formação: as bordas do concreto devem estar arredondadas e todo agregado graúdo deve estar envolvido pela argamassa e sem excesso de água (indicativo de segregação).

 

É mais caro que o concreto convencional?

 

Importante no momento de decidir pela utilização do concreto autoadensável seria realizar uma análise sistêmica de todo o processo – mão de obra, velocidade de lançamento, eliminação de adensamento, redução de energia e redução de retrabalho em função da eliminação das famosas “bicheiras”.

 

Hoje os custos iniciais do concreto autoadensável, dependendo da região e dos volumes a serem utilizados, são superiores em torno de 5% aos concretos convencionais.

 

Pode-se compensar esta diferença por economias geradas na análise sistêmica citada acima.

 

Seus benefícios

 

Podemos avaliar com bastante propriedade os benefícios quando da utilização do concreto autoadensável em empreendimentos, mesmo no segmento econômico:

  • Redução de mão de obra
  • Produto com maior valor tecnológico
  • Estruturas com mais qualidade
  • Menor dano nas formas que moldam o concreto
  • Redução nas intervenções patológicas geradas pelas “bicheiras”

 

Resumo: melhor qualidade da estrutura com preço mais competitivo.

 

Uma tecnologia avançada que veio para ficar!

 

Ary Fonseca Jr.
Um concreto mais argamassado, com mais finos na mistura
Etapas importantes: recebimento e controle
O ensaio recomendado é o Flow Test para medida de fluidez e espalhamento
Velocidade de lançamento: um dos itens considerados na análise sistêmica do processo
Uma solução que traz benefícios, mesmo nos empreendimentos do segmento econômico